Pacto contra corrupção tem 463 adesões
Em um ano, iniciativa brasileira para combater participação do setor privado em práticas ilícitas reuniu 379 empresas e 84 entidades

Uma iniciativa liderada pelo Instituto Ethos, entidade integrante do Comitê Nacional do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), para evitar que o setor privado contribua com desvios de recursos públicos reúne, após um ano de lançamento, 379 empresas e 84 entidades. Trata-se do Pacto Empresarial pela Integridade e Contra a Corrupção, uma ação lançada em junho de 2006 em São Paulo e que obteve adesão de multinacionais e empresas do Rio de Janeiro, Amazonas, Minas Gerais, Espírito Santo e Paraná. O pacto, apoiado pelo PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), pelo UNODC (Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crimes) e pela consultoria Patri Relações Governamentais, foi também "exportado" para a Colômbia, que adotou uma iniciativa semelhante.

O texto do pacto estabelece que as companhias que a ele aderem devem, entre outras coisas, comprometer-se a divulgar internamente dispositivos legais ligados a corrupção, proibir suborno ou oferta de suborno e denunciar "qualquer irregularidade que venha a detectar" nas contribuições de empresas a agremiações partidárias.

Em seus 12 primeiros meses, a iniciativa ganhou um sítio eletrônico e uma campanha publicitária. Além disso, formou seu primeiro grupo de trabalho: uma reunião de 18 empresas de diferentes setores que ficam responsáveis por criar práticas anticorrupção e estratégias para a captação de recursos financeiros. A primeira reunião do grupo acontece em julho. Depois disso, os participantes devem promover encontros bimestrais para a manutenção das atividades.

A relação de empresas que aderiram ao pacto está disponível no endereço eletrônico do pacto. Há representantes de setores diversos, como autopeças, siderurgia, eletroeletrônicos, hipermercados, farmacêuticas e concessionárias de serviço público. Alguns setores têm menos representatividade, como construção civil e bancos, que só têm uma empresa participante.

"Os resultados obtidos nesse período foram muito positivos, principalmente no que diz respeito ao aumento no número de signatários. Além disso, as visitas ao site aumentaram de 4 mil para 40 mil acessos mensais, o que mostra a boa repercussão da iniciativa", avalia Daiane Mistieri, assistente da secretaria executiva do Pacto Empresarial pela Integridade e Contra a Corrupção.

O balanço da campanha foi debatido na Conferência Internacional 2007 do Instituto Ethos, ocorrida na semana passada, em São Paulo. "Agora começa uma nova fase, menos ligada à conquista de adesões e mais atenta aos trabalhos efetivos contra a corrupção. Também haverá acompanhamento das atividades nas empresas participantes, para assegurar que elas trabalhem contra a corrupção", afirma Daiane.

Uma versão da iniciativa foi implantada pela organização não-governamental Transparência Colômbia. Porém, as práticas de fiscalização no país são direcionadas para o setor de tubulações, água e esgoto, polêmico por denúncias de corrupção.

Fonte: PNUD Brasil