O “nosso” oligarca e o islã
*Por Nezimar Borges
Um tema um tanto quanto delicado a se comentar, a questão
religiosa ao redor do mundo e ao decorrer do tempo. A lógica
do sucesso desta religiosidade é, para a minoria das análises,
a “venda” do produto mais que imperecível, que
está sempre a contribuir para uma satisfação
temporal do ser humano no presente, e, uma louvável e duradoura
eternidade no futuro, resumindo, o sentimento abstrato da natureza
humana: A esperança. Por esta o homem comete absurdo e barbárie,
sempre em nome de um ser superior, causando estragos. Sua causa passa
pelo controle social da sociedade pelos conservadores, até
a causa de tantos conflitos e guerras, da investida das cruzadas à
investida do extremismo religioso de Bush e de Osama Bin Laden; passando
ainda, pelo machismo cultural dos povos, o apedrejamento de mulheres
na Nigéria; e pela “gestapo” inquiridora entre
outras barbáries.
No artigo de hoje, o oligarca maranhense, tece artigo sobre a maior
religião do mundo, o islamismo, usando termos pejorativos àquela
religião. Mas há de dar destaque não apenas a
uma, ou outra religião, mas sim na própria religiosidade
em si. Diferentemente do que faz o oligarca, destacar-se-á,
alem da doutrina islã, também a cristã.
Todavia pode-se fazer uma comparação parecendo ser
absurda para muitos, mas para outros facilmente compreendida: Religião
pode ser comparada à barbárie?
Ligando o islã à barbárie, e ele tem razão,
quando diz: “Outros países vão à mutilação
do clitóris para que a mulher seja apenas um repositório
do sêmen do homem.” Isso é apenas o mínimo
dos maiores absurdo que acontecem com as mulheres muçulmanas.
A questão religiosa, atualmente, para os ocidentais, tem dado
o que falar, especialmente na ênfase nos modus da doutrinaria
islâmica. A destacar os protestos de rua no Irã, a luta
por mais liberdades para as mulheres as quais são subjugadas,
pelas leis islâmicas, de seres, não de segunda, mas de
quinta categoria. Por tudo, há de se fazer analise mais apurada
do papel da religiosidade no mundo moderno.
Não obstante, em sua grande e esmagadora maioria, tornou-se
uma forma de “mercantilismo”, de outra forma a “vanguarda”
dos opressores frente aos oprimidos. Isto acontece agora no Irã
e em outras partes do mundo. Portanto, não se deve ir muito
longe, aqui pelas terras tucujus, nas ultimas eleições,
essa “vanguarda” atuou descaradamente, tendo na figura
de Sarney o principal articulador e orquestrador dessas políticas
nefastas, influindo, talvez, no resultado das eleições.
Quando o aparelho do estado “liga-se” à religião
para perpetuar seu poder, recrutando e cooptando, através do
poder econômico, as lideranças religiosas para implementar
sua política ideológica em seus cultos religiosos, em
detrimento aos adversários, e, assim cooptando votos através
da lavagem cerebral.
A crítica se faz à religiosidade moderna frente aos
primeiros religiosos, estes tidos como modelo de comunidade, longínqua
da modernidade, chamados de comunistas primitivos, totalmente divergentes
do pensamento teológico contemporâneo o qual se tornou
um promissor e bem sucedido comércio. Em tempo, pode se imaginar,
de comungar da mesma mesa, a se sentar, o papa, Bush, Bin Laden e
o Nazareno, a negociar um termo-acordo de paz entre os homens?. Por
hora, imagina-se que tal seria impossível. A religiosidade
intrínseca e exacerbada postaria a prova qualquer entendimento
neste sentido. O que faz corroborar pela critica da religiosidade
moderna, além de outros argumentos mais plausíveis para
estes questionamentos.
Embora para a esmagadora maioria, a religiosidade para os pobres
mortais seja necessária, pois do contrario, pensam, o mundo
seria um caos, para outros, diferentemente, vê nela, principalmente
no seu extremismo, a ameaça a civilização. A
barbárie não tão preocupante àquela investidas,
como por exemplo, das cruzadas ou a investidas da santa inquisição,
mas nos tempos contemporâneos de proliferação
de armas nucleares. Se estas caírem, um dia, em mãos
desses grupos extremistas ou de algum muçulmano, louco varrido
pela fé, seria o fim. Mas essas armas tiveram ao alcance de
um extremista religioso ocidental, cristão diga-se, o “tri-louco”
George W. Bush. O que este deixou de legado, apesar de ter em suas
mãos tais armas, não diferente do que as tivessem sido
usadas, ainda assim, o fruto de seu extremismo religioso, o genocídio
de mais de um milhão de iraquianos. Mortos pelos invasores,
entre estes, idosos, jovens, mulheres e principalmente crianças,
pois esta ultima são um insurgente em potencial que precisam
ser eliminado. Isto frente a pouco mais de 4 mil soldados americanos
mortos. Estes são dados que dificilmente se vê nos noticiários
– a grande massa de baixas civis iraquianas desde o inicio da
guerra. E dificilmente irá se vê alguém insistindo,
em parte, nessa analogia, guerra e religião. Para quem não
a entende, ainda assim, compreende o choque de civilizações.
Mas o que seria esse choque se não as conseqüências
desastrosas dos neocons – chamados conservadores americanos
– no Iraque? Quando se viu, depois de cinco anos da guerra do
Iraque, o papa atual encontrar-se na casa branca com Bush e este beijar
sua mão, pôde-se compreender que esse choque de civilização
encontra-se numa encruzilhada e poder-se-ia dizer, sim, choques e
interesses de religiões, como pano de fundo, conciliadas a
outros interesses não menores que aqueles.
Contudo há um fato tido como divisor de águas para
a humanidade, “11 de setembro de 2001” ataque de extremistas
religiosos islâmicos às torres gemias em Nova-Yorque.
Naquela fatídica manha de terça-feira, religiosos com
fé extrema pegaram de assalto vários aviões e
o que se viu, a seguir, foi o terror. Acreditavam eles que depois
do ato teriam a salvação e o desfrute de setenta virgens
no céu de Alá. Esse triste episódio tirou dos
armários intelectuais adormecidos, estes sempre em apoio à
religiosidade moderna. Depois de tal ato, alguns começaram
a questionar, pelo menos, esta forma de religiosidade. Outros vão
mais além, questionam qualquer tipo de religiosidade como nociva
aos seres humanos, tendo seu maior expoente o biólogo naturalista
Richard Dawkins, que em seu livro – “DEUS, um delírio”
- ataca a religiosidade como nunca antes vista depois de Nistche.
O que se pode desprender depois desses acontecimentos, é que
diante do avanço da ciência e da modernidade, a religiosidade
perde terreno. Ratificada por tais atos de barbárie os quais
afloram através de grupos religiosos totalmente nocivos à
humanidade. O que se faz afirmar mais de uma vez, a tentativa de alguns
setores da igreja, principalmente, a católica, tentar conciliar
ciência e religião. Para não perder seu lugar
de destaque é melhor dar-se um passo a trás, para depois,
dois à frente.
*Nezimar Borges – Tecnólogo e Professor
http://www.nezimarborges.blogspot.com