Waldez traiu os seus”, afirma Camilo Capiberibe

Karen Cardoso

Na ultima segunda-feira (29) durante o Grande Expediente, o deputado Camilo Capiberibe (PSB) fez um balanço da Audiência Publica sobre Agricultura Familiar, Extrativismo e Pesca Artesanal que aconteceu no dia 25 de junho.

Ao mesmo tempo que se mostrou satisfeito com a participação de autoridades e principalmente dos agricultores, extrativistas e pescadores que estavam presentes, também falou sobre a sua decepção diante dos órgãos estaduais que segundo o deputado pouco contribuem para o desenvolvimento do setor primário no Amapá.

“Sete representantes federais estavam presentes e contribuíram com a audiência. O secretário de Agricultura do Governo Federal se deslocou até o Amapá, enquanto o secretário estadual não se deu o trabalho de levantar de sua cadeira, mandou uma substituta, que apesar da disponibilidade de ir até a Assembleia Legislativa, tratou do tema equivocado, a pecuária. Isso é um total descaso com o setor primário”, completa.

São cerca de 16 mil famílias que vivem da agricultura familiar cadastradas no Rurap do estado. Dentre elas 1300 em Pacuí, 800 em Bailique e 480 em Porto Grande. O deputado acredita que esses números estejam desatualizados devido à baixa estatística apresentada em Porto Grande, havendo mais pequenos produtores do que o registrado naquela região. Para essas famílias, em torno de 70 mil pessoas, são disponibilizados pela Rurap apenas 90 extensionistas rurais, sendo que segundo ao deputado Eider Pena (PDT), na comunidade Massaranduba, à 7 anos não aparece um extensionista por lá.

“Me falaram que o Waldez Góes, que é técnico agrícola, foi um excelente extensionista, mas pelo jeito isso não o faz um bom governador para os seus. Virou as costas para o setor que elegeu deputado estadual e depois governador. Waldez traiu os seus. Se ele é capaz de abandonar a própria casa, o que ele não pode fazer com a casa dos outros? Conte comigo para fortalecer o Rurap e assim dar mais condições aos agricultores, extrativistas e pescadores”, indaga Camilo Capiberibe.

O Extrativismo
A audiência publica tratou também do extrativismo no estado. Segundo a pesquisadora do Embrapa, Ana Euller, a castanha, gira no mundo em torno de 2 bilhões de reais por ano. O Brasil participa com uma fatia de 50 milhões de reais, enquanto o Amapá fica com 600 mil reais da participação nacional. Número considerado pequeno em se tratando de um estado com uma potencialidade grande nesse tipo de extrativismo.

O extrativismo da castanha pode garantir a sobrevivência de 13 mil famílias no sul do estado. ”É preciso investir no estado assim como aconteceu no Acre, foram injetados 50 milhoes de reais no setor primário e agora eles estão tendo ótimos retornos. O Amapá anda na contra-mão do país, enquanto em outras localidades, nos últimos 8 anos, a agricultura e o extrativismo progrediram, já o nosso estado só anda de marcha ré”, discursou o parlamentar do PSB.

A voz do povo
No momento em que foi aberta a discussão aos verdadeiros conhecedores da situação do setor agrário, os produtores, extrativistas e pescadores, a senhora Maria Alfaia Conceição das Dores, da reserva do Cajari, expôs um problema discutido a algum tempo pelo deputado Camilo nas sessões da Assembleia Legislativa, o transporte dos produtos e dos produtores de suas casas até as feiras comerciais.

A agricultora descreveu o que anda acontecendo em uma carta. Segundo a senhora Maria, os agricultores estão revoltados com o descaso com a agricultura familiar e com a vida sofrida que eles levam, pois agora estão cobrando taxas abusivas para transportar o sustento deles. “Tem pagamento por quantidade do produto; pagamento das passagens, esse é o que mais me revolta, pois foi feito o cadastro das pessoas que poderiam vim fazer a feira só que estão querendo cobrar a passagem de todas as pessoas cadastradas mesmo que essas não venham; as comunidades da reserva do Cajari não aceitam que o transporte fique sob o comando da prefeitura do Jari, mesmo porque nunca existe diálogo com o prefeito, e sim sob o comando do governo como sempre foi feito”, relatou.

Foi instituído que o produtor não pagaria o frete, somente a passagem dele, afinal segundo as leis de transito, caminhões que fretam os produtos não podem transportar pessoas, por não haver segurança adequada para esse tipo de transporte. Para completar o governador vetou totalmente o projeto de lei nº 0057/09-AL, de autoria do deputado Michel JK, que concede o direito de meia passagem rural aos produtores agrícolas no transporte rodoviário e fluvial no Estado do
Amapá, por inconstitucionalidade.

Em outro momento da carta, Maria das Dores lamenta, “Meu Deus como vamos viver financeiramente se não vendemos toda a nossa produção e é dessa venda qe tiramos o sustento de nossa famílias? Está se tornando um trabalho escravo, pois quando vendemos nossos produtos já estamos devendo muito mais”.

O deputado Camilo Capiberibe em posse dessa carta e do relatório feito da audiência publica afirmou tomar as providencias que lhe cabem para melhorar o setor primário do estado.