53 ANOS DE FERNANDO CANTO
Renivaldo Costa

O Fernando Canto é um dos seres humanos mais extraordinários que conheci até hoje. Me permito chamar de "irmão" a poucos amigos. Fernando é um deles. Nos conhecemos há quase 13 anos, quando ele ainda morava em Belém e desde então estabelecemos uma relação de amizade e apreço. Muito daquilo que escrevo tem forte influência de Fernando. Afinal, cresci lendo seus livros.
Esta semana Fernando Canto fez 53 anos. Ele nasceu em 29 de maio de 1954 em Óbidos, mesma terra que gerou outros ícones da cultura brasileira como Inglês de Sousa e Patrícia Galvão, a Pagu. Suas incursões pela música e literatura são conhecidas pelo Brasil afora, mas creio que o Amapá precisa redescobrir ainda Fernando Canto.
Outro dia, numa conversa com o ex-deputado Antônio Feijão, ouvi o seguinte comentário: "Se tivesse nascido em qualquer outro lugar do mundo, o Fernando Canto seria considerado um legado cultural pelo seu povo. O Amapá precisa olhar mais pelos seus heróis". De fato. A contribuição dado por Canto ao longo de sua trajetória no Amapá é um legado do qual temos que nos orgulhar. Obras como "O Bálsamo" e "Eqüino Cio" são dignas de premiações internacionais.
Ademais, foi somente na gestão de Fernando Canto que a Confraria Tucuju ganhou notoriedade. Com a saída dele da entidade, a Confraria voltou a ser medíocre. Hoje não passa de uma associação de figuras consumidas pela sua vaidade e de visão anacrônica, como o Nilson Montoril, um arremedo de historiador.
Provavelmente uma das maiores contribuições de Fernando Canto à cultura amapaense tenha sido a "marabaixeta", um marabaixo fora de época que ele idealizou num momento em que esta manifestação passava por momento agônico e corria o sério risco de desaparecer. À época, Fernando sofreu críticas mas hoje - quase dez anos depois - sua iniciativa pode ser melhor entendida. Hoje proliferam grupos de marabaixo e até já se promoveu um festival dessa manifestação, idéia aliás que nosso sociólogo defendia há mais de 10 anos.
Por fim, encerro esta homenagem relembrando uma história ocorrida com o Fernando Canto e contada pelo saudoso amigo Hélio Pennafort. "Levado por amigos, o Fernando Canto participou de uma animada festança lá para as "blelbas" do furo do Assacu. Conhecendo a rígida disciplina que nesses lugares impera no salão, Fernando, depois de muita excitação, conseguiu aproximar-se de uma brejeira cabocla, triste e solitariamente encostada na desnivelada parede de paxiúba:
- A senhorita me permite esta contradança?
- O que ?
- Vamos dançar?
- Num dá. Eu só danço abenetando.
Fernando encabulou. Desencabulou. Novamente convidou. Mas qual... a dama encasquetou: - Já disse, só danço abenetando.
Sociólogo de vastos recursos, imaginou tratar-se de algum passo novo e, quem sabe, poderia adaptar-se a ele no decorrer da contradança. Insistiu: - Mas sim, vamos dançar?
- De novo? Puxa, só danço abenetando.
- Pois eu sei dançar abenetando.
Mas quando?... A Bené num tá."

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