Morre padre Fulvio, pintor e missionário do Pime no Amapá

Todas as igrejas da Diocese de Macapá estão rezando pela alma do padre Fulvio Giuliano, que morreu na manhã da última terça-feira, cinco de junho, em um hospital de Gênova, Itália, aos 68 anos, depois de um longo período enfrentando problemas de saúde. O bispo diocesano, Dom Pedro Conti, rezará pela alma do sacerdote na celebração de Corpus Christi, nesta quinta, dia sete.

Padre Fulvio trabalhou no Amapá nas décadas de 70 e 80 como pintor, arquiteto e missionário do Pontifício Instituto das Missões Exteriores (Pime). A última e nobre missão do missionário e artista italiano foram os quadros sacros, feitos especialmente para a nova Catedral de São José de Macapá. "Agora, mais do que nunca, os quadros do querido padre Fúlvio estão sendo aguardados por todos nós", afirmou padre Paulo Lepre, vigário geral da Diocese de Macapá.

Além dos frutos da evangelização, padre Fulvio deixa discípulos pintores no Amapá e a marca inconfundível de sua arte em diversas igrejas, Seminário Diocesano, Centro de Pastoral, salas de catequese, casas paroquiais e na própria sede do Pime no Amapá. Em recente entrevista à revista Mundo e Missão, padre Fulvio falou com entusiasmo de sua passagem pelo Amapá:

Em cinqüenta anos, padre Fulvio pintou mais de mil ícones. Muitos estão aqui no Brasil, sua pátria adotiva, onde viveu durante 23 anos. Os outros já estão espalhados pelo mundo todo, da Guiné Bissau à China, nas igrejas no meio da floresta e nas catedrais das grandes cidades. "Desde que voltei para a Itália, em 1985, trabalho sob comissão - brinca padre Fúlvio, acariciando a longa barba grisalha -. Meus co-irmãos encomendam e eu despacho". O fato é que o trabalho de padre Fulvio é ininterrupto. "Minha jornada está dividida em duas partes: quatro horas de oração e cinco de trabalho".

O chamado - "Sargento Giuliano! Chegou uma carta do Brasil para você!". Uma aventura missionária também pode começar assim. E mais embaixo: "Caro Fulvio, já o consideramos membro do pequeno exército dos missionários de Macapá. Venha logo!". O remetente era Dom Aristides Piróvano, do Pime, bispo de Macapá. Fulvio respondeu que sim e veio ao Brasil, como missionário leigo e mestre de obras. Trabalhou sete anos ao lado de Marcelo Cândia (industrial de Milão que investiu seus bens em obras sociais no Amapá e no Pará).

Fulvio descobriu que poderia usar um outro dom a serviço do Evangelho. "Em Macapá, duas igrejas geminadas com planta semi-circular foram a prova para a minha experiência de construtor", relata. "Mas, sobretudo, estimularam-me a iniciar os primeiros grandes murais para ocupar as enormes paredes brancas e, assim, começar a transmitir a vida de Jesus aos pobres, através de imagens". Além de bancar o arquiteto, Fulvio também se dedicava à catequese dos jovens.

Em 1969, Fulvio disse um outro "sim!", agora para o sacerdócio. Havia se transferido a Belo Horizonte, para os estudos de teologia e, durante todo o tempo livre, trabalhava em uma paróquia muito pobre da periferia, cuja maior parte era formada por extensa favela.

A um grupo de catequistas, ensinou a "desenhar o Evangelho": eles escreviam nas lousas para seus aluninhos que, por sua vez, passavam para seu próprio caderno. Deste trabalho comunitário, organizado e sistemático, nasceu um verdadeiro catecismo ilustrado. Ele foi impresso em milhares de cópias e utilizado em muitas paróquias brasileiras. Foi traduzido para o italiano e reeditado pelo menos seis vezes.Durante umas férias na Itália, nos anos 80, padre Fulvio freqüentou um curso de iconografia bizantina, na escola Russia Cristiana.

É um outro brilho: daquele momento em diante, decidiu dedicar-se apenas à arte icônica. "O ícone é um mistério, permite representar a imagem profunda e eterna do Cristo na sua humanidade e divindade", afirma hoje, há 24 anos daquela escolha. Em 1985, devido a problemas de doença, padre Fulvio precisou deixar o Brasil e agora mora na Itália. "Aqui, minha atividade de iconógrafo não é diminuída - afirma -. Ao contrário, o Senhor me abriu novos horizontes.

De fato, comecei a trabalhar também para as igrejas nos diversos países onde se encontra o Pime". "O belo é belo em qualquer lugar, como o verdadeiro e o bom - diz com convicção, e além disso, o ícone tem valor universal".

(Oscar Filho - Pastoral da Comunicação)