O caso Jackson Lago

Do blog: http://luisnassif.blig.ig.com.br/

E aí se entra no caso Jackson Lago.

O governador está há seis meses no cargo. Não tem fama de desonesto embora tenha o mau hábito de colocar muitos parentes na administração pública. Dois sobrinhos foram apanhados pela Operação Navalha, e tudo indica que são culpados. Também foi rápido no pagamento da Gautamo, de fatura expedida no governo passado. Alega que estava pendente desde dezembro e que o pagamento seguiu os trâmites normais.

A Operação colocou como epicentro do terremoto o estado do Maranhão. Lá a política sempre foi dominada pelo clã Sarney. Na última administração, pelo governador José Reinaldo. O esquema de obras começou lá atrás, e veio vindo. E aí se chega ao governador Lago e a um dos pontos mais estranhos e curiosos da atuação da Ministra Eliana Calmon.

Em um documento de 28 páginas, expresso do rodapé “Segredo de Justiça” os delegados da Polícia Federal Andrea Tsuruta e Antonio de Padua Vieira Cavalcanti encaminham os pedidos de prisão preventiva e de bloqueio de bens de um conjunto de pessoas.

Pedem a prisão de 47 pessoas. O governador Lago não está entre elas. Pedem o bloqueio das contas de 47 pessoas. Nada do governador Lago. Pedem que se tornem indisponíveis os bens de 47 pessoas. Neca do Lago.

No seu despacho a Ministra autoriza a prisão preventiva de 46 pessoas. Tira da relação o deputado distrital Pedro Passos Júnior, “diante de sua condição de agente político”. Dois parágrafos depois, o inclui novamente. Entre os dois parágrafos, um trecho curioso, denotando o que em jornalismo se chama de um "caco" (colocação de um trecho que foge da sequência normal do texto).

Nele, escreve o seguinte:

“Deixo de decretar a prisão preventiva de Jackson Kepler Lago, governador do Estado do Maranhão, por entender que inexistem elementos fáticos capazes de decretar a prisão em flagrante, única forma possível de custodiá-lo, diante do que dispõe o artigo 66, parágrafo 3º da Constituição Federal”.

Esse parágrafo foi o suficiente para crucificar o governador. Toda a cobertura se baseou nele.

No parágrafo, a Ministra nega um pedido de prisão preventiva, sugerindo que havia elementos para um pedido de prisão, que não havia sido solicitado .

Na semana passada saiu uma entrevista no jornal “Congresso em Foco” com a subprocuradora Célia Regina. “Segundo a subprocuradora, das 49 pessoas citadas inicialmente na Operação Navalha, só não há “indícios efetivos”, por enquanto, contra o governador do Maranhão, Jackson Lago (PDT) - o único, aliás, a não ter a prisão decretada. Em princípio, Célia Regina acredita que o MPF não deve denunciar outras pessoas além dos 49 citados”.

Então qual a razão da Ministra ter incluído o governador na história?

Notícia da “Folha Online” de 22 de maio de 2000:

“A ministra Eliana Calmon Alves, 55, que negou liminar para que Celso Pitta permanecesse no cargo, foi a primeira mulher a chegar à cúpula do Judiciário.

Tornou-se ministra do Superior Tribunal de Justiça em junho de 1999 graças ao apoio dos senadores Edison Lobão (PFL-MA), Jader Barbalho (PMDB-PA) e Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA).

“Sem o apoio deles, eu não seria escolhida”, disse Calmon no ano passado: “A nomeação é um processo eminentemente político”

Edison Lobão faz parte do grupo político da família Sarney.

Dá para entender a razão dessa falta de parâmetros da cobertura? Cada qual dá o tiro que quer, no alvo que bem escolher.