O preço da desinformação
Édi Prado *

Os meios de comunicação tornaram-se veículos das vaidades, das pretensões e manutenção do status quo das política/partidárias.

Mentir, falsear, omitir, enganar tem sido a pauta dos donos dessas fábricas de desinformação que germinam no Estado do Amapá. E como “deuses” dizem aos discípulos/jornalistas: “Façam-se à minha imagem e semelhança”. E eis que perambulam pelas redações, os “jabazeiros”, para “adoçar” a boca dos Poderes e dos candidatáveis, que bravateiam, nas rodadas de Whiskys, as vantagens de ser “esperto e de saber levar vantagens em tudo”.

E aí surgem os “mensalinhos e mensalões” até na imprensa do Amapá. Os “escândalos”, revelando nomes e as quantias mensais e anuais, recebidas por veículo e pelos jaraquizeiros, só despertam a vaidade e o sentimento de menor valorização em detrimento do outro que recebe mais do que ele. E o benfeitor-mor passa ser o feitor, o que prestigia o que lhes oferta a mais alta submissão e castiga os “rebeldes”, os que não se curvam diante dos caprichos deles.

É triste admitir que a imprensa brasileira transformou-se em camelódromo, onde se ofertam imoralidade, indecência, mal caratismo, constrangimentos, a degradação humana, mentira, falsos valores e a abolição dos princípios que deveriam nortear a vida de uma comunidade. Tudo com notas frias, a preços de produtos de alta qualidade e garantia de registrar o nosso tempo.

A esperança é alimentada, apresentada e exposta como as vísceras num banquete de urubus. E as conseqüências explodem como bombas atômicas, ensangüentado o pronto socorro, hospitais, enchendo a barriga das penitenciárias e expandindo os cemitérios.

A imprensa vive como a pistoleira da palavra, mercenária das imagens falsas, como os falsos profetas que anunciam a boa nova, vendendo sonhos e felicidades, brinquedos que não estão ao alcance, nem das fantasias infantis.

E são lançados no mercado, através do rádio, jornal, televisão, revistas e blogs, numa linguajem chula, apelativa, sensacionalista, sem nenhuma preocupação gramatical. São derramadas com todas as nódoas “pitiús”, com que lavam a consciência. Depois se lambuzam de mel, do mal, de álcool e vão dormir entorpecidos para não ouvir a voz da consciência.

E o jornalista se molda às imagens dos que bebem o mel dessa colméia. E aí todo mundo vira jornalista. Qualquer um pode ser: médico, deputado, marreteiro, advogado, açougueiro, engenheiro e até jornalistas e radialistas que nunca ouviram falar de ética. Qualquer um. O médico pode ser jornalista, mas o jornalista não pode ser médico nem exercer outras profissões.

Todos podem autodenominar-se jornalistas, ocuparem espaços nas empresas de comunicação. Mas o jornalista não tem nem o direito de reclamar. Se for para praticar um jornalismo de manutenção, que estimula o povo a não pensar, qualquer um serve. Que contratem os programadores, os mestres em informática e eliminem a figura do jornalista.

E o mais grave disso tudo, é que nunca aprenderam a escrever uma só linha, que não seja “encerada” com o bolor de bajulação, despejos viscerais do ódio, vaidades ou cifrões.

Se a evolução técnica dos veículos de comunicação não é acompanhada pela evolução ética, moral e empenho profissional, que se instale a era dos robôs. Se a maioria só entende de computador e nunca vai aprender a escrever, pelo menos os patrões não terão concorrentes na hora de fatiar o jabá, antes de preparar o caldeirão da vaidade, do egoísmo, prepotência e da arrogância. O aumento do patrimônio deles é a meta.

Enquanto isso a chamada imprensa cinzenta age como sanguessuga insaciável e depois alçam vôos para as cavernosas práticas noturnas para fabricar manhãs turvas em aquarelas multicoloridas.

Que os jornalistas, que honram as teclas que lhe dão o pão e lhes garantam a dignidade, sejam assim como a teimosia dos versos de Paulo César Pinheiro: “Se me cortam um verso, eu escrevo outro. Se prendem vivo, eu escapo morto”. Ou então, como diria o jornalista Antonio Maria, aos ver as mãos ensangüentadas e esmagadas pelas botas da ditadura: “Eles pensam que os jornalistas pensam e escrevem com as mãos...”.

Cazuza ainda agonizava tentando alertar que “o tempo não pára”. A imprensa hoje pode ser um reflexo muito negativo para a evolução do ser humano, quando nossos filhos, netos e bisnetos compreenderem que nada fizemos para escrever uma história mais humana, ética, evolutiva, séria, comprometida com os fatos e menos egoísta e imoral. De não ter descoberto a tempo que nem viveram, nem semearam um futuro melhor para eles. De ter que admitir que pagassem um preço muito alto para um dia auto flagelar-se com a frase invertida: Confesso que não vivi. Porque de palore, palore, nerusca de Neruda. Nem nos tempos de maior tirania, de forte repressão militar, vimos tantos jornalistas sucumbirem diante de tanta imoralidade.

O que nos conforta e nos anima é saber que ainda há esperança. Ainda existe exceção.

*Édi Prado - Jornalista amapaense, bacharel em comunicação, formado pela Faculdade de Comunicação e Turismo Hélio Alonso, Rio de Janeiro em 1982. Em 1985 retornou ao Amapá, tentando honrar esta profissão tão nobre e grandiosa.