PORQUE MANTER A PANELA NO AR?
Édi Prado 13.07.07

É complicado, mas é simples ao mesmo tempo.
Complicado porque panela, ou fica no fogo cheia, ou pendurada, quando vazia. Mas quando se trata da Panela do Povo, este programa que vai ao ar, de segunda a sexta-feiras, de 8:30 as 10 horas, pela 99,5 kwz - Rádio Equatorial-o tempero é diferente.

Relembra a velha história da sopa de pedras, que o saudoso Dr.Emanuel Pereira, narrava para os advogados novos, que tinham dificuldades de acessos, para resolver os problemas dos clientes.

Ele contava que um cidadão, municiado apenas de um panelão, alguns gravetos e uma caixa de
fósforos, preparou a mais saborosa e nutritiva sopa que ele e alguns convidados, jamais haviam
saboreado.

O método é simples: Ajeitou o panelão sobre Alguns tijolos colocou água pela metade, adicionou algumas pedras bem polidas dentro e acendeu o fogo.

Isso na esquina de uma praça movimentada. Teatralmente, abanava o fogo com um papelão e catava pedaços de pau atirados na praça e os amontoava próximo ao “fogão” improvisado.

Os curiosos iam aproximando-se. E depois de olhar a cena e intrigados perguntavam o que ele estava fazendo.
Estou preparando uma grande sopa, respondia. Mas sopa só com essas pedras? Questionavam os curiosos E sugeria que se tivesse algumas folhas de verdura, nabo, quiabo, cebola, maxixe, ficaria bem melhor. Cada um trouxe o que pôde.
Todos queriam colaborar com alguma coisa.
Depois de lavar cuidadosamente as doações, na torneira Pública, acrescentava ao caldeirão e mexia cuidadosamente a colher de pau e de vez em quando pingava algumas gotas na mão e comentava: Se tivesse mais um pouquinho de sal, uma pitada de pimenta e cuminho, um pouquinho de extrato de tomate, ficaria melhor ainda. E não faltavam voluntariosos para correr em casa e trazer qualquer coisa, para acrescentar na tal sopa.

O ritual de mexer o panelão, alimentar o fogo e provar para avaliar o tempero, atraía mais pessoas.
E a cada provada sugeria um pedaço de carne, alguns ossinhos, baicon, tutano e ah se tivesse um pouquinho de macarrão... E os ingredientes foram chegando e chegando.
Teve até quem se adiantou e já trouxe tigelas, copos descartáveis, colher, um frasco de pimenta.
Antes do meio dia, a sopa estava pronta para ser sorvida. E assim foi preparada a sopa de pedras.
Todos os que estavam ali, participaram da ceia. Assim é a Panela do Povo, esse programa diário
de segunda a sexta , aqui na Globo FM, de 8:30 as 10 horas. Nós temos a panela e microfones e de quebra um telefone aberto à toda comunidade.

A voz é de todos e essa voz não tem carimbo de classe social, não tem cor, raça, religião nem credo, muito menos boton político partidário. O que todos temos em comum são as angústias, as injustiças, a exclusão em vários segmentos da sociedade. Estamos excluídos dos nossos mais elementares e essenciais direitos.

O Estado, o Poder manipula os meios de comunicação e não nos deixam falar. Cerceiam os nossos mais sagrados direitos de nos comunicar, pedir, exigir, clamar, alertar.
Eles não querem nos ouvir. Eles querem nos calar e nós não vamos permitir que mais essa violência contra a liberdade de expressão e de pensamento seja concretizada.

E a Panela é do Povo. Mas para que essa panela fique no ar, é preciso que cada um colabore, com que o que pode, a exemplo da sopa de pedras, para que continuemos a exercer o nosso direito de informar, formar e nos unir em torno da mesma causa. Temos um custo mensal que é pago ao dono da empresa. E para continuar com essa panela aberta, a espera do seu tempero de reivindicação, com uma pitada de colaboração, denúncia, cobrança e da garantia de que a sua voz será respeitada e ecoada, assim como a do galo.

O poeta João Cabral de Melo Neto já alertava no raiar das liberdades democráticas, que um galo sozinho não tece uma manhã. É preciso que outro galo ecoe este canto, para que outros Galos comecem a tecer uma nova e brilhante manhã para todos nós, exilados dos nossos direitos, excluídos dos nossos sonhos e necessidades e deixar de catar as sobras por debaixo das mesas dos poderosos e passemos a produzir os nossos alimentos e a viver com dignidade. E só seremos fortes, se tivermos voz. E só teremos voz, se pagarmos o nosso sagrado horário de tirar a mordaça da boca e abrir os olhos para ver o amanhã que vem nascendo para nós e todas as nossa gerações.

Não existe tabela para o coração e para consciência.
E não haverá ninguém excluído de falar o que pensa e o Que sente. Quem puder deposite na conta que sendo anunciada.
Ou cada grupo de pessoas isoladas ou por categoria, faça a coleta e venha aqui, no ar, falar o quanto está sendo ofertado para manter o Programa Panela do Povo no ar.
E saibam que eles, os poderosos, os políticos e os que não querem largar a teta do poder, vão tentar mais uma vez, nos alijar, nos deserdar e calar nossos sonhos. E todos Nós, que às vezes nem raspamos a panela de casa, não vamos permitir que nos tirem mais essa panela de nossa boca.