Comissão da Amazônia atuará para fortalecer a ciência e a pesquisa na região


Campinas (SP) - A Comissão da Amazônia, Integração Nacional e de Desenvolvimento Regional dará apoio político para que a proposta da Academia Brasileira de Ciências para a região amazônica seja adotada pelo governo. Em encontro realizado nesta quarta-feira, como parte da programação da 60ª Reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Campinas, cientistas apresentaram aos parlamentares projeto para a ampliação progressiva do número de pesquisadores doutores na Amazônia dos atuais 2.800 para 4.200 até 2011.

Integrante da Academia Brasileira de Ciências, Adalberto Luís Val diz que o principal gargalo da região está na insuficiente quantidade de doutores. Apenas 30% das pesquisas hoje realizadas sobre o bioma amazônico, segundo ele, são feitas por brasileiros. "Fixar recursos humanos na Amazônia vai proporcionar a retaguarda para uma ação na Amazônia confiável, justa, sustentável, que é o que precisamos", disse.

Inclusão social

Ele destacou que foi desenvolvida no Brasil uma capacidade muito significativa para o monitoramento do desmatamento na Amazônia, mas muito pouco foi feito no processo de inclusão social da região. "Para isso, a ciência pode contribuir de forma bastante significativa, não só desenvolvendo alternativas para o uso das áreas já degradadas na Amazônia, mas novas alternativas para uso da diversidade biológica que temos na região, sem destruir a floresta, mantendo a floresta em pé", afirmou.

Adalberto Val, que também é do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), destaca que a região contribui com a geração de cerca de 8% de toda a riqueza produzida no País. Apesar disso, somente 2% dos investimentos do governo federal em ciência e tecnologia vão para a região, segundo o pesquisador.

Distribuição de riqueza

A proposta da Academia Brasileira de Ciências conquistou o apoio da Comissão da Amazônia. Na avaliação da presidente da comissão, deputada Janete Capiberibe (PSB-AP), é preciso conhecer melhor a Amazônia para trazer benefícios ao País e, principalmente, para os mais de 20 milhões de habitantes da região. "Essa biodiversidade da Amazônia tem que trazer distribuição da riqueza para as comunidades tradicionais, indígenas, quilombolas, mulheres agricultoras, parteiras, castanheiras, pescadores, enfim, a população como um todo", ressaltou.

O apoio da Comissão da Amazônia às reivindicações dos cientistas dá continuidade ao trabalho que os parlamentares já vinham fazendo desde o ano passado, quando também participaram da reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, em Belém.

O encontro da SBPC segue em Campinas até sexta-feira (18). A organização do evento estima que, até lá, 15 mil pessoas devam participar dos debates e cursos, além de conferir atrações da Exposição de Ciência e Tecnologia.



País pesquisa muito pouco a Amazônia, destaca deputada

Campinas (SP) - A presidente da Comissão da Amazônia, Integração Nacional e de Desenvolvimento Regional, deputada Janete Capiberibe (PSB-AP), afirmou, durante a 60ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que o conhecimento sobre a Amazônia é insuficiente e que isso gera riscos diversos ao País, como biopirataria e perda de divisas. Ela coordena a sessão especial "Desafio da ciência e tecnologia na Amazônia: sustentabilidade, orçamento e desenvolvimento".

Segundo a deputada, há estimativas de que 70% das coletas de biodiversidade para pesquisa estejam concentradas nas regiões de apenas duas capitais da Amazônia: Belém e Manaus. Ela também disse que somente 30% das pesquisas sobre a Amazônia são feitas por brasileiros, e que apenas 9% são feitas por amazônicos.

Propostas

Janete Capiberibe ressaltou que a presença da Comissão da Amazônia na reunião da SBPC representa a continuidade de um trabalho iniciado no ano passado no evento realizado em Belém, em que a comissão apresentou a "Carta de Belém", com propostas para ampliar a pesquisa e o número de cientistas na região. Entre essas propostas está a multiplicação do número de doutores na Amazônia por dez num prazo de cinco anos.

A deputada também está articulando reuniões com institutos de pesquisa e universidades da Amazônia. Ela destacou que em setembro vai ocorrer em Belém o Fórum Regional de Instituições de Ensino e Pesquisa da Amazônia, com dez institutos.

Ana Raquel Macedo e Mônica Montenegro
Agência Câmara