Parteiras tradicionais realizam encontro no Amapá


Brasília, 18/07/2008 - Cerca de 400 parteiras tradicionais dos estados do Amapá e do Pará vão estar reunidas em Laranjal do Jari - AP, entre os dias 25 e 28 de julho. Elas participam do I Encontro das Parteiras Tradicionais da região Sul do Amapá e do II Seminário para as Parteiras do Laranjal do Jari, Vitória do Jari e Mazagão. O evento é organizado pela Associação das Parteiras Tradicionais de Laranjal do Jari e culminará, em dezembro, no encontro estadual das parteiras tradicionais, conforme deliberação do Encontro Internacional das Parteiras, ocorrido em Olinda - PE, no início de maio. O evento prevê palestras de capacitação, atividades culturais tradicionais e mobilização política pelo reconhecimento legal das parteiras tradicionais.

Projeto Parteiras - A deputada federal Janete Capiberibe (PSB/AP), autora do projeto de lei 2.145/2007, que regulamenta a profissão das parteiras tradicionais no Brasil, vai participar do encontro. Ela foi responsável, durante o governo do Desenvolvimento Sustentável do Amapá, coordenado pelo governador João Alberto Capiberibe, entre os anos de 1995 a 2001, pelo programa “Parteiras Tradicionais”, que as capacitou, incluiu no serviço público de saúde e as remunerou pelo trabalho que prestavam. Ao final de sete anos, 1,3 mil parteiras do estado estavam capacitadas, o Amapá sediara, em 1998, o I Encontro Internacional das Parteiras da Floresta, e fora premiado pela Fundação Getúlio Vargas por conta do programa de parteiras tradicionais.

Em 2004, o filme "Mensageiras da Luz - Parteiras da Amazônia", do cineasta e jornalista carioca Evaldo Mocarzel, ex-editor do Caderno 2 do Estadão, correu o mundo contando as história das parteiras do Amapá, resgatadas pelo programa coordenado por Capiberibe.

O PL 2.145/2007, da deputada Janete Capiberibe, aguarda parecer do relator na Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados. Seu objetivo é reconhecer, capacitar, incluir no sistema de saúde e remunerar as parteiras tradicionais. “Em muitos lugares do país, as parteiras tradicionais são o único serviço de saúde que as pessoas conhecem”, afirma a autora do projeto.

Sub-notificação - No Brasil, estima-se que são cerca de 60 mil as parteiras tradicionais. Segundo o Ministério da Saúde, são registrados, a cada ano, em torno de 450 mil partos domiciliares realizados por parteiras tradicionais. O próprio Ministério acredita que o número seja maior por conta da sub-notificação.

“A humanização do parto, o direito das mulheres poderem escolher o parto assistido por parteira, o fim do preconceito e a inclusão das parteiras no sistema público de saúde poderão construir uma nova perspectiva às mulheres e às crianças brasileiras”, defende a deputada Janete Capiberibe.

 

Texto: Sizan Luis Esberci