O HOLOCAUSTO DO VOO 3054
Ruy Guarany Neves


Nesta terça feira, o aeroporto de Congonhas, São Paulo, registrou a maior tragédia da aviação comercial brasileira, envolvendo um avião da TAM, que partiu de Porto Alegre, conduzindo 175 passageiros e 6 tripulantes. O vôo 3054 transcorreu normalmente e tudo indicava que os ocupantes da aeronave desembarcariam de forma tranqüila, na capital paulista. Em contacto com a torre de controle, o comandante da aeronave anunciou o procedimento de descida e o pouso ocorreu no ponto ideal, na nova pista recentemente construída, obedecendo todos os quesitos de segurança. A chuva que caira no início da tarde, deixou a pista molhada. Já no solo, os freios foram acionados, inclusive a reversão, mas o avião continuou deslisando, sem diminuir a velocidade. Ao atingir o final da pista, o comandante tentou arremeter - conforme declarações de testemunhas oculares - a aeronave deu uma guinada para a esquerda e chocou-se com um prédio da TAM e um posto de combustível, explodindo de imediato. A tragédia ceifou as vidas dos passageiros e tambem de pessoas que se encontravam no interior do prédio.

Recorda-se, que, em 1993, um avião Fooker -100 da TAM, conduzindo 86 passageiros, decolou de Congonhas com destino ao Rio de Janeiro e caiu à 500 metros além da cabeceira da pista, chocando-se com prédios, matando todos os passageiros e mais duas pessoas no solo. Que a tragédia desta terça feira, sirva de alerta às autoridades, sobre a inconveniência dos aeroportos dentro das cidades. Até porque, por mais que a tecnologia reforce a segurança das aeronaves, não significa dizer que estarão livres do imprevisto. E o holocausto do vôo 3054 da TAM, serviu para provar que os dispositivos de segurança das aeronaves, não são suficientes para evitar o imprevisível, que sempre conduz à tragédia, como a que ora se repete no aeroporto de Congonhas, em São Paulo.

Por estar situado entre bairros residenciais, o aeroporto de Congonhas so funciona para pouso e decolagem, até as 23 horas. Entretanto, a ocorrência desta terça feira com o avião da TAM, aumenta a preocupação da população, que já se organiza para exigir a desativação do aeroporto.
Quando anunciaram a reconstrução do aeroporto de Macapá, houve parecer técnico sugerindo a mudança para local mais afastado da capital. Mas, como hoje, no Brasil, o poder político, erradamente, anula o parecer técnico, por mais fundamentado que seja, o aeroporto está sendo reformado e as obras estão paralizadas, por causa da corrupção detectada pelo TCU. Enquanto o Ministério Público, a CGU e a Polícia Federal processam investigações, para descobrir quem ou quais os “colarinhos brancos” que se beneficiaram com os superfaturamentos dos recursos federais, so nos resta pedir a Deus, para que nos livre de uma tragédia, como a que aconteceu em São Paulo.