ASSEMBLÉIA DE DEUS COMEMORA 91 ANOS DE FUNDAÇÃO
NO AMAPÁ
Com uma programação de cinco dias, de 24 a 29 de junho
de 2008, a Igreja Assembléia de Deus em Macapá comemorou
91 anos de fundação no Estado do Amapá.
Estiveram presentes como convidados especiais os Pastores Cláudio
Veiga-DF, Elson de Assis e Aluizio de Moraes – RJ. Como cantores
Marcelo Nascimento – RJ e Felícia Lima do Suriname.
Durante toda a programação a assistência foi
maciça, todos agradecidos a Deus pela passagem de tão
significativa data.
Fundada em 27 de junho de 1917, pelo Pastor José de Matos
e mais cinco irmãos, a Assembléia de Deus hoje é
a instituição religiosa, depois da igreja Catolica,
mais antiga no Estado.
Apenas a título de informação, para nos localizarmos
dentro da história evangélica, façamos um breve
relato do evangelismo no Brasil.
As primeiras notícias da realização de culto
evangélico em terras brasileiras são de 10 de março
de 1.557, quando Richier, pastor huguenote, o celebrou nas ilhas de
Villegagnon, no Rio de Janeiro e em 14 de fevereiro de 1.630, a bordo
de um navio da missão holandesa, em Recife, quando o reverendo
João Baers também dirigiu um culto.
Nos idos de 1.810, os cultos evangélicos passaram a ter caráter
definitivo, iniciando pela Igreja Anglicana, no Rio de Janeiro. A
partir daí, outras denominações evangélicas
foram organizadas no Brasil, como sejam: Igreja Metodista (em 1.835),
Igreja Luterana (em 1.845), Igreja Congregacional (1.855), Igreja
Presbiteriana (1.862), Igreja Batista (1.882), Igreja Episcopal (1.890),
Igreja Adventista (1.895) e Congregação Cristã
do Brasil (1.910).
É incontestável, segundo a maioria dos historiadores,
que o avivamento pentecostal do século XX começou em
AZUZU STREET, em Los Angeles, na Califórnia em 1906, com o
Pr. W. I. Seymour, o qual foi o instrumento usado por Deus para pregar
sobre a promessa do batismo no Espírito Santo.
O movimento espalhou-se por todas as principais cidades Norte Americanas,
gerando muitos frutos que, revestidos de poder e com ardor missionário
no coração, sentiam a necessidade de levar o mesmo privilégio
a outros povos, pois, segundo a Bíblia, a promessa se estendia
a todas as Nações.
Visando cumprir tal promessa, dois missionários suecos vieram
para o Brasil. E assim, a 19 de Novembro de 1910, desembarcaram na
cidade de Belém do Pará, Daniel Berg e Gunnar Vingren,
provenientes de Nova York - EUA. Membros da Igreja Batista, porém
batizados no Espírito Santo, trouxeram a mensagem para nossa
Nação.
No entanto, coube a um boliviano, por nome Clímaco Bueno Aza,
trazer o pentecostes ao Amapá, em 1916, na época pertencente
ainda ao Estado do Pará.
Clímaco Bueno Aza converteu-se no interior de Belém,
PA, no ano de 1913. Tornou-se ativo colportor (vendedor de bíblias)
e excelente Evangelista. Sentiu tão claramente a chamada para
o trabalho evangélico que deixou os negócios particulares
e se dedicou inteiramente à obra de Deus.
Em 1916, contraiu matrimônio com Júlia de Lima Galvão.
Em seguida, foram para a cidade de Bragança, PA, onde fundaram
uma congregação e construíram um templo. Iniciou
trabalho em Igarapé-Assu, Benevides, Capanema, Timboteua e
Peixe-Boi.
No dia 26 de junho de 1916, Clímaco veio a Macapá,
sofrendo grande perseguição religiosa por parte do pároco
da época, Julio Maria Lombaerd. Foi preso e somente foi colocado
em liberdade por intervenção de pessoas influentes da
cidade, dentre elas um comerciante judeu de nome Leão Zagury.
No final do mesmo ano regressou numa segunda viagem, com muito mais
determinação e nesta segunda visita, sem haver incidentes,
deixou algumas pessoas interessadas pelo evangelho.
O privilégio de ser usado por Deus para estabelecer o trabalho
em Macapá, pertence ao Evangelista José de Matos, que
já percorrera várias cidades anunciando o evangelho.
Chegou a esta localidade, com o objetivo de fixar uma congregação.
Assim, em 27 de junho de 1917 foi fundada o primeiro movimento protestante-evangélico-pentecostal
em terras tucujú, A ASSEMBLÉIA DE DEUS, com a presença
de seis pessoas.
O trabalho nascente prosseguiu com muita dificuldade, uma vez que
a igreja dependia de envio de pastores da igreja em Belém do
Pará.
Os primeiros pastores que aqui se fixaram foram FLÁVIO MONTEIRO
e depois JOÃO ALVES. Estes construíram a primeira congregação
(de madeira) e casa pastoral (atrás).
Com a transformação do Amapá em Território
Federal, assumiu a igreja, em 1º de abril de 1948, o Pastor DEOCLECIANO
CABRALZINHO DE ASSIS, a quem coube organizar a igreja para os novos
tempos, construindo o primeiro templo de alvenaria.
DEOCLECIANO CABRALZINHO DE ASSIS nasceu em Belém-PA, a 24
de outubro de 1891. Filho de Antônio de Assis e Antera Assis.
Casou com Filonila Ribeiro de Assis, também natural de Belém-PA,
nascida a 18 de fevereiro de 1904 e filha de Armando Ribeiro e Júnia
Cunha Ribeiro. Ele tinha curso superior e era comerciante e empresário
bem sucedido em Bragança, deixando tudo para se dedicar ao
Pastorado. Ela tinha o equivalente ao 2º grau e dedicou-se ao
lar. Desta união resultaram nove filhos: Milton, Rubenita,
Josias, Ezequias, Sillas, Sara, Ruth, Débora e Abraão.
Morreu em 05 de maio de 1972, em Belém do Pará.
Alguns familiares deste Pastor ainda moram em Macapá, como
é o caso do jornalista Silas Júnior.
A igreja continuou sua marcha e teve ainda os pastores JOSÉ
PINTO DE MENEZES, VICENTE REGO BARROS E ANANIAS GOMES. Ressalte-se
que foi na gestão de VICENTE REGO BARROS que a igreja começou
a ser espalhada pelo interior do Amapá.
Porém, o mérito da expansão e crescimento da
Assembléia de Deus se deve ao "Apóstolo do Norte”,
OTONIEL ALVES DE ALENCAR, que assumiu o pastorado de Macapá
em 28 de novembro de 1962.
Nos 32 anos de profícuo ministério, realizou uma obra
ministerial sem precedentes. Com apenas 45 anos, o Pr. OtonieI estava
cônscio da grande responsabilidade que recebia em seus ombros.
Todo ministério o abraçava calorosamente, dando-lhe
integral apoio na grande tarefa que Deus lhe confiara.
Organizou departamentos, criou a Convenção de Ministros
e trabalhou incansavelmente até sua partida em abril de 1994.
O trabalho do Pastor Otoniel sempre foi reconhecido pelas autoridades
locais, que o tinham em grande estima.
Reconhecemos também o trabalho de diversos e renomados servos
de Deus que, no lapso desses 91 anos, pregaram o Evangelho, fazendo
crescer a denominação, todos preocupadas em levar o
Evangelho, que liberta da escravidão do pecado centenas de
milhares de pessoas, não somente no Amapá e no Brasil
mas também em diversos países.
Hoje a condução da igreja em Macapá está
nas mãos do Rev. Dr. Oton Miranda de Alencar, que em quatorze
anos alargou fronteiras e alcançou toda a Macapá com
o evangelho, sendo que a denominação já ultrapassou
130 congregações.
A assembléia de Deus acolhe a todas as classes sociais, dá
sentido e impulsiona o processo de conversão no qual se valoriza
a individualidade.
É oportuno enfatizar que a Igreja fundada por Daniel Berg
e Gunnar Vingren tem, entre os seus milhões de fiéis,
muitas centenas, talvez milhares, que foram resgatados da marginalidade
pela mensagem poderosa e libertadora do Evangelho de Nosso Senhor
Jesus Cristo.
Nenhum programa de governo jamais alcançou, nem de longe,
tantos desajustados sociais, alcoólatras, dependentes do tabaco,
da maconha ou da cocaína.
A Assembléia de Deus, que não fica à mercê
do Poder Público, sempre trabalhou incansavelmente na recuperação
de vidas. Inúmeras creches, obras sociais e escolas são
mantidas pela própria comunidade evangélica.
Registramos, por entender oportuno, o grande trabalho que realiza
em nível Estadual o Pastor Lucifrancis Tavares, Presidente
da CEMEADAP (Convenção Estadual e Ministros da Assembléia
de Deus) e a nível nacional o Pastor José Welington
Bezerra da Costa, Presidente da Convenção Geral das
Assembléias de Deus do Brasil.
Além do extraordinário trabalho social, a maior realização
da Igreja Evangélica Assembléia de Deus é a transformação
de vidas, a evangelização de uma pessoa muitas vezes
marginalizada, destituída de valores íntimos, transformando-a,
por meio da pregação da palavra de Deus, em uma pessoa
de respeito, em um bom cidadão brasileiro. Tudo isso graças
ao trabalho ungido pelo Espírito Santo de Deus.
Não apenas no aspecto social e de transformação
de vidas, como também no aspecto histórico, somos os
pioneiros na maior transformação realizada através
da evangelização neste País.
Nós, os evangélicos, podemos afirmar que fomos os primeiros
a levar a Bíblia Sagrada para o meio do povo. É um trabalho
inestimável!
Deve-se à Assembléia de Deus a “popularização”
do evangelho uma vez que prioriza e incentiva o trabalho evangelístico
realizado pelos próprios membros da comunidade onde está
inserida.
Somos também os pioneiros na evangelização objetiva,
em um linguajar claro, simples e em Língua Portuguesa. Em nossos
cultos, louva-se, glorifica-se e canta-se a Deus e todas as pessoas
que entram no recinto e participam daquela cerimônia litúrgica
evangélica, saem dali sabendo o que foi realizado. Fizemos
escola.
Temos hoje no Brasil, graças a Deus, em várias denominações
e em várias casas de oração, cultos parecidos
com os que foram instituídos pela Assembléia de Deus,
com louvores, com acordeões, com gaitas, com violões
e com aquele famoso Aleluia! que assustava muitos e que, atualmente,
tomou conta dos estádios e das igrejas.
Hoje, as autoridades que participam conosco das cerimônias
repetem Aleluia! Glória a Deus e a Paz do Senhor!
Autores: Besaliel Rodrigues e Heraldo Costa