Congresso presta homenagem a libertador cubano

Brasília, 01/07/2008 - O Congresso Nacional recebeu hoje, 01, parlamentares cubanos em comemoração aos 155 anos de nascimento de José Martí (1853-1895), mártir da independência cubana, quando a ilha deixou de ser colônia espanhola. O presidente da Assembléia Nacional do Poder Popular de Cuba, deputado Ricardo Alarcon de Quesada, foi recebido pelo presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, no Salão Nobre, e logo depois pelo presidente do Senado Federal, Garibaldi Alves. Às 10 horas, uma sessão solene do Congresso, no plenário do Senado, homenageou José Marti, chamado de “apóstolo” pelo povo cubano.

Liberdade - A deputada federal Janete Capiberibe (PSB/AP) afirmou que “o Partido Socialista Brasileiro é amigo de 1ª hora do governo e do povo cubano” e destacou sua alegria de receber no Congresso Nacional brasileiro os parlamentares cubanos. A socialista ressaltou o legado de José Martí para todos aqueles que não se submetem ao imperialismo, seja ele de qual nação for, e estendeu a homenagem a “Fidel Castro e Che Guevara, que libertaram Cuba do jugo norte-americano”. Destacou que a revolução cubana foi inspirada nos escritos de José Marti. Janete Capiberibe ressaltou a importância das lutas dos “Camilos” pela liberdade dos povos e por justiça social, num referência direta ao também revolucionário cubano Camilo Cienfuegos. A deputada socialista viajou à ilha ano passado. “Não há um Fidel, ou um Che. Cada cubano é um Fidel e um Che em defesa do socialismo, da revolução”, afirmou.

Revolução - Os parlamentares protestaram contra o embargo econômico imposto pelos Estados Unidos da América à Cuba, desde a revolução socialista, em 1959, além das sanções políticas à ilha, como, por exemplo, a prisão ilegal de cinco cubanos condenados nos EUA à prisão perpétua acusados de prática de terrorismo sem que houvesse qualquer prova e apesar de manifestações contrárias de tribunais norte-americanos. O deputado federal Adão Pretto (PT/RS) lembrou que uma das primeiras medidas tomadas pela revolução foi a realização da reforma agrária, que permitiu o acesso do povo aos meios de produção, que promove a igualdade social por conta da produção coletiva. Pretto ironizou a acusação de que Cuba seja uma ditadura: “Que maravilha se o mundo vivesse uma ditadura como Cuba. Não vi crianças descalças, nem fora da escola. Não há miséria e os avanços em saúde dão inveja a muitos países ricos”.

Muro - O senador Eduardo Suplicy disse que todos os partidos do Senado Federal aguardam o fim do embargo a Cuba e considerou contraditório que os Estados Unidos defendam o livre comércio e trânsito de mercadorias, mas proíbam o acesso dos seres humanos, como na fronteira murada com o México, que os isola da América Latina, e pelo embargo a Cuba. “Contradiz o bom senso que um país tenha a Estátua da Liberdade e tenha muros que o separam da América Latina e o embargo a Cuba”.

Agradecido pela homenagem, o presidente Quesada destacou que esse é o melhor momento na relação entre os governos brasileiro e cubano em todos os tempos e lamentou as agressões sofridas pelo “meu pequeno país”, principalmente por conta do embargo e de acusações feitas pelos EUA.

Às 15 horas, um ato político inaugurou a exposição de fotografias de Cuba e poemas de José Martí, no corredor de acesso ao plenário. A exposição poderá ser vista até sexta-feira, 4. Os eventos são organizados pelo Grupo Parlamentar Brasil-Cuba. Integram a delegação cubana o presidente da Assembléia Nacional do Poder Popular de Cuba, Ricardo Alarcón de Quesada; o presidente do Grupo Parlamentar Cuba-Brasil, José Luis Fernandez Yero; a deputada Yenielys Regueiferos Linares; e os assessores Miguel Alvarez Sanchez e Vitor Leyva Blanco.


Deputada Janete Capiberibe cumprimenta o presidente
do parlamento cubano Ricardo Alarcón de Quesada

rédito: André Abrahão

Texto: Sizan Luis Esberci