Pnud: 27% saem da pobreza nas áreas urbanas do país em dez anos
O Globo
18/7/2007

Mulheres e desempregados são os mais afetados, afirma relatório

Um estudo do Centro Internacional de Pobreza, vinculado ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), constatou que 27% da população mais pobre das áreas urbanas do Brasil conseguiu deixar a situação de pobreza num período de dez anos, entre 1993 a 2003. O levantamento revela que os que vivem na situação de pobreza crônica são negros, menos escolarizados, trabalhadores informais e também a população do Nordeste.

O relatório dividiu a população urbana em 180 grupos, de acordo com idade, sexo, cor e escolaridade nas cinco regiões do país. O texto "Distinguindo a pobreza crônica da transitória no Brasil" afirma que a pobreza está concentrada entre mulheres e nos domicílios chefiados por pessoas desempregadas.

Mais idosos têm menos chances de serem pobres

A partir da divisão dos grupos selecionados para a pesquisa, foram estimadas probabilidades desses indivíduos continuarem na pobreza ou se tornarem pobres com o passar do tempo. O estudo mostra que 73% dessa população se mantiveram na situação de pobreza crônica. O documento classifica condição de pobreza transitória quando há um choque na renda da família - quando o desemprego atinge os familiares por um ano e, depois de algum tempo, alguém da família consegue trabalho. A pobreza crônica é quando esse período se estende para dois ou três anos.

O estudo considerou pobres os grupos que têm rendimentos abaixo de 60% da renda per capita média domiciliar. Essa renda média era de R$130 em 1997 e de R$120 em 2002. O documento constatou também que os mais idosos têm menos chances de ser cronicamente pobres, de permanecer na pobreza e de tornaram-se pobres.

Grupos com ensino médio ou superior têm 15% menos chance de permanecer pobres. Os pesquisadores concluíram também que a pobreza é maior no Nordeste porque naquela região as pessoas têm maior probabilidade de nascerem pobres.