De quantos Renans
é feito o Senado?

Mendonça Neto
(www.extralagoas.com.br)

"O cínico é o homem que sabe o preço de todas as coisas e ignora o valor de qualquer uma delas".
Oscar Wilde

Diante do constrangimento da sociedade brasileira com as sucessivas quebras de decoro parlamentar pelo senador Renan Calheiros, tendo ao fundo o provável crime de enriquecimento ilícito, e estando os Senadores abandonando Brasília, interrompendo as investigações, tirando férias da crise gravíssima, que não sabem ou não querem resolver, eu me pergunto e pergunto aos brasileiros: De quantos renans é feito o Senado da República? Quantos tão levianos, quantos tão cínicos, quantos tão criminosos como ele, que, como um psicopata, ignora os fatos que o cercam e finge ser inocente, às custas do erário, sentado numa cadeira que deslustra, desonra e enlameia? Tricotando pequenos favores aos senadores, como abutres caçam restos de tragédias e saqueiam cadáveres morais, em proveito pessoal.

Um trêfego senador de Sergipe, defensor do criminoso, foi a tribuna para dizer que não busca a glória fácil, tanto que está do lado contrário ao da imprensa e do povo brasileiro. Ou seja, ele prefere ser contra o povo, porque esta posição pusilânime lhe dá alguma notoriedade e dez minutos de fama. Ilude-se, porém, o pseudo representante sergipano, porque seu nome tem sido alvo de galhofa pela defesa desastrada que fez do colega criminoso, ao informar ao Conselho de Ética, por burrice, que o advogado de Renan, havia proposto um pagamento "por fora" da pensão da amante, já que NÃO PODIA JUSTIFICAR QUALQUER RENDA ACIMA DO SUBSIDIO DE SENADOR. Quando a frase reveladora é de autoria do advogado de Renan, doutor Ferrão, que não se perca pelo nome. E pelas ferroadas de seu cliente no vasto campo das improbidades.

Depois, tendo que faze-lo, o senador dos bois que procriam à jato, ele próprio descobriu fazendas que tinha escondidas da Receita Federal, e de bois que nunca tinham mugido na sua declaração de bens. De repente, surgiu um homem rico, de rebanhos milionários, para pagar quase 17 mil reais à amante, mais do que o subsídio bruto que recebe do Senado, mais de 50 salários mínimos, certamente um "pouco mais" do que ele paga a todos os boiadeiros que cuidam do seus preciosos gados de reprodução instantânea. Renan mente com descaro. E encontra no Senado alguns biltres que o defendem e tentam avalizar suas mentiras, porque são, Renan e eles, farinha do mesmo saco. Eles e Renan são pares na violação de conduta. No crime.

Agora, parece, que o senador criminoso não acredita mais em absolvição no Conselho de Ética e está "cabalando" votos de plenário para escapar da cassação do mandato. Quem serão os cúmplices senadores que, ignorando o veredicto popular e a verdade, terão o desplante de votar a favor do crime e contra a sociedade? É preciso, em primeiro lugar, que o voto seja aberto e nunca secreto, porque os meio homens que bordejam as cadeiras senatoriais costumam gostar de ser em privado o que não tem coragem de ser à luz do dia. Morcegos que se escondem no breu de cabines secretas para o abjeto exercício da indignidade e da covardia. Os chupa sangue da vida política brasileira. E são muitos.
Depois, precisamos estar atentos, a cada palavra de cada senador e, no dia da votação, de seu voto, para empreendermos uma campanha nacional que culmine na sua expulsão da vida pública, caso prove, pelo voto, que é cúmplice de Renan. Se mantiverem o voto secreto, que cada senador decente proclame seu voto da tribuna. E fique atento, porque Renan é capaz de violar o sigilo do painel.

O Brasil está cansado de canalhas com carteiras parlamentares. Metade da Câmara sub judice de crimes variados, senadores com medo de terem seus crimes revelados por Renan, que, estou certo, jogará lama por toda parte no desespero de quem conhece sua própria e extensa indignidade. E que sem o poder, será apenas um réprobo no ostracismo, com suas notórias cabeças de gado, seus casos extra conjugais e seus dinheiros de origem criminosa, mas só, inteiramente só, um pária político, de quem ninguém, nenhum homem decente ,quererá aproximar-se.

Vendo-se encurralado pelo povo e pela fúria das ruas, que quer fazer justiça em nome de uma democracia dilapidada por tantos farsantes, Renan usará o recesso para tentar "domesticar" ou chantagear os senadores, no desespero de quem sabe os crimes que cometeu contra a instituição do Senado e a decência política. Para isso, faz favores na presidência que usurpa, como dar gabinetes de luxo, oferecer viagens, mimos de quem pode fazê-lo, tendo atrás de si poderosas emprei-teiras,um exército de "laranjas" dóceis, de rabo preso, e, ainda a caneta de Presidente do Senado, que ele manipulará até o último momento.

Somente um homem inteiramente destituído do sentimento de honra e de pundonor, teria o desplante de colar-se na cadeira de Presidente do Congresso, diante da rejeição pública da maioria, e, não sentir vergonha do que faz. Não pedir perdão ao povo, ao parlamento e aos que ofendeu com a vileza de seu comportamento lastimável.

Até alguns recalcitrantes, que propunham sua renúncia ao comando do Senado, diante do descaramento de Renan, tem dito aos íntimos que votarão pela cassação de seu mandato. Estou convencido que Renan será cassado por maioria avassaladora de votos. Não se trata de "caça as bruxas", como dizem alguns, defendendo-se da postura ignominiosa que tem. Trata-se de indignação e, quase, se me permitem, nojo. A mim, como cidadão, causa profunda mágoa, diante de um povo carente como o de Alagoas, em sub empregos, passando privações de toda ordem, ter que aturar a humilhação com que Renan compromete nosso Estado. Alagoas sofridas, de tantas pechas que não merece como povo.

E povo vítima dos políticos bandidos. Eles não são Hobin Hoods, não roubam para o povo, mas para se locupletar, encher as burras de dinheiro ilícito, manchado pela origem de negociatas, extorsão e crimes. Eles não tem uma causa mas sim vítimas de suas investidas anti éticas: o povo e o dinheiro público,num botim sistemático e safardana.

Verdadeiras quadrilhas que tentam dominar o Congresso Nacional e o próprio governo da República, neste apagão de decência que se vê de norte a sul, em todos os partidos.
Se Lula ficou triste com a vaia (merecida), ainda mais, e muitíssimo, fica triste a nação e fica triste seu povo, esmagados pela desonestidade triunfante e soberba, que, antes era servida pelos cantos, envergonhada, com uma réstia de pudor na conduta. Mas agora, ao revés, é posta na mesa da sala de estar, nos banquetes, nas falas presidenciais e nas tribunas do Congresso. Fica triste o Brasil esmagado pelas patas de um Estado carcomido pela demagogia infrene, pela desonestidade triunfante e pela esperteza reles.

A classe política é esta choldra de ignorantes armados de petulância, de songamonguice, como vendedores de ilusões e fazedores de revolta e desesperança. Quem liga a tv Câmara ou a tv Senado, todo santo dia, como eu, por dever de ofício, pode ver e ouvir a mediocridade exposta, os discursos balofos e emproados de falsa cultura, uma vasta plantação de cultura inútil e de falta de amor ao país e ao seu povo.Dezenas de espertalhões que querem fazer do Brasil, do eleitor, do cidadão, um amontoado de paspalhos a lhes encher as panças corrompidas.E ter que aturar sua bazófia, sua conversa fiada e seus espasmos de parlapatice e histrionismo de quinta categoria. Atropelando a língua portuguesa e espancando a verdade.

Gerardo de Mello Mourão, escritor, homem decente, recentemente falecido, dizia, tratando da famigerada República de Alagoas de Paulo César Farias, e em defesa do Estado: "As minhas Alagoas são outras". E falava de um pequeno e bravo Estado, exportador de cultura, com seus filhos em destaque no romance, na poesia, no direito, no esporte e na arte.
Um povo que plantou com os quilombos a chama da liberdade e da República, um povo martirizado, mas que resiste, apesar de todas as armadilhas do destino. Não é fácil, brasileiros, viver em Alagoas, onde o crime político domina a classe dirigente e o empresariado dócil e esperto, dócil porque esperto, e esperto porque lucra com a miséria do Estado, enriquece mais cada vez que o povo empobrece.

Não é fácil ter brios, numa terra de caciques violentos e corruptos, de renans de todos os tamanhos. Como este minúsculo senador que tantas vezes processou este jornal, para calá-lo e não o conseguiu, porque, exceção á regra geral de subserviência, o EXTRA não se dobrou à seu talante e à sua "vontade imperial". Resiste, e resiste bem, com o apoio e a solidariedade dos que pensam como nós, em Alagoas, no Brasil e no exterior.
Para nós não há recesso, nesta luta de David contra Golias. Deste gigante de barro, que se pensava acima das leis e do julgamento popular e da verdade, com sonhos delirantes de comprar sem honra o que não pode conquistar com valor e merecimento, e esquecido da velha expressão popular que diz, sabiamente: "A ladeira que sobe é a mesma ladeira que desce".

Quem diz fora Renan não sou só eu. É a maioria esmagadora do povo brasileiro. Cansado de tanta sordidez na vida pública do Brasil.