Uma boa pergunta
Édi Prado -20/06/07

A edição de ontem do Leia Agora, em matéria assinada por Gabriel Penha, colocou os deputados federais na berlinda e juntos ficam também os senadores e deputados estaduais. Afinal esses olham para os vereadores com olhar de superioridade, como se fossem somente eles os representantes do povo. Mas os vereadores dessa safra estão bem mais sintonizados e mais atuantes que o alto clero político. Pelo menos a cara, a roupa, a higiene e a organização do Poder Mirim, mudaram e estão mudando para melhor. E essa mudança é visível. Tanto na estrutura física do prédio, quanto em atuação parlamentar. Diz o velho deitado que só beleza não põe mesa. Quem são os nossos parlamentares? As enquêtes revelam que grande parte do eleitor, nem lembra em quem votou. Mas como e porque não sabem quem são os eleitos e nem lembram o nome deles?

Porque o voto é obrigatório e vota-se na cola induzida ou repete um nome e um número que vai na “colhinha impressa” do eleitor? Essa constatação de que o eleitor nem lembra em quem votou revela um candidato (a) sem importância e que não aprenderam que o voto é uma ferramenta de mudanças. Mas ficam elas por elas. Os eleitos não lembram também o nome do cabo, sargento e do tenente eleitoral deles, mesmos. Façam um teste. Perguntem para 10 pessoas os nomes dos parlamentares amapaenses Mas perguntem uma categoria por vez. Será muita crueldade querer que o eleitor saiba o nome de todos. Assim não vale. E vocês vão descobrir que de 10 entrevistados, apenas um vai enumerar o parlamento federal e estadual pela metade. Faça você mesmo o teste no seu trabalho, na sua rua, nos clubes, nas escolas, na parada ônibus e em qualquer lugar. Mas faça o teste e não se surpreenda com o resultado.

Mas porque os parlamentares são esquecidos? Ou porque não justificam a lembrança, por omissão ou porque a assessoria de comunicação é péssima ou não tem o que dizer? Na reportagem do Leia Agora, todos os parlamentares “localizados” falam que fazem isso, aquilo e aquilo e outro. Mas será que só eles sabem o que estão fazendo? E onde está este “fazer” que ninguém vê? Mas se eles são os nossos representantes, porque não nos prestam conta da atuação deles? Por timidez? Excesso de humildade? Essas virtudes não constam no manual do político.

E quando um tema é polêmico e que vai causar desgraça ou desmantelar sonhos e projetos de muita gente, todos se arvoram em dizer que estão se empenhando. Vide o caso dos 1050 servidores públicos federais, ameaçados de serem demitidos quando já se aproximam da aposentadoria. Todos estão se empenhando e lá se vão mais de 10 anos de incertezas. As BR 156 e 210 há décadas repetem o mesmo martírio e esses deputados dizem que trazem recursos e nunca acaba essa tormenta? Para onde vão tantos recursos, minha gente? E agora a moda é a privatização da CEA. Os parlamentares estão unidos pela mesma causa e a ANEEL já lacrou e selou o destino da empresa. Mas que empenho e integração são esses que os problemas se arrastam há décadas e vão ficando cada vez mais desesperador? Tem alguma coisa errada aí. A CEA está falida e não tem remédio. E vão continuar nos alimentando com farelos de esperanças debaixo de um vendaval seguido de tempestade?

Está explicado, porque quase todo mundo esquece o nome do político que votou na eleição passada. Tanto faz como tanto fez. Nada muda se cada um de nós não mudar, para mudar este quadro de incertezas. O povo do Amapá está se doutorando em sofrimento e ainda não aprendeu a votar?