Audiência pública debate
precariedade
do turismo Estado

Uma audiência pública promoveu o debate entre órgãos governamentais e da sociedade civil, assim como empresários da área, em relação ao atual quadro do setor turístico no Amapá. O evento promovido pela Assembléia Legislativa a pedido do deputado estadual Manoel Brasil (PMN), constatou o que praticamente todos os debatedores têm conhecimento: ausência de políticas públicas destinadas ao aprimoramento do setor.

O deputado Brasil disse que a economia do Amapá vive no esquema do contracheque, e relatou a falta de vontade política em trazer o Linhão de Tucuruí para o Amapá, o que, segundo ele, ajudaria consideravelmente no desenvolvimento do Turismo. “É uma vergonha. A infra-estrutura do Turismo no Estado é precária, e para que se resolva precisa apenas de articulação, de políticas públicas para o Turismo. O Amapá possui grande vocação para se desenvolver economicamente através deste setor”.

O professor Ivan Pacheco, representando os bacharéis em Turismo, afirmou que o setor é um elo de ligação para o desenvolvimento econômico do Amapá, e que pode extinguir gradativamente as desigualdades sociais, mas que para isto, “é preciso de políticas públicas eficientes que trabalhem a base do Turismo”. O técnico da Secretaria de Turismo, José Paixão, apresentou a estrutura organizacional do órgão governamental, que é formada por cinco departamentos que formulam e elaboram as diretrizes turísticas do estado, e 49 servidores distribuídos numa equipe multidisciplinar. A Secretaria está veiculada à Secretaria Especial de Desenvolvimento Econômico.

As prioridades são basicamente a conservação, valorização e agregação de valor ao patrimônio natural e cultural. Obras como o novo aeroporto internacional (com suspeitas de superfaturamento), asfaltamento da BR-156, e da AP-070 e a ponte Binacional ligando o Brasil a Guiana Francesa, e projetos como o Centro de Convenção do Meio do Mundo, projeto Píer do Santa Inês, urbanização da Orla de Oiapoque, fazem parte do pacote de novos direcionamentos turísticos no estado cujo valor global atinge R$46,5 milhões.

O deputado socialista Camilo Capiberibe criticou a falta de objetividade o que não permite observar políticas públicas concretas para o setor do turismo amapaense. “Por que não podemos vislumbrar em nosso estado uma estrutura para que o turista seja recebido decentemente? Infelizmente, não consigo entender para onde estão direcionando o setor, e gostaria de saber o que se pretende fazer com os projetos que este governo herdou prontos ou quase prontos como o Hotel Escola Bosque o qual que já passou cinco anos abandonado, e o Centro de Cultura Negra sem a visibilidade que possuía antigamente”.

O parlamentar Ruy Smith (PSB), falou aos representantes do setor que a bancada oposicionista fará uma emenda para o setor privado do turismo, “mas tenho sérias duvidas se passará, porque aqui o diálogo é extenso, mas pouco se cumpre, porque a maioria dos deputados possuem dependência explicita em relação ao governo, priorizando os seus interesses. Na época da campanha eleitoral, houve um debate promovido pela classe turística do Amapá, em que foram convidados todos os candidatos ao Governo do Amapá, e o único a não comparecer foi o governador Waldez, o que demonstra o seu real interesse pelo setor”.

Camilo Capiberibe ainda sustentou que a política de turismo no Amapá já foi mais clara, e deu como exemplo que “todo o projeto de revitalização da Fortaleza de São José de Macapá executado em três etapas - parte interna, jardim dos ‘telletubies’ e lugar bonito - foi idealizado no Governo do PSB e aprovado pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional)". Camilo Capiberibe concluiu afirmando que "o que peço realmente é mais ação, capacidade e eficiência do governador Waldez Góes". O deputado da base governista Eider Pena (PDT), concordou com Capiberibe. “Como vamos apresentar o Amapá ao turista, começando pelas ‘belas’ ruas de Macapá? Como se vai discutir turismo se o plano diretor permite a construção de hotéis com apenas quatro pavimentos? O deputado Camilo tem razão em criticar, porque nós queremos aplicabilidade concreta no turismo”. Roneri Silva, do Instituto Equinócio de Pesquisa e Turismo (IEPTUR), disse que faltam políticas eficazes para o desenvolvimento do Turismo no Amapá, e ainda criticou afirmando que a “Lei de Incentivo à Cultura não funciona”.

Governo Waldez Góes quer privatizar patrimônio turístico do povo amapaense

A secretária de Estado do Turismo, Deuseni Souza deixou clara a intenção do Governo do PDT em privatizar obras do setor turístico do estado do Amapá, como o próprio Hotel-Escola Bosque e o Bondinho do Trapiche Eliezer Levy. “Na gestão anterior (Governo PSB), foi implementado o Bondinho com um sistema eletrônico que é único e que vem trazendo muitas dificuldades para a Secretaria. A finalidade agora é reformá-lo, assim como todo o Trapiche para posteriormente passar sua gestão à iniciativa privada. Visitamos o Hotel Escola Bosque que é realmente uma grande infra-estrutura de turismo, e a leitura que fizemos é que não é papel do estado administrar o hotel”.

Em questão de ordem levantada pelo deputado Camilo Capiberibe este esclareceu que não se trata de um simples hotel, mas de um hotel-escola para formar mão de obra qualificada e receber turistas do mundo todo em pleno arquipélago do Bailique. A secretária terminou confirmando indiretamente que o Hotel foi abandonado pelo Governo do PDT, e que a verba repassada para o órgão que administra não é suficiente para elevar o turismo. “Fizemos levantamento da necessidade da reforma, os quiosques atrás estão realmente depredados. A exigência - feita pelo governo federal que financiou a obra através do Proecotur - é que o hotel realmente funcione como um hotel-escola, se não fosse isso a iniciativa privada já tinha assumido.

“Nós temos um repasse mensal de R$ 1,6 milhão, o que é muito parco para nossas intenções”. Camilo Capiberibe esclareceu que no governo do PSB quando a Secretaria de Turismo ainda era um Departamento, o orçamento anual era de cerca de R$ 3 milhões, R$1,5 milhões maior do que o orçamento que será executado este ano o que, segundo ele, demonstraria a falta de compromisso do governo do PDT com o setor.

Deputado do PMDB chama Hotel-Escola Bosque do Bailique de "Megalomania".

O deputado Dalto Martins (PMDB), na discussão levantada pelo socialista Camilo Capiberibe sobre o abandono de obras voltadas ao setor turístico, erigidas pelo Governo PSB, afirmou que foi “tudo uma megalomania”. “O trapiche ficou sem beleza, não tem função nenhuma. Outro projeto é o elaborado no distrito do Bailique, que segundo Martins possuiria "o maior preço de metro quadrado num hotel que não tem utilidade nenhuma".

O líder do PSB na Casa, deputado Ruy Smith, rebateu as críticas do parlamentar, que se ausentou no meio da audiência pública, afirmando que “as besteiras que o deputado Dalto disse não condizem com a realidade. Ele afirma que nosso trapiche é inútil, mas há setores do turismo que confirmam que é uma obra que traz retorno. Ele também enfatizou que o metro quadrado no Hotel Escola Bosque do Bailique é o mais caro. Ocorre que o deputado não sabe do que está falando, pois ele é medico e eu sou engenheiro, de obra ele não entende nada”.