Não poderia ser mais complicado?
Édi Prado- 03.07.07

Uma rebelião na penitenciária. Foi um sururu dos capetas. Houve estocada farta. Pegaram um monitor e judiaram com bicudas, socos, ponta pé. Ele teve um saldo de 22 pontos no corpo dele. Depois da chegada do “choque” 22 foram presos dentro da penitenciária. Os presos foram presos. Que coisa, hein?

Aí começa o drama. Os detentos envolvidos no porradal foram presos e conduzidos para o CIOSP do Pacoval, para que o delegado abrisse o inquérito e os mandasse de volta para a penitenciária, com mais agravantes na ficha criminal de cada um.

Que interessante! Os presos, detentos que saem da penitenciária para ir a uma delegacia para o delegado ouvir um por um, contar como começou o porradal. E depois recambiar todos de volta para a penitenciária. É uma operação e tanto. Trazer o ônibus, convocar escolta especial, carros “abre alas”, escolta da escolta, helicóptero, cães farejadores, guardas de trânsito para abrir o caminho, a televisão, falta à televisão, liga para a televisão e para as emissoras de rádio. Câmera, luzes e reação. Começa o cortejo. Sirenes ligadas. Os detentos se esmeram para mostrar o rosto e fazer “sinal” para os passantes e para as câmeras. Lá dentro do ônibus reinicia outro porradal. E deixa isso pra lá que a polícia não é de ferro.

A delegacia fica lotada, com a chegada de outros presos que estão se inscrevendo para ir para a penitenciária. Misturam tudo. Ninguém mais sabe quem é da penitenciária e quem não quer ir pra lá. Uns tentam negociar a troca, trocando de roupa. É uma confusão. O delegado não sabe o que fazer e tenta chamar outro delegado, que não pode ir porque a delegacia dele está lotada. E nisso a delegacia vai virando um arraial: - Vai um chopão aí? Quer um sacolé dos pretos ou dos branquinhos? Tem chá de erva para amenizar o calor. Tem do meladinho e a mesclado. Um agente flagrou um picolezeiro incluindo fita de serra entre as guloseimas. Prende o picolezeiro e vai atrás do ladrão que roubou o carrinho do picolezeiro.

Os repórteres policiais faziam à festa. Repórter policial? É um agente infiltrado na imprensa? Sei lá, é assim que eles se identificam. E clica daqui, dacolá, filma aquele, entrevista aquele outro... É hora de voltar para a cela. Para casa. E aí começa o circo novamente. Batedor na frente, escolta escoltando escolta, aciona o helicóptero, recolhe os cães e alertem os guardas de trânsito. Tudo pronto. Começar o cortejo.

Não é um dia diferente? E ainda tem gente querendo acabar com essa farra. Estão propondo implantar uma delegacia dentro da penitenciária para descomplicar e acabar com toda essa operação. Mas que coisa despropositada. Mas isso não pode. A lei não permite. Tem que ser assim porque sempre foi assim e será assim sempre. Defendia com bravura um delegado e um agente penitenciário.

Uma enquête realizada entre os familiares dos detentos aponta que assim é melhor, porque eles saem para passear, pegar um pouco de ar puro. Para os mais severos, isso tem que acabar porque é mais uma forma de ganhar extras para fazer o que deveriam estar fazendo, porque são pagos para fazer pelo que recebem para fazer? E eu nessa pasmacenta opinião: Para quê descomplicar. Está tão bom assim. Querem acabar com os passeios dos detentos?