A Micareta e a Beija Flor

Já tendo sentado a poeira do o carnaval fora de época amapaense, gostaria de dizer o seguinte: - Por questões particulares e financeiras nunca participei de uma micareta. Porém, devo reconhecer que a idéia de fazer um carnaval fora de época às margens do rio Amazonas foi brilhante do ponto de vista do marketing. Levando-se em consideração o espaço físico, tínhamos um dos melhores corredores do Brasil. Então por que o mesmo foi interditado? As explicações dadas não me convenceram. Dizer que a orla ia desabar; que o Meio Ambiente estava sendo agredido; que as pessoas das redondezas seriam afetadas no seu descanso noturno, é puro provincianismo, devaneio jurídico e burrice política.

O muro da orla cai porque o serviço ali foi mal executado. Meio Ambiente agredido? E as toneladas de dejetos sem tratamento lançadas ao rio diariamente? As agressões que sofrem nossas ressacas a cada campanha política? Também não afetam nossos biomas? Perturbação do sossego? Ora quem mora no espaço urbano é sabedor de que em alguns momentos sofremos inconvenientes necessários na vida da cidade. Espaço urbano é isso mesmo. Como invenção da modernidade é o ambiente político social por onde passa a Marcha para Jesus e logo atrás vem a Parada Gay.

Não sou da área do turismo mais faço uma pergunta: - O que traria mais turistas à Macapá, o financiamento da Beija Flor ou a micareta na orla da cidade? Antes de se preocupar em embelezar a festa dos outros os “iluminados” da Prefeitura, que andaram condecorando carnavalescos cariocas no circuito do Marabaixo deste ano, deveriam, se é que têm competência para tanto, ultimarem estudos para que daqui há dez anos a micareta de Macapá venha a ser uma das maiores do Brasil.

Se isso vier acontecer, não tenho dúvida de que ganhará todo mundo. A rede hoteleira, os taxistas, os ambulantes, os empreendedores que possuem negócios na orla e principalmente a cidade que com o evento bem planejado, cumprindo a lei e respeitando os brincantes verá a cada evento o aumento dos turistas, um fluxo maior de recursos e, portanto, um aumento da arrecadação.

Aqui mesmo no Amapá temos um exemplo de evento que causa alguns inconvenientes quando da sua execução mais que é necessário: - o Carnaguari, em Ferreira Gomes. Há pouco tempo este município estava fadado ao abandono, ruas poeirentas, casebres orla do rio e quase nenhuma infra-estrutura urbana. Hoje Ferreira Gomes ainda carece de apoio, mas o Carnaguari trouxe uma identidade que a cidade não tinha, qual seja: - ser reconhecida como uma cidade turística e sua população está experimentando um ambiente social com melhor qualidade de vida.

Não custa nada prefeito João Henrique, são apenas 150 km, reúna toda sua equipe de (des)governo, vá ter uma aula com o Prefeito de Ferreira Gomes, que, aliás, é Protestante, de como potencializar o desenvolvimento de uma cidade através de um evento de cultura de massa com orientação turística.

Do jeito que está indo vai aparecer um gênio propondo que o circuito da micareta de Macapá, saia do km 50, vindo até o km 21 da BR 156, com apoteose na lixeira pública.

Prof. Gil Barbosa-RG 026.991-AP/CPF 225.919.312-91- (3241-7185/9981-0093)