Indignação

É um sentimento que nos causa revolta, ódio, raiva entre outras adjetivações que poderíamos citar, segundo o idealista e maior ícone do movimento revolucionário mundial, Ernesto Che Guevara, “se você treme de indignação perante uma injustiça no mundo, então somos companheiros”, a questão em voga é seguinte, em hipótese alguma o simples cidadão comum pode adoecer, haja vista termos um dos piores sistemas de atendimento de saúde pública do país. A corrupção na administração da coisa pública traz transtornos por vezes imperceptíveis, contudo, sentimos esses problemas de maneira mais latente quando alguém muito próximo de nós ou de pessoas ligadas ao nosso convívio social é atingida por um desses problemas causados pel a má gestão dos recursos públicos.

Nos últimos anos, temos presenciado diversas operações da Polícia Federal no Amapá, geralmente elas estão investigando corrupção na aplicação das verbas da saúde pública, tais fatos começaram a ocorrer principalmente depois que foi criada a tal “harmonia entre os poderes” em nosso Estado, sendo que aqui incluo um quarto poder, que é o da mídia local, claro que não posso de forma alguma generalizar a postura adotada por uma parcela considerável de nossa mídia que simplesmente é totalmente conivente com os absurdos que esse grupo da harmonia tem nos proporcionado com essa maquiação dos serviços essenciais à vida da população amapaense.

Vamos recordar um pouco, Operação Pororoca, investigava entre outras coisas o desvio de verbas da obra do Hospital do Câncer, Operação Antídoto I e II, lembram, algumas figuras da administração direta estavam envolvidas, eram de total confiança do atual gestor do executivo estadual. Estamos colocando em discussão esse tema para que o povo tão sofrido e enganado do Amapá reflita sobre essas questões que atingem diretamente os menos favorecidos, vejam bem, o senhor Jacinto Balieiro de mais ou menos 100 anos, necessitou da saúde pública do Amapá, no entanto, tornou-se mais uma vítima da burocracia administrativa desse Estado, devido a falta de comunicação entre dois médicos, sofreu durante 3 dias, até não mais suportar e sucumbir, ele é mais um entre tantos outros que já se foram devido a falta de compromisso com vida do próximo. Era brasileiro, cidadão e que segundo Constituição Federal em seu Art. 6º diz que todos têm direito a saúde, então, por que não a temos, porque ocorre essa má versão da coisa pública, nós não percebemos, mas quando esses recursos são desviados não temos eficiência na prestação de serviços da administração pública.

No Amapá assim como ocorre no cenário nacional, nossos atuais representantes estão pouco se importando para o bem estar da vida da maioria de nossa população, ora, o que interessa realmente é que grupo vai gestar ou se apropriar da coisa pública, prestem bastante atenção, a República brasileira transformou-se num grande negócio, de uma hora para outra nossos políticos se transformam em verdadeiros milionários, não querem saber se temos saúde, trabalho ou educação com o mínimo de qualidade e eficiência, assim como várias crianças morreram em 2006 no Hospital da Criança e nada foi feito, agora perdemos mais um cidadão o senhor Jacinto Balieiro, até quando vamos suportar e digerir tanta hipocrisia por parte de nossos representan tes, como diz Gabriel Pensador “até quando você vai ficar levando porrada, até quando você vai ficar sem fazer nada, muda...”.Devemos refletir melhor sobre as coisas da vida, principalmente na ora escolher nossos representantes, pois a melhoria na qualidade de vida de nossos amigos, conhecidos e familiares depende diretamente dessas escolhas.

Alex Gomes- Bacharel em História pela UNIFAP