Núcleo de aquicultura e pesca da Embrapa Amapá

No próximo mês deverá ser realizada a licitação para construção do Núcleo de Tecnologias Aquícolas e Pesqueiras da Embrapa Amapá. O prédio vai abrigar laboratórios para experimentos de produção de larvas, estudos de sanidade de peixes, melhoramento genético e uma minifábrica de ração para fins de pesquisas. Os recursos para a obra estão garantidos por meio de uma emenda parlamentar da deputada federal Janete Capiberibe (PSB/AP) ao Orçamento Geral da União de 2009, no valor de R$ 800 mil.

Para o chefe-geral da Embrapa Amapá, Silas Mochiutti, a iniciativa da deputada Janete Capiberibe demonstra o reconhecimento da importância da pesquisa para a geração de tecnologias que geram segurança alimentar e renda para comunidades ribeirinhas. "Desde os primeiros contatos da deputada com a Embrapa Amapá, compartilhamos a visão de desenvolvimento sustentável a longo prazo para o estado, buscando conciliar sua capacidade de articulação parlamentar com a nossa necessidade de pesquisas permanentes em aquicultura e pesca", disse Mochiutti.

Aquicultura é o cultivo de organismos aquáticos, incluindo peixes, moluscos, crustáceos e algas. Esta é uma nova linha de pesquisa da Embrapa Amapá e para implementá-la foram contratados cinco pesquisadores: Marcos Tavares Dias (sanidade de peixes), Eliane Tie Oba Yoshioka (nutrição e alimentação de peixes), Cesar Santos (bioecologia de peixes), Kárlia Dalla Santa Amaral (qualidade da água) e Jô de Farias Lima (cultivo de camarão).

A estruturação do laboratório para realizar experimentos de produção de ração para organismos aquáticos no Amapá é uma das vantagens apontadas pela pesquisadora Eliane Tie Oba Yoshioka. "A minifábrica de ração vai favorecer os estudos com vegetação regional para verificarmos se é possível usar espécies como murumuru, inajá, buriti e outras na produção de insumo alimentar para peixes de imediato e a longo prazo para camarão", acrescentou a pesquisadora. A participação em redes de pesquisas regionais e nacionais é outro benefício decorrente do laboratório de aquicultura e pesca, observa o pesquisador Marcos Tavares Dias.

Janete Capiberibe espera que o investimento de R$ 800 mil viabilize estudos voltados à recuperação e reposição dos estoques pesqueiros da foz do rio Amazonas e da costa oceânica. Ela demonstra conhecimento sobre o assunto e lembra que os alevinos (filhotes) de peixes originários da Amazônia são importados de outros estados. "Com este investimento o que todos queremos é tornar a Embrapa Amapá uma referência na região Norte em pesquisas para a atividade pesqueira na foz do Amazonas, confiando que será norteada pela diretriz da sustentabilidade socioambiental e econômica, atendendo as necessidades da biodiversidade amazônica e as populações locais".

A deputada esteve na Embrapa Amapá duas vezes em 2008, quando conheceu as instalações dos laboratórios e conversou com alguns empregados. Em maio deste ano, ela solicitou ao Ministério da Pesca e Aquicultura empenho para que o Governo Federal liberasse os recursos que representam investimento de longo prazo e com benefício direto ao desenvolvimento sustentável do Amapá. "Como este investimento na Embrapa Amapá resultará em outras ações de longo prazo, estou reservando outros R$ 500 mil das minhas emendas ao Orçamento da União de 2010 para dar sequência à pesquisa na área de aquicultura e pesca", afirmou a deputada.

O investimento da Embrapa em um Núcleo de Tecnologias Aquícolas e Pesqueiras no Amapá justifica-se pela própria dinâmica econômica deste setor no estado. Conforme o diagnóstico elaborado pela Câmara Técnica de Pesca Artesanal e Aquicultura do Estado do Amapá, vinculada ao Conselho Estadual de Desenvolvimento Rural Sustentável, são conhecidos no estado em torno de 340 micros e médios empreendimentos aquícolas, sendo a maioria de base familiar e concentrados nos municípios de Macapá, Santana, Mazagão, Laranjal do Jari e Oiapoque.

O documento registra que o sistema de criação em quase todo o Amapá é o semi-intensivo, com uso de viveiros pequenos, geralmente cavados em áreas marginais de lagos ou construídos por diques e contenção no interior de áreas alagadas. As principais espécies cultivadas são tambaqui e seus híbridos com 80% e a tilápia. O diagnóstico aponta ainda que alguns produtores iniciaram a produção em tanque-rede, mas não ultrapassaram 80 tanques em todo o estado.

Outro dado constatado é que no Amapá, 95% dos alevinos utilizados nos empreendimentos aquícolas são importados de outros estados, na maioria das vezes o transporte é feito via aérea, o que encarece a atividade e aumenta o risco de prejuízos. Além disso, enumera o documento da Câmara Técnica, a aquicultura do Amapá está restrita a piscicultura, enquanto os demais ramos (cultivo de camarão e de moluscos) ainda estão descobertos de pesquisas e de investimentos.

No projeto da Embrapa Amapá, "Diagnóstico e potencialidades da aquicultura no Estado do Amapá", o pesquisador Jô Lima destaca que a aquicultura no Amapá, antes inibida pela pesca extrativa, vem ganhando espaço frente à escassez de pescados característica do período de defeso. "As linhas onde a aquicultura pode avançar no Amapá são cultivo de camarão em água doce e do mar, cultivos em tanque-rede, cultivos de espécies ornamentais, tecnologia para a criação de ração a partir de insumos locais, manejo e sanidade de peixes em comunidades ribeirinhas, quilombolas e indígenas", acrescenta o pesquisador.



Dulcivânia Freitas