PESQUISA DO IBOPE

Ruy Guarany Neves

  No momento em que a  turma do “já ganhou” começa a se empolgar , diante  da pesquisa do IBOPE, divulgada na última sexta feira a noite, mostrando a situação atual dos candidatos ao governo do Estado e ao Senado Federal,  seria bom  que  mantivesse uma certa cautela em torno do assunto, pois, não existem dúvidas de que , no desenrolar da campanha eleitoral, deverá haver mudanças , que  poderão frustrar  aqueles  que costumam acreditar  em pesquisas , a dois meses das eleições. Resumindo, a amostragem apresentada pelo IBOPE, ainda não oferece consistência para que se possa  fazer prognósticos.

  Para quem acompanha e analisa o processo eleitoral  do Estado, a partir da sua emancipação, com a realização  de eleições gerais e municipais, e tem experiência em projeções eleitorais, sabe , que, vários fatores precisam ser levados em conta, antes de se estabelecer um  prognóstico. A próxima pesquisa do IBOPE, prevista para ser divulgada após o inicio do programa gratuito , no rádio e na TV, certamente  irá apresentar outro quadro, onde o fator rejeição deverá aparecer e se tornar um ponto de referência indispensável  ao estabelecimento de uma projeção mais confiável.

   Nas eleições municipais de 2004, quando os candidatos Janete Capiberibe –PSB e Sebastião Rocha-PDT,  surgiram como favoritos, na primeira pesquisa, com mais de 10 pontos percentuais à frente de João Henrique, PT, me chamou a atenção, a segunda pesquisa, que mostrou o declínio dos dois favoritos e a subida  de J.Henrique, que passara de 14 para  17 pp, registrando o menor índice de rejeição. Ao analisar os pontos indispensáveis, para firmar um prognóstico, não tive dúvidas de que o prefeito João Henrique, seria reeleito. Bateu certo.

   Nas eleições gerais de 2006, me concentrei na eleição para deputado federal  e estadual. Entre os fatores  analisados, foram levados em conta, o “mensalão”, “dolar na cueca”, “sanguessuga”. Faltando um mês para a realização das eleições, publiquei artigo, prognosticando que, quatro mulheres seriam eleitas, para a Camara Federal. Tambem bateu certo.

   Nas eleições municipais  de 2008, estava claro  que a disputa pela prefeitura de Macapá, envolveria  membros da Assembleia Legislativa. No tocante  as eleições 2010, muito embora  ainda não se possa firmar uma projeção,   a situação tende a  concentrar a disputa entre  membros da Assembleia Legislativa. Até porque, Camilo Capiberibe, como  candidato de oposição,que reúne os dois maiores partidos de esquerda e que estão coesos no plano federal,  deverá crescer no decorrer da campanha. Um fator a considerar, se refere a vinda ao Amapá, do presidente Lula e a candidata do PT  à Presidência da República, Dilma Roussef, quando subirão  ao palanque  do candidato apoiado pelo PT e PSB. Com a popularidade que desfruta  hoje, Lula deverá influir no resultado das urnas. Mas, faltando ainda 60 dias para a realização das eleições, torna-se prematuro fazer  uma projeção sobre  “quem é quem”, no processo sucessório estadual.