Prevenção
Projeto garante aos servidores públicos
direito de fazer exame de câncer

Deve ser encaminhado ainda esta semana para a sanção do governador Waldez Góes (PDT) o projeto de lei da deputada estadual Francisca Favacho (PMDB) que obriga o governo conceder licença aos servidores do Estado para a realização de exames de câncer do útero e de próstata.

Aprovado por unanimidade na sessão da Assembléia Legislativa da última segunda-feira, 11, a proposta concede um dia de licença, por ano, para a realização de câncer de colo uterino às funcionárias públicas acima de 30 anos de idade e exame de próstata aos servidores com mais de 40 anos.

A matéria aprovada assegura ainda que o dia agendado para o exame não pode coincidir com outros de uma mesma seção e que não haverá prejuízos nos vencimentos e nem descontos em folha de pagamento do dia agendado para a consulta.

Ao pedir o apoio dos demais deputados para a aprovarem o seu projeto, Francisca Favacho, lembrou que o câncer do colo do útero, ainda hoje, representa um sério problema de saúde pública. As razões para explicar o problema são as mais variadas, entre elas a própria organização da saúde pública, dos serviços de saúde e a qualidade da assistência prestada à população.

Francisca Favacho cobrou também dos sete candidatos à Prefeitura de Macapá, o compromisso para a implantação de políticas públicas que visem diminuir a incidência de câncer do colo do útero na capital.

“O candidato que for eleito prefeito de Macapá precisa implementar ações para que o número dos casos dessa doença deixem de ser alarmantes”, disse. A parlamentar revelou que por meio da fundação que dirige, a Acácio Favacho, foi possível detectar o número alarmante de exames positivos.

Dos cerca de 30 exames de PCCU (Prevenção do Câncer do Colo Uterino) que são feitos por mês, em média de dois a três é possível confirmar a doença. Para a deputada, esse incidência revela a falta de políticas públicas para atacar o problema de frente. No Brasil, estima-se que o câncer do colo do útero seja o segundo mais comum na população feminina, só sendo superado pelo de mama. Este tipo de câncer representa 15% de todos os tumores malignos em mulheres. É uma doença que pode ser prevenida, estando diretamente vinculada ao grau de subdesenvolvimento do país.

Números

De acordo com as Estimativas sobre Incidência e Mortalidade por Câncer do Inca (Instituto Nacional de Câncer), o câncer de colo do útero foi responsável pela morte de 6,9 mil mulheres no Brasil em 1999.Em 2000, foram 3.625 óbitos. As estimativas apontam, este ano 17.251 novos casos. Isto representa um coeficiente de 20,48 novos casos de câncer do colo do útero para cada 100 mil habitantes do sexo feminino.

Fatores de Risco

Vários são os fatores de risco identificados para o câncer do colo do útero. Os fatores sociais, ambientais e os hábitos de vida, tais como baixas condições sócio-econômicas, atividade sexual antes dos 18 anos de idade, pluralidade de parceiros sexuais, vício de fumar (diretamente relacionado à quantidade de cigarros fumados), parcos hábitos de higiene e o uso prolongado de contraceptivos orais são os principais.

Estudos recentes mostram ainda que o vírus do papiloma humano (HPV) e o Herpesvírus Tipo II (HSV) têm papel importante no desenvolvimento da displasia das células cervicais e na sua transformação em células cancerosas. O vírus do papiloma humano (HPV) está presente em 94% dos casos de câncer do colo do útero.

Prevenção

Apesar do conhecimento cada vez maior nesta área, a abordagem mais efetiva para o controle do câncer do colo do útero continua sendo o rastreamento através do exame preventivo. É fundamental que os serviços de saúde orientem sobre o que é e qual a importância do exame preventivo, pois a sua realização periódica permite reduzir em 70% a mortalidade por câncer do colo do útero na população de risco. O Instituto Nacional de Câncer, por intermédio do Pro-Onco (Coordenadoria de Programas de Controle de Câncer) tem realizado diversas campanhas educativas para incentivar o exame preventivo tanto voltadas para a população quanto para os profissionais da saúde.

Exame Preventivo

O exame preventivo do câncer do colo do útero - conhecido popularmente como exame de Papanicolaou - é indolor, barato e eficaz, podendo ser realizado por qualquer profissional da saúde treinado adequadamente, em qualquer local do país, sem a necessidade de uma infra-estrutura sofisticada. Ele consiste na coleta de material para exame, que é tríplice, ou seja, da parte externa do colo (ectocérvice), da parte interna do colo (endocérvice) e do fundo do saco posterior da vagina. O material coletado é afixado em lâmina de vidro, corado pelo método de Papanicolau e, então, examinado ao microscópio.

Para a coleta do material introduz-se um espéculo vaginal e procede-se à escamação ou esfoliação da superfície do colo e da vagina com uma espátula de madeira. Em mulheres grávidas, deve-se evitar a coleta endocervical.

A fim de garantir a eficácia dos resultados, a mulher deve evitar relações sexuais um dia antes do exame, não usar duchas, medicamentos vaginais ou anticoncepcionais locais nos três dias anteriores ao exame e não submeter-se ao exame durante o período menstrual.


Joel Elias
Assessoria de Comunicação
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