Viva! Aumentou a passagem do ônibus
Édi Prado -11.08.07

Aumentou a passagem do ônibus? Foi para 1,75. Informava um cliente do Zé Ronaldo. O velho vibrou: Viva! Até que enfim. O "Seu" Zé mineiro torcia e vibrava e muito com a notícia. De tão contente, ele que andava com uma trena, um metro desse usados por carpinteiros, vendidos nas importadoras por R$ 4,50. E todo orgulhoso, ele gabava-se de ter influenciado na decisão. Ele estava no Bar do Abreu e quando "puxaram" o assunto. E ele foi logo puxando aquela fita enorme, que sai rodando num carretel preto e foi dizendo: - Segura aqui, segura aqui. O rapaz segurou na ponta do metro e ele esticou a fita no balcão até atingir a marca de 1,75. - Olha aqui, olha aqui, mostrava apontando de onde começa a fita até onde ele estava segurando na marca de 1,75.

-Viu? Agora sim. Dá pra armar umas três roletas aí. Dizia orgulhoso. - Agora não tem essa de ficar um tempão para passar por uma só roleta. É de três em três.

Ninguém estava entendendo nada. O rapaz soltou a ponta da fita e zaap! A fita enrolou toda no carretel preto em forma de bola de futebol. - É assim que se faz. É assim que deve ser feito. Pediu uma cerveja. O primeiro gole foi de copo cheio e rápido e seguida de uma estalada de beiço.

Esse velho é doido pensavam os "do balcão" do Bar do Abreu. E ele sentindo-se cercado de olhos por todos os lados, levantou as mãos, como se pedisse licença para explicar.

-Péraí, péraí! Na semana passada um repórter disse que queria fazer uma enquête comigo.

-Tu querias fazer o quê comigo? Ocê não quer mais? Perguntei olhando bem no bago dos olhos dele. Quero. - Quero fazer uma pergunta. Umas perguntas, só uma pergunta, respondeu o repórter.

- Então faz, respondeu decidido. Mas ocê vai fazer umas perguntas ou uma pergunta?

- Repórter: Seu Zé o que o senhor acha de aumentar os ônibus?

- Seu Zé: Bom. Muito bom.

- Mas por quê, Seu Zé?

-Porque esses ônibus são muito pequenos. Cabe pouca gente e fica muito passageiro em pé aumentarem os ônibus, vai caber mais gente e viajar sentado é muito mais confortável.

- Não é isso não , Seu Zé. O que o senhor acha de subir os ônibus?

-Bom. Muito bom.

-Mas por que, Seu Zé?

- É que o diabo desses ônibus são mito baixinho, num sabe? Se subirem, aumentarem mais um pouquinho, a mode de dar mais ventilação, os passageiros vão viajar mais confortáveis, né?

- Não é isso não, Seu Zé. O que o senhor acha de aumentar a passagem do ônibus?

-Bom. Muito bom.

-Mas por que, Seu Zé?

- É por causa de quê essas passagens são muito miúdas, estreitinhas, apertadas. Uma gestante passa um sacrifício para passar por ela. Gente gorda, então sofre. Se aumentar a passagem, os passageiros, gestantes, gordo, magro, de qualquer jeito, vão poder passar sem problema, né?

- Não é isso não, Seu Zé. O que é que o senhor acha de aumentarem os preços dos ônibus?

-Aaaah! Sim. Eu não gosto nem desgosto. Pra mim tanto faz?

- Mas por que, Seu Zé? O senhor não anda de ônibus?

-Ando, não. Viajo nos ônibus.

-Tá bom, Seu Zé. Mas o que o senhor acha de aumentarem os preços dos ônibus?

-Acho bom. Muito bom. Se aumentarem os preços dos ônibus, eles devem vir bem melhor do que esses né? E depois, pra quê que vou me preocupar com os preços de ônibus, se eu não vou comprar nenhum, mesmo...?

O repórter saiu meio desconfiado de que Seu Zé é meio doido, mesmo. É que ele perguntou tanta coisa e esqueceu-se de perguntar a opinião dele sobre o aumento da tarifa de ônibus. O Seu Zé se limitou a responder as perguntas que o repórter fazia. Eis a razão pela qual o Seu Zé estava festejando o aumento da passagem dos ônibus para 1,75.

-Passar pela coisa "estreitin"... Era só que faltava...

E o seu Zé continuou lá bebemorando a "cervejin" dele, quando ele pega o jornal, dá uma "palmadin" com as costas da mão e aponta a matéria do jornal que dizia: O estudante foi morto com uma facada no peito na altura do pescoço.

-Taí, taí. Olha aqui. Olha aqui. Esse rapaz morreu por causa de quê ele era mal talhado. Ele tinha o peito lá no alto, na altura do pescoço. Olha aqui, olha aqui.

E de novo pensaram que o Seu Zé era mesmo peidado do juízo.