Estudantes vão à Assembléia Legislativa pedir investigação
sobre agressão de guardas municipais

Macapá, 16/08/07 - Um grupo de 29 estudantes, das escolas Alexandre Vaz Tavares, Gabriel de Almeida Café (CCA), Tiradentes, Escola Integrada (GM) e Azevedo Costa, visitou a Comissão de Direitos Humanos da AL, presidida pelo deputado estadual Camilo Capiberibe (PSB), para reivindicar investigação detalhada a respeito da agressão sofrida por seus colegas no último dia 08, quando manifestavam em frente à residência oficial do prefeito, contra o aumento da tarifa de ônibus de R$ 1,50 para R$ 1,75. Segundo os estudantes, seus direitos foram desrespeitados por parte de alguns guardas municipais e policiais militares que agiram de forma truculenta no evento.

O grupo entregou ao deputado Capiberibe, assim como aos membros da CDH, parlamentares Edinho Duarte (PMDB) e Roberto Góes (PDT), um abaixo-assinado com aproximadamente 500 assinaturas. Estavam presentes também os deputados Dalto Martins (PMDB) e Michel JK (PSDB), este último que se disse chocado com as fotos mostradas pelos estudantes que retratam a violência que sofreram. Veja abaixo, na íntegra, o que diz o documento:

"Nós estudantes, viemos por meio deste abaixo-assinado, pedir ao presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa, deputado Camilo Capiberibe, que apure a todos os atos de violência praticados pela Guarda Municipal e a Polícia Militar no último dia 08 de agosto de 2007 (quarta-feira), quando os estudantes reivindicavam pela redução da tarifa de ônibus".

"Os guardas afirmaram que a gente estava fazendo baderna e jogando bomba dentro da casa do prefeito, o que é mentira. E ainda nos chamaram de vagabundos e que estávamos lá apenas com a intenção de causar distúrbio", disse à CDH um aluno da escola Tiradentes que não quis ser identificado, e que ainda completou: "Nós não estávamos armados, não fizemos absolutamente nada. Vi alunos com os olhos ardendo devido ao spray de pimenta que foi jogado neles. Estávamos lá para lutar pelos nossos direitos, pois o Brasil é livre, e em vez de estarem nas ruas prendendo bandidos foram nos espancar", denunciou.

Um guarda municipal foi flagrado portando arma automática o que, segundo o deputado tucano Michel JK, que já foi vereador e tem autoridade para falar do assunto, é proibido. "Infelizmente, foi aprovado o uso de spray de pimenta pela Guarda. Tentamos barrar a aprovação, mas não obtivemos êxito", disse JK. O deputado Camilo Capiberibe, na presença dos estudantes, pôs em votação proposta instaurando, na CDH, apuração da conduta dos agentes de segurança contra os manifestantes, proposição esta que foi aprovada por unanimidade.

Adauto Bittencourt tentou impedir as manifestações, dizem estudantes

Os estudantes denunciaram também na CDH que os diretores das escolas estaduais estariam "prendendo" os estudantes nas escolas para que estes não participassem da manifestação. A CDH decidiu oficiar o Secretário da Educação, Sr. Adauto Bittencourt para que esclareça se foi dada ordem para que os diretores impedissem os alunos de se manifestar. Foi decidido ainda que a CDH mandaria ofícios para os diretores das escolas envolvidas nas denúncias, esclarecendo que os estudantes possuem direito constitucional de se manifestarem. Um estudante disse ainda que alguns professores que apoiaram o movimento sofreram retaliação dos diretores.

O deputado do PMDB, Edinho Duarte, afirmou que "toda manifestação é legítima, e aparentemente a polícia continua não preparada para agir nestes casos, o que já é histórico. O estudante saiu da sala de aula sabendo o que quer, por isto manifesto meu apoio e me coloco à disposição da causa. O deputado Camilo tem feito um brilhante trabalho frente à CDH, e só o fato de sermos procurados na Comissão, é motivo de lisonja, pois antes não éramos visitados".

O líder do governo na AL, Roberto Góes (PDT), sustentou que "os estudantes têm direito de participar da manifestação, sendo mantida sua integridade física e moral. Com relação aos diretores, precisamos rever essa falta de respeito aos estudantes", finalizou.

Raul Mareco