Deputado quer CPI, demissão do procurador e da secretária de saúde.

Macapá, 20/08/07 - Na manhã desta segunda-feira (20) o deputado estadual Camilo Capiberibe (PSB) pediu aos demais parlamentares que criem uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar detalhadamente os problemas que vêm ocorrendo com a rede de saúde pública do Amapá, especialmente por conta dos escândalos de corrupção descobertos pela Polícia Federal, em março, através da Operação Antídoto que prendeu, entre outros, três ex-secretários de Estado da Saúde, e indiciou na semana passada a atual secretária da pasta, Rosália Figueira e o procurador-geral do Estado, Marcos Reategui por improbidade administrativa.

Camilo Capiberibe sustentou que “na quinta-feira (16) foram indiciados 30 acusados pela Justiça, e no sábado (18) foram presas nove pessoas, entre elas o Sr. Abelardo Vaz, ex-secretário de saúde do governo Waldez”. O deputado do PSB disse estar surpreso ao ver o pedido de indiciamento da atual secretária de saúde por improbidade administrativa, justamente ela que entrou na secretaria de saúde para moralizar os procedimentos, “foi denunciada por ter autorizado pagamentos de medicamentos adquiridos sem licitação e por tentar convencer funcionários da CAF (Central de Atendimento Farmacêutico) a destruírem provas”.

O parlamentar Capiberibe acredita veementemente que há elementos suficientes para a instauração de uma CPI. “Quero fazer um apelo para a instalação da CPI, pois não podemos nos omitir, temos que investigar a fundo todos os desmandos cometidos por esta quadrilha contra a sociedade amapaense”. O parlamentar do PMDB, Edinho Duarte, concordou com a solicitação do deputado do PSB, mesmo encontrando dificuldades para se pronunciar devido à falta de quorum, inclusive com a ausência do líder do Governo na Casa, Roberto Góes (PDT), que se retirou no início do pronunciamento do legislador Capiberibe. “O deputado Camilo tem toda razão de querer buscar detalhadamente respostas sobre este tema, que é importantíssimo, porque afinal de contas, temos o segundo capítulo do mesmo filme. Portanto, precisamos saber o que de fato está acontecendo com a saúde pública deste Estado”, finalizou.

Demissão - Camilo Capiberibe exigiu também que o governador Waldez Góes demita os funcionários envolvidos na quadrilha. “À mulher de César, não basta que seja honesta, ela também precisa parecer honesta. E no momento em que se denuncia uma secretária de Estado e um procurador-geral, não cabe outra decisão a não ser a demissão. Não existe nenhuma condição para que o procurador continue a advogar em nome dos interesses do Poder Executivo”.

Waldez Góes “confia” na secretária - em programa de rádio, a secretária denunciada afirmou que o governador do PDT acredita na sua inocência, fazendo com que o deputado Capiberibe afirmasse que “a população não confia mais, portanto, o senhor governador deveria repensar a sua atitude. Enquanto isso, pessoas estão morrendo por falta de medicamentos”, acusou.

Visita ao MPF - o deputado socialista, que também é relator da Comissão de Acompanhamento que investiga politicamente o processo, reportou aos demais parlamentares a visita que fez ao procurador-chefe da República, Rodrigo Santos, em companhia do presidente da Comissão, o deputado Jorge Salomão (DEM). “Estivemos na quinta-feira (17) no Ministério Público Federal, e eu questionei ao Dr. Rodrigo Santos, como é possível tanta corrupção? Como é possível que o governador não saiba? O procurador-chefe não pode se posicionar com relação a isso, mas informou, disse o deputado do PSB, que se fosse de sua competência ele investigaria Waldez Góes”.

Recursos na secretaria de planejamento - Deputado também pediu esclarecimento sobre decreto assinado por Waldez. “Em dezembro de 2005 foi publicado um decreto pelo governador Waldez que transferiu a gestão dos recursos da saúde para a Secretaria de Planejamento, na época capitaneada pelo atual deputado federal Jurandil Juarez (PMDB), que foi denunciado pela Justiça. Logo depois da Operação Antídoto o governador baixou outro decreto devolvendo para a secretaria de saúde a gestão dos recursos, deve haver uma explicação para estes decretos”, analisou o socialista.

Raul Mareco