O Mensalão e a corrupção na saúde do Amapá

* Chico Terra

O esquema que foi considerado o maior do país em termos de corrupção do governo Lula da Silva, não difere muito em valores desviados dos da saúde do Amapá, mas vale a comparação para se ter uma idéia de como as coisas por aqui vão mal e parece que nada está acontecendo de errado no Amapá. Até parece que aqui nem é Brasil.

O mensalão desviou 55 milhões em recursos do país. Da saúde do Amapá, o desvio foi de mais de 40 milhões. Somente este montante, em um estado pequeno como o Amapá, já seria motivo de uma intervenção federal. O mensalão derrubou ministro, deputados, funcionários públicos e empresários. Aqui apenas somente uma parcela pequena está presa e os cabeças do esquema à solta. A imprensa nacional ignora estes fatos cruéis com a população que está morrendo pela falta de remédios cujo dinheiro foi desviado.

A diferença é pequena em números se comparada com a gravidade e as conseqüências entre o mensalão e o escândalo na saúde no Amapá.

Para que tem idéia da proporção dessa desgraça, desse descaso, é desanimador ver que o país não tome conhecimento que o nome de quatro secretários de saúde do governador Waldez Góes (PDT) tenham sido envolvido nessas fraudes, enquanto 14 crianças morriam no exíguo espaço de 15 dias no hospital da criança, enquanto portadores de HIV já somam, desde o início do ano, 18 mortes por falta de medicamentos em Macapá e o Hospital de emergências fica sem traumatologia em pleno final de semana. Por causa deles, doentes renais crônicos sofreram as piores dores e uma técnica de enfermagem, até dançou zombando da situação.

Os 55 milhões do mensalão, ocuparam dias e dias da mídia nacional. Já este escândalo apenas alguns minutos da mídia local. Porque? O Amapá não é Brasil? Aqui não é a Amazônia tão discutida por ambientalistas do mundo inteiro? Não é o alvo da cobiça das mineradoras? Porque razão a Globo, a Band, a Record, o New York Times, a BBC não mencionam uma notícia tão grave? São pessoas que estão morrendo! São inocentes pagando pela irresponsabilidade de uma quadrilha que segundo o Ministério Público Federal são trinta pessoas. Só trinta? Tenho minhas dúvidas!

E eles, os ladrões, tratam de desqualificar as ações do MPF, minimizando graves denúncias ao nível da fofoca, colocando em dúvida os valores desviados. Se fosse a metade desse valor, ainda assim seria muito grave. Alguns se mantêm nos cargos públicos, dificultando a investigação policial, quando se houvesse seriedade no governo, estariam afastados até que pudessem provar que são “inocentes”. Mas as conseqüências do roubo estão aí, visíveis e sentidas por toda sociedade. Se eles não roubaram quem roubou? Eu é que não fui!

* Chico Terra é jornalista - 96 9968-5236