Inhangapi, no Pará, cresce ao produzir açaí

16/08/2007
Local: Belém - PA
Fonte: O Liberal
Link: http://www.oliberal.com.br/index.htm


Projeto garante manejo sustentável da espécie e renda para os produtores

Situado a cerca de 100 quilômetros de Belém, o município de Inhangapi, no nordeste paraense, tem características rurais. Mais de 80% da população vivem da produção agrícola e do extrativismo. Por conta disso, a administração municipal passou a investir mais em projetos voltados para a agricultura e para o desenvolvimento sustentável. Tudo para garantir melhor distribuição de renda e mais qualidade de vida para a população. Com essas decisões políticas, Inhangapi consolidou, na última década, uma imagem de cidade ecologicamente correta, onde os destaque são a produção de açaí e a criação de peixes em cativeiro.

Responsável pelo sucesso da produção de açaí em Inganhapi, o engenheiro agrônomo José Baía da Costa, da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) de Castanhal, conta que, em 1998, começou o projeto de manejo sustentável de açaizais nativos, que envolveu, na primeira etapa, 56 famílias ribeirinhas do município. 'Recomendamos todas as principais práticas para se obter uma produção com qualidade como, por exemplo, a limpeza do açaizal, desbaste das touceiras, eliminação de espécies de baixo valor comercial, adensamento do açaizal e enriquecimento da área com essências florestais e frutíferas. A experiência foi um sucesso e vem permitindo uma elevação na produtividade das áreas manejadas em mais de 100%, passando, por ano, das 180 rasas (uma espécie de cesto com o qual se mede e comercializada o açaí) por hectare para 360 rasas no mesmo período e área', festejou Baía. Isso tudo numa área de 670 hecatres, que corresponde a apenas cerca de 30% de todo o açaizal disponível em Inhangapi.

Não demorou muito para que ocorresse a melhoria da renda das famílias assistidas pelo projeto, que foi financiado pelo Programa de Desenvolvimento do Extrativismo (Prodex), uma das boas alternativas para o setor rural, mas que foi extinto pelo governo Lula. Um detalhe que o agrônomo faz questão de ressaltar é que as 137 famílias beneficiadas pelo projeto de manejo sustentável ganharam também a fama de se tornar o único grupo de produtores rurais adimplente, pagando, dentro do prazo, todo o financiamento de R$ 545. Além disso, o número de famílias beneficiadas passou de 56 para 137 por causa do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNDU), que treinou lideranças ribeirinhas para multiplicar os conhecimentos.
Houve avanços também na questão ambiental. 'Além de um açaizal bem manejado ser uma floresta diversificada, ainda há a preservação de todo um ecossistema que compõe as matas ciliares dos rios Inhangapi e Guamá', explica Baía. Não demorou muito para que, de 1997 para cá, na administração do prefeito Achiles Igacihalaguti e agora, com o prefeito José Feitosa, essa prosperidade incentivasse a criação de um festival do açaí, para mostrar um modelo de desenvolvimento sustentável que tem como pilares a preocupação com os recursos naturais, o incremento da renda familiar e o fortalecimento da organização social principalmente da população rural. O evento completará dez anos de existência e atrai, no mês de agosto, mais de 40 mil pessoas.

Mudas
Até hoje, a prefeitura de Inhangapi já distribuiu, de graça, mais de 700 mil mudas de açaí, e está dando início à produção de mudas de cacau e essências florestais. 'Essa distribuição melhora a capacidade econômica dos nossos produtores e o aproveitamento de áreas degradadas. Mas precisamos avançar mais na diversificação dessa produção agrícola, aumentar a capacidade de manejo dos açaizais nativos, incentivar a produção industrial do açaí, criar cooperativas e associações eficientes e também associar o agronegócio ao potencial turístico que tem nossa cidade', afirma o prefeito Feitosa.

Rio
Iniciado em 2003, o projeto Propirá foi concebido pelo engenheiro agrônomo Kenji Okawa da Emater, com o objetivo de recuperar a fauna aquática das microbacias hidrográficas do Pará. O primeiro rio escolhido foi o Inhangapi, dono de um rico potencial hídrico mas que vinha sendo destruído pela ação do homem, inclusive com a derrubada de sua mata ciliar. Foi feita, então, a criação de peixes em tanques-rede, com a participação de várias famílias de produtores rurais previamente qualificadas através de capacitação realizada pelo órgão.
'Hoje vários produtores participam do projeto de forma grupal ou individual. Alguns já produzem, consomem e comercializam o pescado criado racionalmente, trazendo várias conseqüências positivas', comemorou Kenji.

Esses benefícios são a produção de alimento de alta qualidade, diminuição da pressão sobre os peixes do estoque natural, contribuindo, conseqüentemente, para o restabelecimento da piscosidade no rio Inhangapi, o que já é visível, inclusive comn a volta de peixes como a pescada amarela.