Criar filho não é criar pinto
Édi Prado 20.08.2007

Tem muita criança tola. Algumas criancinhas e outras nem tanto, assim. Crianças mimadas que batem os pés, como se tivessem num formigueiro e puxam os cabelos como se quisessem arrancar o couro cabeludo. Tudo isso por tolice. Tem umas grandinhas, como o Marombinha, neto da Conselheira de Educação do Acre, que há 30 anos ocupa este cargo e postou no blog dele e que foi repetido no blog do jornalista Altino, também lá do Acre, a foto desse meninão, encarcado no pescoço da estátua de um grande poeta acreano. E fazendo graça. Encarcado, pode até não existir no dicionário, mas era como diziam os meus avós, referindo-se a carregar sobre os ombros, filhos, netos ou a mulher amantíssima.

Quem puder, olhem a foto dele no site do Correa Neto: www.correaneto.com.br e vejam um meninão de quase 99 quilos e meio, fazendo um esforço para manter-se sobre o dorso do pobre poeta em bronze, como se participasse de um rodeio, onde o cavaleiro, com as mãos para o alto, tenta equilibrar-se sobre tão miúda sela. E só porque o jornalista Altino repetiu a postagem dessa foto no blog dele, o Altino está em altas com a justiça acreana. A vovó conselheira de educação daquele Estado ficou brava. Achou feio o Altino mostrar para o Acre, Brasil e o mundo, as boas maneiras que ele aprendeu com ela, com os pais e professores desse menino atentado, espirituoso, bonachão, de destruir e desrespeitar o patrimônio público e as memórias de um poeta.

Ela, a avó do marombinha, não queria que o vissem assim, tão garboso, sem as devidas indumentárias de um verdadeiro caubói dos bons modos e da educação. Mas o marombinha foi só um “gancho” para chamar a atenção para os telefones públicos depredados, bancos de praças destruídos, luminárias quebradas e tantos outros vandalismos que se vê no dia e noite de nossa cidade.

A educação moderna, como deve pregar a Avó Conselheira de Educação do Acre, fala em novos métodos, em psicologia infantil aplicada, em educação sem agressão, sem palmatória e sem vergonha na cara. Sei não. Tenho minhas dúvidas quanto à eficácia desses métodos.

Não precisa ser doutor no assunto para encontrar solução rápida, eficaz e sem traumas. Minha mãe estudou até a 4ª série primária. Teve 11 e criou 10 filhos. Sem saber nada de economia doméstica, de psicologia infantil e sem conhecer a receita de como cuidar de marido que só trás comida pra casa. Ela soube administrar muito bem a casa dela: Dividia tarefas com todos. Cada semana alguém estava com a tarefa de lavar, passar, molhar as plantas, encher o barril d´água, cuidar das crianças, fazer a comida. Enfim todos tinham que fazer alguma coisa. O papai, bem o papai também foi criado assim e nem precisava dizer o que era tarefa dele, além de sustentar os filhos e manter a palmatória e o cinto bem ao alcance da visão de todos. E mamãe, também cumpria a dela: fiscalizar a execução dos serviços, também com o galho de cuia bem vistoso no quintal.

Deu certo. Ninguém é traumatizado, nem deu pra "outras coisas". Nem fomos meninos tolinhos, que batiam pezinhos, fazíamos beicinhos, arrancavam cabelos e que gostavam de sentar no dorso de estátua nem de ninguém. É simples, né?

E quando a mamãe vinha reclamar pro papai que algum filho estava fazendo mal criação, ele dizia, com aquele ar de sabedoria: Maria, criar filho não é criar pintos.

Hoje com todos esses avanços, as crianças fazem tolice e não se deve bater senão vai parar na delegacia. E os meninos estão sendo criados assim, como pintinhos tolinhos que gostam de imitar pavãozinho e adoram sentar no dorso de poeta. Eu hein?

E os sujismundos que moram próximo ao Conjunto Laurindo Banha, na subida da avenida, que passa em frente ao Fundo de Quintal, em direção ao conjunto? Eles têm um trato com a turma dos garis: É só limpar eles se reúnem e com uma velocidade espantosa, arranjam lixo e animais em decomposição e atiram lá. Quem fizer a melhor foto desses imundos jogando lixo ali, ao lado do terreno do Zelito, vai ganhar um prêmio e as fotos serão publicadas em vários sites do mundo inteiro e concorrerão a prêmios valiosíssimos. Os garis também podem concorrer e a vizinhança também.