Mulheres esfcalpeladas- Falta fiscalização na Amazônia

Brasília, - A deputada federal Janete Capiberibe (PSB/AP) reuniu-se, nesta quinta-feira, 23, com representantes da Secretaria de Políticas para as Mulheres do Estado do Amapá - a secretária Ester de Paula e a assessora Socorro Silva - e com a vice-presidente da Associação das Mulheres Escalpeladas do Amapá, Maria Trindade Gomes. Na reunião, conversaram sobre o projeto de lei 1.531/2007, de autoria da deputada Janete Capiberibe, que obriga instalar proteção no eixo e no motor dos barcos que transportam passageiros em todo o país para evitar escalpelamentos e mutilações. Trataram ainda da carência de políticas públicas de saúde e de previdência às mulheres escalpeladas neste tipo de acidente.

Trindade contou à parlamentar que falta fiscalização nas embarcações que navegam na Amazônia. Das cerca de 30 mil embarcações, mais de 10 mil não são fiscalizadas. Segundo a vice-presidente, a Capitania dos Portos afirma que não há embarcações navegando sem fiscalização e sem a proteção no eixo do motor. “Pediram que a gente mostrasse algum barco sem a proteção. Em poucas horas encontramos centenas”. O acessório, que evitaria as mutilações e os escalpelamentos, custa cerca de R$ 200,00. “O preço de uma peruca de cabelo natural”, compara Trindade, referindo-se ao acessório que as mulheres escalpeladas ficam obrigadas a usar depois dos acidentes.

A Associação das Mulheres Escalpeladas do Amapá trouxe o tema ao debate nacional, na 4ª Conferência Nacional das Mulheres. São, pelo menos, 1,4 mil mulheres escalpeladas conhecidas na Amazônia, mas o problema existe em todos os locais de navegação. A exigência de políticas que as atendem e o apoio ao projeto de lei 1.531/2007 foram incluídos no texto final da Conferência.

Na terça-feira, 28, parlamentares dos estados da Amazônia e representantes das mulheres escalpeladas fazem uma manifestação no Congresso Nacional pedindo atenção e implantação de políticas públicas dirigidas às mulheres escalpeladas, como custeio das cirurgias reparadoras pelo SUS, assistência previdenciária durante o tratamento e a recuperação e direito à aposentadoria. A manifestação vai ocorrer a partir das 16 horas no Salão Verde da Câmara. “Temos que dar visibilidade a estas mulheres, que às vezes são rejeitadas pelas suas famílias, e, quase sempre, só lembradas pela sociedade com preconceito”, alerta Janete Capiberibe.



Sizan Luis Esberci