Camilo Capiberibe relata na AL visita a unidades de saúde de Macapá

Macapá, 28/08/07 - O deputado estadual pelo PSB, Camilo Capiberibe, fez pronunciamento nesta terça-feira (28) no grande expediente para relatar aos demais parlamentares as visitas que ele vem realizando às unidades de saúde administradas pelo governo do estado desde o dia 22 de agosto último. O deputado já esteve duas vezes no Hospital de Clínicas Alberto Lima, onde visitou o Centro Cirúrgico e esteve na manhã desta segunda-feira, (27) no Hospital da Mulher Mãe Luzia. Neste mesmo dia o deputado foi ao Centro de Doenças Transmissíveis, que é anexo ao HC Alberto Lima. Além do relato, o socialista criticou a incapacidade do Governo PDT em solucionar as inúmeras deficiências encontradas, e concluiu que um dos maiores problemas enfrentados hoje pelo governo do estado é a morosidade em eliminar a corrupção desenfreada no setor da saúde pública o que vem contribuindo, segundo o socialista, para a péssima qualidade de atendimento à população.

HC Alberto Lima -Sobre o Alberto Lima o deputado disse que “na quarta-feira passada (22), estive no Centro Cirúrgico do Hospital de Clínicas e estava fechado por falta de gaze, repito: por falta de gaze. Ontem (27) retornei e fui informado de que uma caixa com o material havia chegado o que garante o atendimento para apenas uma semana. Ou seja, o Centro Cirúrgico tem hora marcada para ser fechado novamente na sexta-feira (31)”.

Maternidade - O parlamentar socialista constatou na Maternidade Mãe Luzia, além de violações aos direitos humanos - foram encontrados três fetos enrolados em um pano dentro de uma geladeira desligada -, que infecções hospitalares, falta de estrutura física e de medicamento, entre outras problemáticas, estão contribuindo para o falecimento das crianças que ali nascem.

Em audiência mantida com o diretor da maternidade, Acimor Coutinho, este afirmou que “se tivéssemos uma UTI Neonatal com 12 leitos o acompanhamento das mães e seus filhos seria mais criterioso”. O deputado do PSB esteve no hospital de maternidade para apurar denúncias de que crianças estariam morrendo em razão de infecção hospitalar. O diretor do hospital da mulher Mãe Luzia confirmou que no caso de crianças prematuras que nascem com dois quilos ou menos estaria havendo mortalidade por infecção, o que seria apontado por relatório da Vigilância Sanitária.

O deputado do PSB disse ainda que várias razões estariam levando as crianças a óbito: “crianças estão morrendo por causa da infra-estrutura precária, o hospital tem apenas 6 leitos enquanto que a demanda exige 12; a infecção hospitalar teria ceifado duas vidas na semana passada; além da falta de medicamentos que também contribui para esta triste estatística. O diretor do hospital da Mulher disse que o atendimento não dispõe da medicação adequada”. “Estamos tendo que usar medicação que não seria a primeira opção nos tratamentos por falta de remédios específicos para cada patologia”, disse o diretor.

CDT - em visita ao Centro de Doenças Transmissíveis, o socialista que recebeu denúncia de que não há remédio para os portadores do vírus HIV, pôde confirmar de fato que o Estado também não está prestando um atendimento de qualidade às pessoas que ali estão internadas. A enfermeira Elziane Pinheiro afirmou que a distribuição dos medicamentos está “aparentemente normalizada”, mas que é preciso “ter sorte para encontrar os remédios na farmácia do hospital”. Em um quarto quente que possui apenas um ventilador, e que divide com mais três pessoas, o paciente L. K. de 33 anos denunciou ao deputado Camilo Capiberibe que quando foi internado no CDT teve que “comprar o próprio medicamento (que custa R$ 300), senão eu teria morrido”.

Na conversa com L.K o deputado constatou que alem da falta de remédios contra as doenças oportunistas estaria em falta os remédios que compõem o coquetel que combate o HIV. “Não há remédio para o combate às doenças oportunistas, pois fui informado pelos pacientes e pelos funcionários do centro e o paciente internado L.K disse que até o AZT (uma das primeiras drogas aprovadas para o tratamento da AIDS; o medicamento inibe a reprodução do vírus HIV no organismo do paciente) estaria em falta. Todos sabemos que a principal causa de mortalidade de portadores de HIV é em virtude de doenças oportunistas, portanto a denúncia que recebi é verdadeira. Está faltando remédio comprado com dinheiro federal”, criticou o deputado do PSB.

Camilo Capiberibe exigiu do governador Waldez Góes (PDT) uma solução para o caos na saúde. “A saúde é o tema que o cidadão e cidadã querem ver discutidos nesta Casa de Leis, e se for preciso eu falarei sobre a saúde todos os dias, pois o senhor governador foi eleito em primeiro turno e precisa urgentemente justificar isto para o eleitor. Quanto tempo mais devemos esperar pela boa vontade do governo?”.


Raul Mareco