Combater aquecimento global é responsabilidade coletiva



Brasília, 30/08/2007
- A deputada federal Janete Capiberibe (PSB/AP) participou, nesta quarta e quinta-feiras do Seminário “Aquecimento Global: A responsabilidade do Poder Legislativo no estabelecimento de práticas ambientais inovadoras”.

“É fundamental debatermos alternativas de desenvolvimento, geração de energia e de riqueza sem acabarmos com o patrimônio ambiental brasileiro como já fizeram outras nações consideradas desenvolvidas. Temos a responsabilidade de sermos os gestores deste patrimônio. Não são as outras nações que devem nos dizer o que fazermos, por isso temos que estar preparados para assumir a gestão do nosso desenvolvimento sustentável”, afirmou a deputada amazônida.

A parlamentar amapaense presidiu a mesa onde debateram Philip Martin Fearnside, da CPEC/INPA - Coordenação de Pesquisas em Ecologia do Instituto de Nacional de Pesquisas da Amazônia; Antônio Divino Moura, Diretor do INMET - Instituto Nacional de Meteorologia; Ivan Marcelo Nunes, do Fórum Brasileiro de Organizações Não Governamentais e Movimentos Sociais para o Desenvolvimento Sustentável - FBOMS; Maurício Tomalsquim, da Empresa de Pesquisas Energéticas do Ministério de Minas e Energia; Paulo Moutinho, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam); e Ricardo Young, Presidente do Instituto Ethos.

Interatividade - Young afirmou é preciso haver uma mudança no padrão civilizatório e questionou por que ainda não foi feito nada para resolver o problema, se há diagnósticos tão concretos e propostas de soluções para o problema do meio ambiente. Ele defendeu a atuação de lideranças intersetoriais e supra-partidárias contra o aquecimento global e afirmou que, se não houver essa colaboração imediata, as atuais sociedades "entrarão em colapso". Segundo ele, as tragédias ambientais e sociais serão tão intensas e graves que só poderão ser resolvidas com autoritarismo.

Tomalsquim afirmou que o Brasil destaca-se pelo uso de energia limpa, o dobro da média dos países europeus e dos países desenvolvidos e superior aos índices dos países latino-americanos. Ressaltou que não haverá concorrência entre a produção da cana-de-açúcar para álcool e a produção de alimentos nem abertura de novas fronteiras agrícolas e lembrou que é preciso haver geração de energia para manter o desenvolvimento do país, mostrando sua preferência pelas hidroelétricas e pelo álcool.

Fearnside afirmou que, se mantidas as queimadas e o desmatamento nos níveis atuais, a floresta amazônica acabará em 2080. Segundo ele, alguns estudos apontam que a temperatura na Amazônia poderá aumentar 14 graus caso a emissão de gases seja duplicada. Ele ressaltou que o Brasil é um dos países que mais tem a perder com o aquecimento global, e por isso deve assumir a liderança no combate ao desmatamento.

Já Paulo Moutinho disse que 75% das emissões de gás carbônico e de outros gases do efeito estufa no Brasil são causadas pelo desmatamento. Desse montante, 70% ocorrem por queimadas para criação de pastagens extensivas. Ele defendeu compensações para os países em desenvolvimento pela conservação das florestas. Segundo ele, para reduzir em 60% a emissão de gases, o Brasil precisaria de 1 bilhão a 5 bilhões de dólares por ano (aproximadamente, de R$ 1,97 bilhão a R$ 9,85 bilhões). Para zerar a emissão de gases por desmatamento, seriam necessários de 3 bilhões a 8 bilhões de dólares (cerca de R$ 5,91 bilhões a R$ 15,76 bilhões) anuais.

O Seminário é promovido pela Comissão Mista Especial de Mudanças Climáticas, em parceria com quatro comissões da Câmara (Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável; Amazônia, Integração Nacional e de Desenvolvimento Regional; Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática; e Relações Exteriores e de Defesa Nacional) e três comissões temáticas do Senado.

Sizan Luis Esberci