VOCAÇÃO

Dom Pedro José Conti
Bispo de Macapá

Para a Igreja Católica no Brasil, o mês de agosto é o mês vocacional. Somos convidados a refletir sobre a vocação de cada um de nós e sobre os diversos chamados para dar um sentido grande e bonito as nossas vidas. Começamos pelo Dia do Padre, depois teremos o Dia dos Pais e assim vai o mês todo.

Quando somos jovens, em geral, e eu o fui também, pensamos que a vocação seja um tipo de loteria: precisamos acertar para sermos felizes. O desacerto nos deixará tristes a vida inteira, lamentando os erros do passado.

É compreensível porque o jovem ainda não conhece todas as suas potencialidades e todas as suas limitações. Pode errar por causa de uma demasiada confiança nas suas qualidades e acabar fracassando, justamente, por incapacidade e incompetência. Mas, o jovem pode errar também, desistindo de antemão, antes de enfrentar os desafios por subestimar os seus talentos. Isso gera bastante angústia na juventude, insegurança, avanços e recuos, entusiasmos e desânimos. É o sofrimento da busca.

Isso tudo, porém, acaba quando a vida, e o tempo que passa, encarregam-se de colocar as coisas no seu lugar. A pessoa que lutou consegue, mais ou menos, o que desejava. Quem ficou aguardando, continuará achando que a vida não foi generosa consigo, e se acomodará, resmungando, no seu canto. Sábio é quem consegue viver tudo isso sem exaltar-se demais e sem ficar triste o tempo todo, no fundo do poço.

O que vale na vida, e na vocação, é outra coisa. Graças a Deus é também o que vale aos olhos dEle. Vocação, de verdade, é fazer bem e com alegria algo que gostamos fazer. Dito com outras palavras: sentir-nos a pessoa certa, no lugar certo, fazendo o bem a quem está ao nosso alcance, para a nossa satisfação e a alegria dos outros, sejamos administradores de empresa ou varredores de rua, doutores ou analfabetos. Não importa.

É a parábola do rico tolo, do evangelho deste primeiro domingo de agosto. Ele, conta Jesus, foi um excelente administrador e, com uma boa dose de sorte, ganhou uma fortuna. Contudo no momento decisivo, na hora da morte, estava no lugar errado. Estava no gigantesco celeiro que queria construir. Se tivesse administrado e ganhado os bens dele para ajudar os outros, para dar trabalho e educação, para apontar o caminho estreito da simplicidade da vida, teria estado no lugar certo. Teria tido outros tesouros num banco diferente, lá no coração bondoso de Deus.

Podemos ser padres, profissionais, médios, ricos ou pobres, casados ou solteiros, não tem muita diferença. Se não usamos os nossos talentos para fazer o bem, teremos, talvez, satisfações humanas, mas a nossa felicidade terminará com elas. Porém se tivermos amado mais os outros, e menos a nós mesmos e as nossas coisas, teremos tesouros no céu.

A vocação, para todos, é amar mais, ser felizes fazendo os outros felizes. Fazendo da nossa vida um dom. É tão difícil assim acertar o amor? Pode custar, mas não é impossível. Uma vocação certa e uma vida feliz estão ao nosso alcance, palavra de Jesus.