O asfalto eleitoral

Caro Correa Neto.

É mais uma contribuição para conquistarmos a sociedade que queremos. Sem enganação e sem corrupção.

Quando penso que o povo vai ser enganado mais uma vez, vem e decepção. Na rua onde moro, por exemplo, no início da campanha de 2006, muitas casas estavam com as suas bandeiras amarelas penduradas, numa representação explícita de estar apoiando o candidato que mais convencia para ser o escolhido naquelas eleições. Essas bandeiras ficaram tremulando até bem próximo ao dia da votação. No entanto Correa, veio a surpresa. Num dia, entraram uns cabos eleitorais como se fosse uma revoada na rua e, Correa, no dia seguinte, todas as casas estavam com as bandeiras azuis. Era uma transformação no visual da rua que parecia que todo mundo tinha levado uma lavagem cerebral. Aí apareceram os motivos da mudança repentina. Sexta-feira - a votação seria domingo - entraram umas máquinas na rua, com um desespero tão grande que os operadores saíram quebrando tudo que encontravam pela frente: QUEBRARAM A CALÇADA DA VIZINHA, QUEBRARAM O MEU LIXEIRO -ESTÃO LÁ OS PEDAÇOS ATÉ HOJE, PARA TODO MUNDO VER, NA RUA PASTOR ESDRAS PINHEIRO TORRES, BAIRRO JAEDIM MARCO ZERO - E SAIRAM QUEBRANDO TUDO O QUE VIAM, SEM RESPEITAR NADA.

Correa, nesse dia trabalharam até a madrugada, por volta de 03:00h da manhã e não deixaram ninguém dormir naquela noite. Deixaram quase pronta a rua com a terra raspada e tudo. Mas Correa, faltava o asfalto (a promessa maior). No dia seguinte, sábado - um dia antes das eleições - que era domingo, logo cedo chegou a turma do asfalto. Eles estavam num desespero tão grande Correa, porque o tempo estava curto e só tinha borra de asfalto, já que eles vinham asfaltando todas as ruas do bairro, desde a Hildemar Maia e a minha rua é a última, já próximo ao conjunto da Ego.

Fizeram das tripas coração para jogar o asfalto lá. Foi na pá, Correa. Não tinha carro para espalhar o asfalto. Eles espalhavam com uma espécie de rodo, sem qualquer preocupação com a compactação. Eles foram até por volta da meia noite, espalhando asfalto na rua. Correa, o asfalto focou engraçado: 1. porque não chegou no fim da rua, ficou um pedaço sem cobertura preta. 2. O asfaltamento era tão fino que, em alguns locais aparecia a terra vermelha por baixo. Imagine Correa, a espessura desse asfalto.

Assim, com uns 15 dias começaram a aparecer os buracos. Hoje, um ano e maio após as eleições, a rua é só buraco - e lá não é rua principal. Vá lá para ver e tirar as suas próprias conclusões. Ficaram os buracos; a camada sonrisal; o meu lixeiro quebrado e a calçada da vizinha danificada, para decepção de todos os que acreditaram e mudaram de candidato por conta da troca do voto pelo "asfalto" da rua.

Essa foi a ação eleitoreira que ocorreu no bairro Jardim Marco Zero. Um bairro que só teve uma ação do poder público, 15 dias antes do dia da votação. Antes esquecido por todos. Mas foi suficiente para enganar todos os moradores que estavam convictos em votar no candidato que concorria com a bandeira amarela, exposta em suas casas, resultado de uma escolha livre e democrática. Parece que muitos eleitores vão ser tratados assim, outra vez! Fica o alerta, porque o asfalto não pode enganar mais o eleitor da periferia. Agora ele está na Av. FAB. Para a periferia vão outras coisas. Muito cuidado!!!!!!!!!

Jorge Furtado Correa - Tenente Coronel Corrêa/ PMAP.
Especialista em Gestão Estratégica em Defesa Social e Acadêmico de Jornalismo.