"Este é o governo do Waldezemprego", diz Camilo Capiberibe
Socialista lamenta aumento do desemprego no Amapá

Texto: Emanoel Reis

Enquanto nos demais estados amazônicos a crise econômica parece menos assustadora, no Amapá os demonstrativos dos três principais setores (comércio, indústria e agronegócio) revelam uma estagnação sócio-econômica avassaladora, resultando em crescente desemprego e fechamento de empresas antes imunes às ameaças externas.

Foi o que aconteceu com as multinacionais Jari Celulose (Jarcel) e Caulim da Amazônia (Cadam) no começo deste ano, quando, devido ao agravamento da crise mundial, precisaram dispensar centenas de funcionários, o que abalou sobremaneira as áreas comerciais dos municípios de Laranjal do Jari (AP) e Monte Dourado (PA).

Na ocasião, o governador Waldez Góes (PDT) esteve em visita à Laranjal do Jari, reunindo-se com lideranças políticas e empresariais da região, e prometera que até o meio deste ano estaria criando, através de obras de construção de escolas e de outras parcerias, mais de 1,5 mil empregos diretos e indiretos.

Ontem de manhã, durante sessão na Assembleia Legislativa do Amapá, o deputado Camilo Capiberibe (PSB), discursando no grande expediente, lembrou que até agora nenhum dos postos de trabalho anunciados solenemente por Waldez foi criado, muito pelo contrário. "O que o governador criou foi a era do 'Waldezemprego' no Amapá", ironizou o socialista.

O mais preocupante disso tudo, enfatizou Camilo em seu pronunciamento no plenário do legislativo estadual, é que o Ministério do Trabalho, via Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), revelou recentemente que o desemprego no Amapá está em espiral crescente.

Em aparte, o deputado estadual Ruy Smith (também do PSB) comentou os dados do CAGED publicados pelo MT e recordou que durante a campanha eleitoral de 2002 Waldez prometera libertar o Amapá da dependência da economia do contracheque. "Ele falhou. Ele enganou o povo e tornou o Amapá cada vez mais dependente do dinheiro púbico e do contracheque do funcionalismo".

Sem expectativas de mudanças a curto e médio prazos
Capiberibe lembrou que os números não podem ser contestados porque o titular do Ministério do Trabalho, ministro Carlos Lupi, é do do PDT, partido do governador Waldez Góes. "Como explicar que enquanto o governo Waldez criou quase quinhentos desempregados no primeiro semestre, o estado do Acre gerou mais de quinhentos trabalhadores de carteira assinada e Rondônia gerou mais de 2,7 mil postos de trabalho formal?", que stionou .

Mais grave ainda, disse o deputado do PSB, é que o cenário está se agravando justamente quando o Brasil começa a sair da crise econômica. No entanto, no Amapá as perspectivas de mudança a curto e médio prazo são mínimas.
Para o pessebista, o cenário de ruína hoje facilmente observado em quaisquer dos 16 municípios amapaenses é resultado de políticas econômicas equivocadas, desastrosas e irresponsáveis. "Ou seja, é a prova inconteste de que não existiu e nem existirá preocupação com a implementação de uma política econômica pelo governo do 'senhor' Waldez Góes".

Capiberibe finalizou denunciando que ao invés de se preparar para combater os efeitos da crise mundial, o governo Waldez fingiu que eles não existiam. "Quem está pagando o preço são os cidadãos e cidadãs que padecem com o desemprego". (E.R.)