Siderúrgicas do Pará causam estrago gigantesco na Amazônia


O Ibama acusou usinas siderúrgicas do Pará de comprarem carvão feito com árvores retiradas ilegalmente da floresta amazônica. O equivalente a 550 mil carretas repletas de toras.

As árvores queimam em carvoarias clandestinas. Só no Pará são pelo menos 20 mil fornos que funcionam sem autorização. Produzem carvão que é vendido para as siderúrgicas de Marabá que fabricam ferro-gusa, principal matéria-prima do aço.

O Ibama diz que o carvão ilegal é negociado abertamente no pólo siderúrgico. Fornecedores e funcionários das empresas confirmam que o produto pode ser comprado ou vendido sem nenhuma documentação.

Segundo o Ibama, quatro siderúrgicas do Pará provocaram um estrago gigantesco na Amazônia ao comprar carvão feito com árvores da floresta. O levantamento indica que as siderúrgicas consumiram de maneira ilegal o equivalente a 555 mil carretas de toras.

As empresas foram multadas em mais de R$ 200 milhões, mas, de acordo com o Ibama, seguem comprando carvão sem origem. Para tentar conter o crime ambiental, o Ibama ingressou com ações na Justiça contra as siderúrgicas. Quer que as empresas paguem indenizações de cerca de R$ 800 milhões pelos danos causados ao meio ambiente ou façam o replantio das árvores.

"Se não for feito, o caminho natural vai ser a suspensão das atividades, mas nós queremos deixar bem claro que não é o nosso objetivo. Nós queremos que as empresas funcione, rendendo divisas, promovendo empregos, mas que executem as suas atividades de forma auto-sustentável", diz Aníbal Pessoa, superintendente do Ibama/ PA.

Das quatro siderúrgicas denunciadas, a Cosipar, a Simara e a Usimar não quiseram gravar entrevista. A Ibérica declarou que não utiliza carvão de origem ilegal.

 

(Rede Globo)