Educação de qualidade é meta do PDE

O plano também prevê a criação de um piso nacional de professores

Ao explanar os efeitos positivos do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) no Teatro das Bacabeiras, na terça-feira, 07, por ocasião do lançamento do Programa em Macapá pelo ministro Fernando Haddad, a secretária nacional do Ministério da Educação, Maria do Pilar Lacerda Almeida e Silva, explicou que o objetivo central doplano é uma educação básica de qualidade.

"Essa é a prioridade do PDE, que tem, também, como escopo, o investimento na educação básica, profissional e superior, porque elas estão ligadas direta ou indiretamente", explicou a educadora, acrescentando que "tanto pais, alunos, professores e gestores têm que arregaçar as mangas, sempre em iniciativas que busquem o sucesso e a permanência do aluno na escola".

Para Pilar, o importante não é mesclar no aluno somente a conquista do alvo da aprovação, e sim somar a esse objetivo toda uma estrutura básica que vai desde uma boa alimentação regionalizada, um equilíbrio entre o ambiente familiar e o ambiente escolar, que se inserem como garantias básicas de uma boa aprendizagem.

A alfabetização do estudante, até os 8 anos de idade, é um processo que o MEC vem desenvolvendo há bastante tempo, sempre ligado ao preceito constitucional de que lugar de criança é, também, na escola. A secretária do MEC vai mais além: "A alfabetização de jovens e adultos também receberá atenção especial a partir deste plano. Não adianta termos uma boa educação infantil até os oito anos, se essas crianças não têm acesso a uma educação continuada, e é nesss intermédio entre a educação infantil, o ensino fundamental e o ensino médio, que o Plano quer calcar mais raízes".

Evasão Escolar
A evasão escolar é um dos grandes males que o sistema nacional de Educação está combatendo. Avalia a educadora do MEC, que o importante é ver as causas primeirasdesse evasão, como o acompanhamento individual do educando que possui baixafrequência. "Temos que fazer uma avaliação bastante profunda, que vai desde o ingresso desse estudante na sala de aula, a ambiencia familiar, o relacionamento com os professores e o seu rendimento escolar".

A educadora avalia que muitas vezes o educador brasileira de alunos de ensino fundamental e básico leva mais em conta a avaliação quantitativa. "Não está na horade avaliarmos nossos educadores não somente com notas azuis e vermelhas que oaprovarão ou o reprovarão, e ir mais adiante... para encontrar respostas à sua avaliação no próprio desempenho de cada um? A nota de classificação nem sempre é aideal. Será que estamos realmente avaliando com critérios racionais os nossos alunos?", diz a educadora.

Magistério A implantação de um plano de carreira para os profissionais da Educação foi outro assunto abordado pela educadora Maria Pilar, e está contemplada no Plano. "A criação de um piso salarial nacional dos professores, a ampliação do acesso dos educadores à universidade, a instalação de laboratórios de informática em escolas rurais, entre outros, são assuntos que vão merecer, deste PDE, menções honrosas, porque não podemos esquecer dos grandes regentes da Educação em todo o Brasil, que fazem da sua vida uma verdadeira olimpíada pela sobrevivência", lembrou a educadora, que foi bastante aplaudida pelos estudantes que lotaram as galerias do Teatro ao mencionar que "diretor de escola não pode ser escolhido por indicação política".

Sobre esse assunto, Maria Pilar Lacerda de Almeida e Silva frisa que é necessário analisar se realmente os dirigentes de escolas são educadores e se têm o mérito comprovado de dirigir uma escola. "Lembramos a todos que dirigir uma escola é dirigir pessoas, almas, educandos, educadores, e por isso mesmo o regente da instituição tem que conduzir todos os instrumentos necessários da grande orquestra, para que todos, em uníssono, possamos sempre optar por qualidades, sem critérios de exclusão".

Educação Profissional
Outro fator decisivo do PDE é a criação de institutos federais de educação
profissional, científica e tecnológica. No caso do Amapá, o Governo do Estado irá contemplar o antigo Centro Interescolar Graziela Reis de Souza num Centro de Referência para Educação Profissional. "A intenção é que instituições como estas funcionem como centro de excelência na formação de profissionais para as mais diversas áreas da economia e de professores para a escola pública", disse Pilar.

Por último, a educadora do MEC exortou toda a sociedade amapaense para se unir às classes da Educação (professores, dirigentes de escolas) para que os objetivos preconizados pelo PDE sejam alcançados. "Professores e pesquisadores, além de ex-ministros da Educação, foram convidados a contribuir para a construção deste Plano", finalizou a educadora, acrescentando que este Plano só poderá dar certo se toda a sociedade brasileira for ouvida, e se forem levadas em contas todas as situações, como a valorização do magistério, os esforços contra a evasão escolar, e a interação permanente e cotidiana entre pais, alunos e professores. "Enfim, podemos dizer sem exageros que o PDE não poderá ser apenas um projeto do Governo Federal. Tem que ser um projeto de todos os brasileiros".