Guarda Municipal tumultua manifestação estudantil

Macapá, 8/8/2007 - A manifestação dos estudantes da rede municipal e estadual de ensino de Macapá com relação ao reajuste da tarifa de transporte coletivo de R$ 1,50 para R$ 1,75, terminou em agressão por parte do Grupo Tático Operacional (GTO) da Guarda Municipal. O movimento estudantil, entoando a chamada “estudante na rua, João a culpa é tua”, se reuniu à frente da residência do prefeito João Henrique Pimentel (PT), localizado à Avenida FAB.

Segundo informações prestadas por um aluno da escola Tiradentes, que pediu para não ser identificado, os estudantes estavam realizando uma manifestação pacifica, até os guardas municipais chegarem e iniciarem o tumulto e a violência. Esta versão foi confirmada até pelos policiais militares que foram destacados para acompanhar a manifestação. Um dos guardas municipais, que é a da segurança pessoal do prefeito, foi flagrado com uma arma de fogo na cintura, o que configura crime.

A Farmácia Popular de Macapá, localizada ao lado da residência do prefeito, serviu de “prisão” para os estudantes que se envolveram no tumulto com os guardas municipais. Ao adentrar na Farmácia, o deputado estadual Camilo Capiberibe (PSB), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa, se deparou com os estudantes presos e algemados e questionou sobre a situação, e instantes depois conseguiu que os policiais militares retirassem as algemas.

Deputado Camilo Capiberibe é agredido com ovos

O parlamentar Camilo Capiberibe, que é presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa, foi até o local averiguar denúncias de maus tratos aos estudantes e com a intenção de garantir a segurança dos manifestantes. Enquanto conversava com o comandante da operação da Polícia Militar e com o chefe da guarda, o socialista Capiberibe, foi atingido com ovos pelas costas. O ovo atirado atingiu também o policial e o guarda municipal. De acordo com testemunhas que viram a agressão ao deputado, os ovos atirados partiram de pessoas ligadas ao prefeito de Macapá.

Ao final da manifestação, o deputado Capiberibe falou aos estudantes que sua presença na manifestação foi para garantir o direito constitucional deles de se manifestarem contra o aumento abusivo, concedido pela Justiça e pelo prefeito João Henrique Pimentel. “O direito de manifestação do pensamento foi conquistado ao custo de muita luta e de algumas vidas humanas e é por isso que ele deve ser preservado a todo custo contra a intolerância e o espírito autoritário”.

Guarda pessoal do prefeito estava armado na manifestação.

Um membro da guarda municipal de nome Beah, que faz parte da guarda pessoal do prefeito, estava portando uma arma automática de uso privativo das Forças Armadas (ver foto). A Guarda Municipal não tem autorização para andar armada e nem poderia estar em meio a um tumulto portando arma de fogo, o que poderia representar um sério risco para o cidadão e para a cidadã macapaense. “Será preciso averiguar com autorização de quem aquele rapaz estava portando arma privativa das Forças Armadas em pleno espaço público” disse o deputado Camilo Capiberibe, que testemunhou o fato. Capiberibe disse ainda que vai buscar saber se Beah tinha licença para andar armado e em caso contrário porque ele não teve a arma apreendida pela Polícia Millitar, ou afastado do local pelo seu superior hierárquico.

Alertado de que a imprensa estava fotografando a arma, Beah foi afastado do local. O fato é ainda mais preocupante, disse o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa, na medida em que os guardas municipais não são preparados para portar armas em situação nenhuma quanto mais em ocasiões tensas como a que aconteceu na manifestação estudantil em frente à casa do prefeito.


Raul Mareco

Assessor de Imprensa - Deputado Estadual Camilo Capiberibe (PSB-AP)