Caminhada vai marcar Dia Nacional da Pessoa com Deficiência

O Núcleo de Educação Especial da Secretaria de Estado da Educação (Nees/Seed) realiza no dia 19 de setembro, sexta-feira, uma caminhada que vai marcar o Dia Nacional da Pessoa com Deficiência. A data é comemorada em 21 de setembro, mas a comemoração será antecipada.

A caminhada terá como percurso a Avenida FAB, com destino à Praça da Bandeira, onde haverá um ato público, com a participação da Banda de Música do Corpo de Bombeiros, apresentações de alunos com necessidades educacionais especiais nas áreas de Deficiência Mental, Visual, Auditiva e Física.

De acordo com a professora Alice Oliveira, chefe do Núcleo, todos os professores, pais de alunos e estudantes do Ensino Especial estão convidados. A idéia é que todos usem camisas ou lenços brancos, para simbolizar a luta dos deficientes e também numa referência ao Dia Mundial da Paz, também comemorado em 22 de setembro.

Alice Oliveira explica que em todo o Brasil ações semelhantes lembram o Dia Nacional da Luta da Pessoa com Deficiência, uma campanha em defesa da acessibilidade em todo o Brasil. O objetivo é incentivar a reestruturação das cidades brasileiras, buscando a construção de espaços acessíveis às pessoas com deficiência e adaptando os já existentes, para poder atender todas as pessoas.

Segundo a chefe do Núcleo, os grandes problemas são os prédios de uso público, que ainda não apresentam condições ideais de acessibilidade. Além da obrigação de hospitais, lojas e restaurantes que tenham estruturas adequadas. "Mas, não basta ter a lei, ela precisa ser cumprida e isso só é possível com cobrança", destaca.

Por isso, além de realizar a caminhada no dia 19, na segunda-feira, dia 22, professores da Educação Especial irão ocupar a tribuna da Assembléia Legislativa para ler um documento que descreve as ações do Nees e chama a atenção dos deputados para que produzam e aprovem projetos que garantam a inclusão de pessoas com deficiência, visto que esse público, somente em Macapá, ultrapassa os 37 mil, segundo dados do IBGE. O pedido para que os professores ocupassem a tribuna foi formulado pelos deputados Keka Cantuária (PDT) e Edinho Duarte (PMDB).

Para o sociólogo Renivaldo Costa, que atua na área de Deficiência Mental há quatro anos, a grande dificuldade e prioridades dessa luta é a educação, já que grande parte das escolas, principalmente, as estaduais, ainda é inacessível, tanto na questão física, quanto pedagógica. "No Brasil, 22% dos deficientes são analfabetos e a repetência entre crianças e jovens com deficiência é quatro vezes mais. Eu e meus colegas temos percorrido escolas para sensibilizar os alunos e os gestores e dar mais valor social aos deficientes".

Ele também destaca que é importante todos lutarem pela causa dos deficientes, e garantir a inclusão deles, para que possam ter uma vida normal e desfrutar de todos os serviços e lazer que eles tem direito. "Isso só é possível com essa luta. As pessoas com deficiência devem buscar sempre seus direitos, junto aos órgãos, e às autoridades se conscientizarem de que espaços públicos sem condições de acessibilidade são inaceitáveis".

O Nees tem como parceiros do evento instituições que trabalham com deficientes, como a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), Associação dos Deficientes Visuais do Amapá (Adevap), Associação dos Deficientes Físicos do Amapá (Adefap) entre outros. A concentração será as 16 horas, em frente a Seed.