Camilo denuncia superfaturamento na merenda escolar


Macapá, 12/09/07 - Após o escândalo do desvio de dinheiro do setor de saúde do Amapá, descoberto pela Polícia Federal através da Operação Antídoto, mais uma denúncia de corrupção nas bases do governo PDT veio à tona na manhã desta quarta-feira (12) na Assembléia Legislativa, através do deputado estadual Camilo Capiberibe (PSB), que tornou público esquema de superfaturamento no preço dos produtos alimentícios destinados a merenda escolar dos estudantes da rede de ensino público do Amapá.

A assessoria do deputado do PSB percorreu alguns supermercados e mercantis da cidade de Macapá, e comparou o valor do preço dos alimentos que são comercializados por estes estabelecimentos com o valor do preço que consta na lista de empenhos da Secretaria de Educação que efetuou compra da CR Distribuidora LTDA. O deputado estadual Camilo Capiberibe (PSB) levou os mesmos produtos, comprados nos supermercados, para o plenário da Assembléia Legislativa e, para a surpresa de todos os deputados, sociedade e imprensa presentes, ecoou a denúncia realizando a comparação que comprova o superfaturamento.

“Preço de macarrão italiano” - Além da contratação de uma empresa sediada fora do Estado, o que segundo o parlamentar Camilo já é um ponto negativo, alguns alimentos que estão sendo comprados e servidos aos estudantes amapaenses são de péssima qualidade. Um exemplo que foi descoberto pela pesquisa da assessoria é o macarrão da marca Araguaia que, na Distribuidora CDN custa R$ 0,85, no Mercantil Vitória R$ 1,30, e o preço pago pelo governo chega a R$ 3,42, ou seja, quatro vezes o valor real, “mais caro até do que marca de macarrão italiano”, segundo o socialista.

Outro produto comprado pelo governo é o biscoito cream cracker da marca Trigolino, que é comercializado a R$1,59 no supermercado Fortaleza, R$1,49 no supermercado Santa Lúcia e R$1,31 no supermercado Favorito, enquanto que a Secretaria de Educação pagou um valor três vezes superior: R$ 4,96. Funcionários dos supermercados disseram que os biscoitos desta marca são os de pior qualidade e “encalhariam” nas gôndolas. “Como o senhor Adauto Bittencourt (secretário de estado) pode justificar que estão cometendo este tipo de indecência e descalabro com as crianças e adolescentes do Amapá? Como pode permitir que o dinheiro da merenda escolar esteja sendo usado para essa prática, que além de superfaturar os preços oferece uma alimentação de péssima qualidade para nossos estudantes? Isto é um tremendo absurdo”, criticou duramente o deputado socialista.

As almôndegas enlatadas (ao molho de estrogonofe e a o molho de tomate) da marca Oderich, foram compradas pelo governo a um custo estratosférico de R$ 8,59 a unidade, enquanto que nos supermercados, o mesmo produto considerado de melhor qualidade, da marca Bordon, é vendido por R$ 4,69 (Fortaleza) e R$ 4,65 (Favorito). A marca Oderich é uma empresa subsidiária da Bordon. Só para se ter uma idéia do gasto do governo com alimentos superfaturados, o biscoito do tipo cream cracker da marca Trigolino, custou para os cofres públicos, segundo informa o próprio site do governo, através da Consulta On Line das Despesas do Governo do Estado do Amapá (clique aqui) R$ 14.046,72 por 2832 pacotes. Se o mesmo produto fosse adquirido do supermercado Favorito, por exemplo, o governo gastaria apenas R$ 3.709,92 pela mesma quantidade de biscoitos.

Os deputados da base de apoio ao governo ficaram surpresos com a denúncia, apoiando a iniciativa do deputado Camilo. “Realmente é estarrecedor este superfaturamento, ainda mais por se tratar da merenda escolar dos nossos estudantes. Se o governador, ao tomar conhecimento da denúncia não tomar nenhuma providência, ele estará sendo conivente. Alguém tem que responder por este crime contra o povo amapaense”, disse o deputado Jorge Salomão (DEM). O deputado Dalto Martins (PMDB) disse que Camilo está prestando o verdadeiro serviço da oposição, e completou sustentando que “o senhor Adauto precisa vir até esta Casa de Leis para se explicar sobre estas graves denúncias, assim como o governador também, porque não se realmente isto está ocorrendo, está sendo conivente”. O líder do governo na AL, parlamentar Roberto Góes (PDT) disse que irá conversar com o governador Waldez Góes a respeito de uma investigação detalhada sobre a denúncia do deputado Camilo.

Raul Mareco