Vá se catar Jobim

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, como constituinte burlou o texto da Carta Magna na calada da madrugada, como ministro da Justiça foi pífio, usou o STF como trampolim para uma possível candidatura a vice-presidente na chapa de Lula, tentou presidir o PMDB, mas foi incentivado a desistir, ganhou como consolação o Ministério da Defesa.

Em poucos meses no cargo, já demonstrou que está mais interessado em criar factóides, que o mantenha na mídia, do que propriamente resolver os problemas da pasta.

Nesses meses, já se travestiu de bombeiro, de general por duas vezes, uma na selva amazônica e outra no Haiti, reclamou do tamanho das poltronas dos aviões, não conseguiu descongestionar Congonhas transferindo vôos para o Tom Jobim, Confins e Cumbica, anuncia, agora, o encurtamento da curta pista de Congonhas e agora diz uma besteira incomensurável sobre os baianos.

O mais novo tropeço de Jobim aconteceu no encontro promovido pela Organização Marítima Internacional, uma agência da ONU (Organização das Nações Unidas), num resort localizado na praia de Guarajuba, em Camaçari, na Bahia.

Logo após cumprimentar as autoridades, entre as quais o governador em exercício da Bahia, Edmundo Pereira (PMDB), Jobim afirmou, num improviso para saudar 200 marinheiros e representantes de ONGs, que os baianos não gostam de trabalhar.

"Não trabalhem demais, porque isso baiano não gosta", afirmou, dirigindo-se aos marinheiros e representantes de ONGs.

Cobrado pela imprensa, que acompanhava a solenidade, pela frase, Jobim tentou colocar o galho dentro, como dizem os cariocas, refazendo as pressas a frase dizendo:

"Não disse que o baiano não gosta de trabalhar. Disse que o baiano é inteligente, que sabe que trabalhar, e só trabalhar, dá neurastenia e intolerância. Agora, trabalhar com lazer e prazer, que é que o baiano faz, é o que traz a possibilidade de sorrir."

Mesmo na tentativa de remendar o soneto, Jobim não conseguiu esconder o traço preconceituoso do seu perfil, pois isso é muito difícil para personagens que se julgam acima de outros semelhantes.

O ministro não cometeu uma gafe, pois os prepotentes e arrogantes, como ele, não cometem gafes, ao contrário são useiros e vezeiros em ofender os que ele não considera, e neste cesto estão incluídos os baianos, que ele deve considerar uma sub-raça nordestina.

Jobim é um borra-bosta, que come sardinha e arrota caviar. Talvez ele, ainda, esteja magoado, pelo fato que os “preguiçosos baianos”, com muita competência retiram a Ford dos pampas, para transformar a unidade baiana na segunda mais produtiva da montadora no mundo.

O Brasil vive uma quadra de personagens políticos deploráveis, coincidentemente abrigados no PMDB, tipos como Almeida Lima, Gilvam Borges, Wellington Salgado e Nelson Jobim se equivalem. Eles não resistem aos holofotes, câmeras de TV e microfones. Diante destes equipamentos são capazes de dizer as maiores tolices.

Os baianos não querem retratação e pedido desculpas, pois estão pouco se lixando com o que Jobim pensa ou diz deles, pois sabem que ele só abre a boca para dizer besteiras.

Para os baianos, é melhor que Jobim vá se catar.

Chico Bruno