Seita pede doação para comprar rádios
O Globo

Esquema pode contrariar normas de concessão de emissoras, segundo ministério

A Igreja Universal agora adota carnês e boletos bancários para recolher doações de fiéis e usa isso até para ampliar sua rede de rádios, como mostrou ontem reportagem do "Extra". Em culto na Praia de Botafogo, na última sexta-feira, com 700 mil pessoas, foram distribuídos carnês e boletos para doações com o objetivo de, segundo o texto do carnê, ampliar o grupo de comunicação da Universal.

"A mídia é um canal valioso", diz o carnê. O fiel, chamado de auxiliar, é convidado a colaborar: "Daí a importância dos auxiliares para a ampliação do trabalho das rádios, pessoas que entendem o valor dessa iniciativa e têm depositado, voluntariamente, suas contribuições nos bancos". Há instruções: depois de fazer o depósito, o fiel deve entregar o comprovante. A partir daí, diz o carnê, o bispo Edir Macedo, líder da Universal, vai orar pelo auxiliar.

A coleta de doações para financiar a expansão da rede de rádios pode contrariar normas de concessão e outorga de emissoras no país, segundo o Ministério das Comunicações.

Pelas leis do setor, a permissão para o uso de ondas sonoras tem que ser alvo de licitação pública e concorrência entre os interessados. O processo não envolve contrapartidas financeiras. A Universal poderia reunir recursos para modernizar e adquirir equipamentos das rádios já existentes, mas não para comprar novas emissoras.

Apesar de o comércio de concessões ser proibido, empresas compram irregularmente outorgas concedidas a terceiros, admitiu um funcionário do ministério ao GLOBO. Para combater isso, o governo lançou no mês passado campanha de recadastramento de todas as emissoras de rádio e TV do país.