Começa o 2º Festival Macapá de Cinema e Vídeo

A ausência do tapete vermelho, praxe em eventos de cinema Brasil afora, não diminuiu o glamour da passagem pelas escadarias do Teatro das Bacabeiras na noite de domingo (23/9). Diretores, produtores, atores e um público relevante (considerando as peculiaridades locais e ainda a recente promoção da cultura audiovisual no Estado e sua lenta propagação), compareceram a abertura do 2º Festival Macapá de Cinema e Vídeo.

A atriz Ingra Liberato comandou o cerimonial ao lado de André Luiz Gomes. Eles anunciaram a exibição dos dois primeiros filmes da Mostra Competitiva: “O Som da Luz do Trovão”, de Petrônio Lorena e “Eu me Lembro”, de Edgar Navarro, premiadíssimo no Festival de Brasília, com sete Candangos: melhor filme, roteiro, atriz principal, ator e atriz coadjuvante, prêmio da crítica e melhor direção. O público reagiu com entusiasmo às histórias, principalmente ao enredo de Edgar Navarro, recheado de polêmica e cenas um tanto o quanto picantes.

A exibição dos filmes teve aliada fundamental, que se repetirá durante todo o evento: a qualidade dos equipamentos de imagem e som, responsáveis pela projeção das películas. Os equipamentos, orçados em aproximadamente 150 mil reais, são compostos por dois projetores 35 milímetros, equipamentos de som, caminhão e ônibus com todas as ferramentas do Cinema Voador, os filmes que serão exibidos no evento e tela para projeção ao ar-livre.

Para se ter idéia dessa qualidade, o coordenador geral do evento, Márcio Curi, explica que “a vinda dos equipamentos Autec significa superioridade visual e acústica incomparável ao do primeiro festival, ocorrido em 2005. A Autec é a projeção padrão dos festivais brasileiros, o que há de melhor na tecnologia audiovisual e é essa qualidade que estamos trazendo ao Amapá”.

Esta é a preocupação de todos à frente da coordenação do Festival: aliar lazer, cultura e qualidade, no intuito de que, em longo prazo, o Amapá também possa figurar como referência no circuito audiovisual nacional, a partir da capacitação e troca de conhecimentos entre os produtores locais e de outros estados. “Nós queremos colaborar para que os realizadores do Amapá possam se candidatar com maior êxito aos certames de apoio áudio-visual de expressividade nacional, como os do Ministério da Cultura (MINC), Petrobrás, Banco Itaú, Furnas, OI Cultural, Agência Nacional do Cinema (Ancine), entre outros”, enfatiza Curi.

É por isso que o Festival de Cinema foi preparado com uma série de eventos distintos: oficinas de técnicas e práticas no cinema, exibição de filmes nacionais e regionais e a ida do cinema aos bairros Marabaixo II, Zerão e na Rodoviária. Do dia 22 a 29 de setembro Macapá será um celeiro das artes visuais, no qual o cinema promoverá um verdadeiro intercâmbio cultural. Visite o site do Festival e saiba mais: www.festivalmacapa.com.br.

Confira o roteiro desta segunda-feira

Hoje a programação começa cedo. Pela manhã, das 8h às 12h têm oficinas de cinema, para quem se inscreveu em uma das 3 temáticas oferecidas: Roteiro e linguagem cinematográfica - no Teatro Porão; Produção, formatação de projetos, na sala Charles Chaplin e Processo de produção da idéia à finalização, no salão de eventos. Todas nas dependências do Sesc Araxá. Ainda no Sesc, às 4h da tarde, acontece o segundo dia da Mostra Amapaense, com a exibição dos filmes: O Vaso, de Marcos de Oliveira; O Arroto do Boitatá, de Sandra Rocha; A missão, de autoria de um grupo de alunos da Escola Joanira Del Castillo e Macapá pra se viver, de Thomé Azevedo.

Às 19h a programação segue, mas desta vez é o cinema que vai até a população. Com uma estrutura padrão de cinema itinerante, o Cinema Voador, um ônibus com telão e projetores 35 mm, leva a magia das ficções "Tepê" (curta), de José Eduardo Belmonte e o longa "A Marvada Carne, de André Klotzel. Para quem quiser assistir, basta levar sua cadeira preferida e a pipoca.

Já à noite, dando prosseguimento a Mostra Competitiva, é a vez dos filmes "Dia de Folga, de André Cavalheira. Um curta que relata o dia de folga de um trabalhador e o longa Árido Movie, de Lírio Ferreira. O filme conta a história de um famoso repórter do tempo que mora em São Paulo, retorna à sua cidade-natal, no interior do Nordeste, para o enterro do pai, que foi assassinado. Lá, ele encontra uma parte da família que ainda não conhecia e lhe cobra vingança pela morte do pai. Com Giulia Gam, Selton Mello, luiz C. Vasconcelos e Matheus Nachtergaele.

Rita Torrinha