Pirarucu: maior peixe amazônico se transforma em vedete da piscicultura mundial e precisa ser viabilizado comercialmente - 16/09/2007

Local: Rio Branco - AC
Fonte: Página 20
Link: http://www.pagina20.com.br/
Juracy Xangai

Dois terços de todo o pescado que havia no início do século XX nos mares, rio e lagos do mundo já foram consumidos e a natura não consegue mais atender o ritmo de consumo da humanidade e só este fato bastaria para justificar que a criação de peixes seja hoje a atividade de criação animal que mais cresce no mundo.

A Universidade de Kagoshima, no Japão, está estudando a criação comercial do pirarucu, a Holanda faz o mesmo há vários anos, além de outros países que já entraram na corrida para transformar em produto comercial de larga escala o maior peixe da Amazônia, por isso, se nó não nos apressarmos em desenvolvermos nossa criação, produtos e conquistar o mercado, alguém fará!"

A advertência é feita Eduardo Ono engenheiro agrônomo pela Universidade de São Paulo (Usp) e mestre em aqüicultura pela Universidade de Auburn nos Estados Unidos e vice-presidente da Comissão Nacional de Piscicultura da Confederação Nacional da Agricultura (CNA).

Trabalhando com criação e pesquisa do pirarucu há 15 anos, Ono esteve visitando os piscicultores do Panorama, em Rio Branco e do Pólo Agroflorestal Dom Moacir no Bujari, nesta semana como consultor do Projeto Estruturante do Pirarucu que vem sendo desenvolvido pelo Serviç Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-Nacional).

Esforço concentrado
O projeto está sendo desenvolvido nos estados do Acre, Rondônia, Amazonas, Amapá, Roraima e Tocantins. Em cada um deles estão sendo montadas de uma a três estações de pesquisa e desenvolvimento comercial que servirão como unidades de demonstração e oferecerão suporte técnicos aos futuros criadores de pirarucu. Os filhotes estão sendo produzido por uma piscicultura de Pimenta Bueno, em Rodônia.

Com os pés no chão, ou se preferir, na água, ao invés de sir distribuindo alevinos de pirarucu para todos que por ele se interessarem, o projeto que têm um tempo de duração prevista em três anos, vai focar seu trabalho na observação de três ciclos de engorda dos animais.

O trabalho começa com as estações recebendo 300 filhotes juvenis, com idade média de quatro meses e de 20 a 25 centímetros de comprimento. Estes serão divididos em grupos que serão alimentados com várias formulas de ração balanceada, alimentos alternativos ou a pasto, ou seja, colocados em açudes onde já se criam tambaquis e outros peixes de interesse comercial para que comam pragas como as traíras, piabas e outros que concorrem comendo a ração destinadas aos peixes desejados pelo mercado.

As criações também serão distribuídas diversos como lagos, tanques rede, açudes e tanques escavados para tesar seu comportamento, possíveis vantagens e desvantagens, ou adaptações necessárias pra cria-los em cada um desses ambientes.

"Embora tenhamos a nosso favor o fato de que o pirarucu é um peixe amazônico e nós estamos trabalhando na Amazônia, além da criação em escala ser diferente da que se pratica hoje extrativamente, há na região diferentes condições ambientais como tipos de água e alimentos disponíveis", esclarece.

Outro ponto fundamental a ser considerado é a logística na definição da área e do tipo de futuros criadores ao quais a atividade estará voltada. Isso explica o porque das duas estações experimentais acreanas estarem instaladas em Rio Branco e Sena Madureira, ou seja, pela facilidade de transporte de ração e outros produtos, bem como dos técnicos que poderão acompanhar seu desenvolvimento de forma mais acurada.

"A questão logística, ou seja, de transporte, abastecimento e comercialização determinará o tipo de criação e de criadores teremos em cada região ou municípios de um mesmo Estado. Ou seja, mais do que atingir metas com dezenas ou centenas de criadores, estamos preocupado em garantir a viabilidade desses negócios que precisam ser sustentáveis do pontos de vista econômico, social e ambiental", garante.

Neste primeiro momento os resultados são animadores tanto na criação a pasto quanto na criação com ração, mas isso nunca foi medido cientificamente. Um juvenil chega ao final de seu primeiro ano de engorda (ano e meio de vida) com 14 quilos, aqui em Rio Branco um criador conseguiu 22 quilos, mas nós na sabemos exatamente quanta ração ou quanto de peixes menores ele comeu par engordar esse tanto.

"Estamos testando diferentes tipos de ração porque em algumas delas ele conseguiu engordar um quilo para cada 1,3 quilo que comeu, isso é uma taxa extraordinária que precisa ser confirmada em condições de replicação, ou seja, que possa ser repetida por outros criadores em diferentes ambientes".

Além de desenvolver sistemas de criação, determinar gargalos que a atrapalhem e propor soluções, depois cadastrar e orientar os futuros criadores, a equipe do projeto estruturante também pesquisa e estimula o desenvolvimento de pratos e produtos à base de carne do pirarucu que embora tenha consumo corrente na Amazônia, e praticamente desconhecido pelo mercado brasileiro e menos ainda no internacional.

O mundo quer peixe
Citada sempre entre as mais saudáveis fontes de proteína animal, o pescado e mais especialmente o pirarucu encanta pela aparência, textura e pelo sabor de uma carne com identidade tipicamente amazônica, o que leva a seu abate ilegal.

Segundo Ono, há o consumo legal de pelo menos duas mil toneladas de carne de pirarucu a cada ano. "Estimando muito positivamente, esse volume talvez não represente mais do que 20% das mais 10 mil toneladas que são consumidas pela opulação. Isto é uma pequena mostra do imenso potencial comercial deste pescado, já que grandes mercados internos como o de São Paulo não tem hábito de consumi-lo, mas se jogarmos isto para o mercado internacional podemos multiplicar por dez as projeção de venda. Como disse, isto é apenas projeção, pois se fizermos a lição de casa bem direitinho, ainda levaremos vários anos para chegar lá".