ACIDENTE COM VITIMA FATAL REACENDE DEBATE SOBRE TRANSPORTE CLANDESTINO

Um acidente com vitima fatal ocorrido nesta terça-feira, 23, na BR-210, próximo à entrada do bairro Brasil Novo, trouxe à nova esta semana a problemática do transporte clandestino que opera em rotas intermunicipais.

O acidente envolveu um caminhão de placas NEN 8333, pertencente a uma empresa de materiais de construção, e uma picape Hillux de placas HJH 8298, de Cuiabá. De acordo com populares que presenciaram o acidente, a picape vinha em alta velocidade e não conseguiu frear a tempo nem desviar do caminhão, que reduzia a marcha por conta dos redutores da pista. Um aposentado de 79 anos, que vinha do Oiapoque, morreu na hora. O motorista foi levado ao Hospital de Emergências em estado grave.

De acordo com policiais que atenderam a ocorrência, o veículo era usado em transporte irregular de passageiros, principalmente entre Macapá e Oiapoque. A informação foi confirmada pelos familiares da vítima, que disseram que os passageiros da picape vinham para Macapá regularmente a serviço e retornavam no mesmo veículo.

O diretor executivo do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros, Renato Honório, lamentou o acidente e disse que a entidade vem tentando realizar campanhas para esclarecer autoridades e a população sobre os riscos do transporte clandestino. "Na data de 24 de Abril de 2007, protocolamos junto a Setrap nosso ofício nº 058/2007, sendo que jamais recebemos qualquer resposta sobre nosso pleito. Inclusive anteriormente em conversa com o ex-secretário Odival Moterrozo, o mesmo havia dito que temia ir contra interesses dos clandestinos, pois está preocupado pela sua vida, já que havia sido ameaçado em sua residência por eles", denuncia.

Ele também declara que o grave acidente ocorrido nesta semana, deve servir de alerta às autoridades, e provocar medidas até mesmo do Ministério Público com relação ao que vem ocorrendo tanto nas rotas intermunicipais com muitos veículos clandestinos e no urbano com uma infinidade de motos clandestinas explorando a atividade de moto-taxi".

O empresário Laurindo Júnior, que possui uma empresa operando em linhas intermunicipais, argumenta que o transporte clandestino, além de ser uma prática ilegal, contribui para o ingresso de criminosos e pessoas em estado ilegal. Isso sem falar nas bagagens transportadas, já que facilita a não identificação de seu portador.

"A cada dia observamos a dificuldade das empresas em operar regularmente as linhas. Com o número de passageiros reduzido, o custo fica mais elevado, dificultando o bom desempenho operacional", explica.

O Setap também denuncia essa situação está provocando uma crise econômico-financeira-institucional no Sistema de Transporte Rodoviário Intermunicipal e que a falta de ação de forças de repreensão a esta modalidade ilegal de transporte está fazendo com que ele fique cada vez mais fortalecido, impedindo o crescimento e expansão do transporte regular. "Precisamos o quanto antes debater o assunto, inclusive com o Ministério Público, que é o guardião das leis".