A Maquiagem de Roberto Goés.

Macapá entre 2004 e 2008 ficou sem prefeito, no entanto a maior parte da sociedade não conseguiu enxergar por que este fato foi devidamente escondido atrás da parceria nota dez de João e Waldez, que contou com a complacência e generosidade desta mesma imprensa que tenta superestimar as realizações do prefeito Roberto Goes, como forma de auto-afirmar um prefeito que tem pouca legitimidade uma vez que foi cassado quatro vezes por crimes eleitorais e que a sociedade amapaense sabe como se elegeu. Além disso, limpar a cidade, reformar e cuidar das praças são obrigações que a prefeitura deve fazer no dia a dia.

Apesar das praças, das luzes verdes e da badalação da mídia amestrada é importante enxergar o que há por trás da maquiagem, senão vejamos, o trânsito em Macapá nunca matou tanto em 2008 em 12 meses houve 39 mortes, média de pouco mais de 3 mortes por mês, agora em 2009 até metade do mês de setembro ou seja em 9 meses incompletos morreram 35 pessoas no trânsito em Macapá, uma media de 4 mortes por mês, o que deixa claro que de pouco vale a maquiagem da cidade para salvar vidas em um trânsito cada vez mais desorganizado, onde o centro da cidade e as vias de acesso para zona norte e zona oeste ficam travadas todos os dias nos horários de pico de meio dia e seis da tarde.

Este olhar mais atento pode ainda nos mostrar outras realidades que infelizmente estão debaixo do tapete, como o que vem ocorrendo no abrigo Marluza Araujo da prefeitura que abriga adolescentes abandonados ou em situação de vulnerabilidade social, houve esfaqueamento e abuso sexual de adolescentes dentro da dependência do abrigo. Outras dificuldades vividas pela área da infância e adolescência que é responsabilidade da PMM é a paralisação da obra do projeto Macapá, no valor de 2 milhões de reais financiados pelo BNDS, iniciada em 2008 que hoje está abandonada e que poderia esta abrigando o conselho tutelar da zona sul além de estar proporcionando varias outras atividades que estão previstas com a conclusão da obra. Ainda nesta área, os conselheiros tutelares vem reclamando da falta de condições de trabalho como telefones cortados, carros alugados contratados sem licitação e com pagamentos atrasados e dificuldade de diálogo com a prefeitura.

Outra área da PMM que nos chama atenção é a educação municipal que apesar de toda a propaganda, tem sofrido com o descaso e falta de planejamento, exemplo disso é a escola pequeno príncipe que por causa de atraso na reforma até hoje não iniciou o segundo semestre letivo, obrigando as crianças a ficarem em casa muitas delas em situação de risco uma vez que os pais trabalham e tem que deixá-las sozinhas em casa ao invés de levá-las para escola, outro fato lamentável é que poucas escolas tem o café, almoço e jantar como prometeu o Prefeito Roberto Góes e pior é que as escolas que não estão incluídas neste programa que são a imensa maioria vêm sofrendo com a baixa qualidade da merenda que continua o suco com a bolacha ou mingau, além disso, as cestas básicas entregues nas férias foram compradas sem licitação e foram doadas através de critérios questionáveis, segundo a PMM foram escolhidos os mais necessitados, mas é muito difícil fazer este tipo de escolha principalmente na rede municipal de ensino que lida exatamente com os mais pobres ficando assim muitas famílias que realmente precisavam sem receber o beneficio.

Além disso, tem promessas não cumpridas como o asfaltamento de 100 Km por ano na cidade. Estamos em setembro, no período sem chuvas e até agora apenas 3 km de asfalto caíram nas ruas de Macapá. Se tivéssemos uma imprensa séria não estaríamos fazendo análises baseadas num parâmetro de terra arrasada. A cobrança deveria se dar em relação aos compromissos assumidos na campanha que não estão sendo cumpridos.

Isto é somente uma pequena amostra que as coisas na PMM não vão tão bem quanto tentam fazer parecer, por isso é importante que possamos enxergar além da maquiagem e percebermos que esta brincadeira de maquiar nossa cidade pode custar caro para o cidadão principalmente se não houver a transparência necessária, por isso a PMM precisa vir a público e esclarecer quais e quantas licitações foram feitas, quais as empresas vencedoras e quanto custou cada maquiagem feita nas praças, hoje o cidadão passa nestes locais e não vê nem sequer a tradicional placa com valores, empresa e prazos de conclusão das reformas, transformando assim a PMM do Roberto Goes em uma verdadeira caixa preta guardada a sete chaves não se sabe o por quê?

Juliano Del Castilo Silva
Advogado e Secretario Estadual do Movimento Negro Socialista