Festival de Cinema premiará vencedores com Troféu Equinócio

Macapá, no Amapá, é a única capital brasileira cortada pela linha do Equador. Por conta disso, pelo menos duas vezes ao ano, os moradores da cidade têm o privilégio de assistir ao fenômeno chamado Equinócio, uma manifestação em que os raios do sol incidem diretamente sobre a linha do Equador. Nesse período, os dias e as noites têm a mesma duração em todo o planeta. A ocorrência desse fenômeno se dá em dois momentos: em março, conhecido como equinócio das águas e em setembro, chamado de equinócio de Outono.

O Equinócio pode ser observado do Monumento do Marco Zero. Além dos moradores da capital amapaense, o fenômeno costuma atrair estudiosos e turistas. Devido à estação chuvosa, o equinócio de março foi batizado como Equinócio das Águas, que se justifica pelo aumento do nível das águas favorecido pela atração astral.

Por esta peculiaridade e também por ocorrer no mês de setembro, exatamente no dia 23, é que a concepção do Troféu do Festival Macapá de Cinema e Vídeo tem como referência maior o Monumento Marco Zero, um dos principais pontos turísticos da capital do meio do mundo.

O troféu mede 35 centímetros de altura e 11 cm de base. Em sua composição destacam-se as madeiras louro-amarelo e acapú, harmonizadas ao acrílico e metal. O diferencial das 10 peças que serão confeccionadas para as premiações está na forma como foi feita a coleta das madeiras: encontradas às margens do Rio Amazonas, na orla de Macapá. Não se sacrificou uma árvore sequer.

O idealizador do troféu, juntamente com uma equipe, passou quase dois meses em busca dos materiais catados peça por peça e depois reciclados e beneficiados. Tudo ecologicamente correto, sem agredir a natureza e ainda, ajudando na manutenção do meio ambiente.

Desde a primeira edição do Festival de Cinema, em 2005, o troféu tem sido confeccionado pelo artista Agostinho Josaphat Barbosa, fundador de um dos mais representativos grupos artísticos do país, o Grupo Urucum. Formado por ativistas de todas as vertentes da arte, o grupo tem trabalhos expostos e publicados dentro e fora do Brasil, marcados por um movimento alternativo e de resistência promovido pelo Urucum.

O troféu está em fase de ajustes, mas o protótipo já foi aprovado pela coordenadoria do Festival de Cinema. Isabela Araújo, presidente do Centro de Estudos Cineclubistas de Brasília (Cecibra), afirma que o trabalho de Josaphat é de extrema qualidade:

“Não poderíamos ter selecionado melhor o artista para a criação do troféu. Josaphat tem uma história nas artes do Amapá e ele conseguiu expressar no modelo tudo aquilo que nós da coordenação pensamos para representar o Estado do Amapá e premiar os participantes com um troféu que dê orgulho de ser exibido, não só pela beleza, mas pela sua representatividade, nesta nossa proposta que é de contribuir com a fomentação da cultura do Amapá”.

Os troféus serão distribuídos nos três módulos de mostras. Sendo três para os melhores trabalhos da Mostra Amapaense; um para o melhor curta-metragem; três na Mostra Competitiva de longas, nas categorias melhor filme, ator e atriz; e um para exibição do filme “Hors concours”. Os demais ficarão com a coordenação do festival.

A premiação de outorga acontecerá no encerramento do Festival, no dia 29, às 20h30, no Teatro das Bacabeiras. Na ocasião o filme “O Dono do Mar”, de Odorico Mendes, baseado no romance de José Sarney, será exibido em caráter “Hors concours”.

Como serão escolhidos os vencedores:

Mostra Competitiva de longas e curtas metragens - o público elegerá o melhor filme, o melhor ator e a melhor atriz do II Festival Macapá de Cinema e Vídeo. A escolha se fará por votação direta, através de cédulas distribuídas pelo Festival.

II Mostra Macapaense de Vídeo - dedicada à produção audiovisual do Amapá. Um júri especialmente formado pelos escolherá os três trabalhos mais representativos da recente produção amapaense, que farão jus a troféus Equinócio.

Sobre o Grupo Urucum

O grupo foi criado nos anos 90 por Josaphat e Nonato Reis, com a proposta de trabalhar a visualidade amazônica e colocá-la em diálogo com a arte brasileira e internacional. O nome remete a um fruto originário da Amazônia, de cuja semente se extrai uma tintura vermelha, utilizada para pintar os guerreiros das tribos indígenas. Na cozinha, é utilizada também como corante de alimentos.

Por ter sido descoberto pelos índios, o nome também faz referência à resistência, a guerra, a força dos povos tipicamentes da amazônia. O grupo tem atuação em diversas atividades artísticas: criação de alegorias de escolas de samba, peças publicitárias, cenários e figurinos de teatro, mas é reconhecido e referendado pela experimentação em artes visuais e pelas propostas de intervenção no espaço de vivência da cidade e nos espaços da arte. Dentro do contexto social a obra visa levar ao publico uma arte real com temas reais que desperte a consciência dos homens para a realidade que os circunda, no caso do Amapá e a Região Norte, o meio ambiente.

Rita Torrinha