25 Anos do Bar do Abreu
Édi Prado - 06.092007

Os passarinhos não amanheceram felizes e cantando, só porque o Bar do Abreu completa, hoje, 25 anos de muita farra. Até porque no Abreu só tem água que passarinho não bebe. Os passarinhos cantam porque sabem e gostam de cantar. Mas nessa Reserva Alcoólica, existem os que também não mais sorvem este licor alcoólatra, como eu, Arli e outros poucos. Mas são algumas gotas de água doce e não destemperam o sabor desse mar revolto de alegria, nem desafinam o arraial dos papagaios e periquitas, nesta múltipla sinfonia de sons, gritos e risos.

E é nessa multiplicidade de desencontros que os membros da fauna desta Reserva alcoólica se harmonizam. Hoje é um dia especial para o Zé Ronaldo. O dia começa com uma alvorada da Liete, a companheira dele, cantando a extensa agenda desse dia, que começa com entrevistas em várias emissoras de rádio. Isso porque, algumas pessoas glorificam-se em apenas 15 minutos uma vez na vida. E só hoje, para ele será uma maratona de um grande astro. Isso porque existe uma cumplicidade antiga com a imprensa e principalmente com os radialistas. Só que hoje, o Zé Ronaldo fica do outro lado do balcão, sendo servido com o licor da notoriedade.

Nesses 25 anos do Bar do Abreu já ocorreram tantos “causos”, que já virou samba-de-enredo de um livro em gestação. Mas o que é que o Bar do Abreu tem? É o mesmo que perguntar para o Dorival Caymi, o que é que a baiana tem? Tem caderno de fiado? Tem. Tem muito papo furado? Tem. Tem encontros e desencontros? Tem. Tem tudo que a Baiana tem. Mas você já foi à Bahia? Você já foi ao Bar do Abreu? Então vá. O espaço físico é amplo, mas porque só o balcão fica constantemente lotado? Aquele balcão deve ter um feitiço, só pode ter. Naquele balcão existe uma magia, um chama sem chamar. Essas coisas não se explicam com letras. É preciso estar lá.

E como hoje é dia de aniversário do Bar, os contumazes chegam mais cedo para ver como é que está pra ver como é que fica e por lá ficam. Pretextos não faltam para “ir bem ali rapidinho”. E naquele balcão, conversa vai e a conversa também fica. Assunto não é problema. Existem os fatos, os boatos e o vice versa do Bonfim Salgado, em prosa e prosas. Personagens então, esses são incontáveis, alguns até transferíveis. Tem de tudo em todos. Futebol, carnaval, samba, pagode e os segredos de estado, são couros do mesmo bumbo, curica da mesma cuíca.

Tem uns que sabem tudo e outros que não querem é saber de nada. O que interessa mesmo é logo mais o jogo entre Botafogo e palmeiras, o Glorioso com o Periquito e depois o Sport e Fluminense, o Leão da Ilha com o pó-de-arroz. Se em dia comum no Estádio Municipal Bar do Abreu é lotado, “alvará” no dia de 25 anos do Bar do Abreu, véspera do feriado de 7 de setembro, numa quinta feira, mãe da forca?

Pretextos para beber não faltam. Depois dos jogos uns continuam bebendo porque ganharam e outros continuarão bebendo porque perderam, mas ganharam a festa, ao som das Bandas: Gera Samba, fuzaca, Chama e do Olemax Jr, além de outras canjas, poesias e ensaios de declarações de desculpas, para quando chegar a casa. Assim sendo a festa não tem hora para começar, nem dia pra terminar. E por precaução, é bom adquirir a camisa comemorativa dos 25 anos, porque com este abadá, a festa pode continuar com cheiro de álibi. É assim o Bar do Abreu. Mas só se sabe o sabor da fruta, se provar.