Senador cassado em 2004 por compra de voto tenta voltar ao cargo

João Capiberibe (PSB) foi acusado de comprar dois votos a R$ 26 cada.
Ele apresentou recurso, mas disse 'não ter esperança' de reaver mandato.


Mariana Oliveira Do G1, em São Paulo


O ex-senador João Capiberibe (PSB), no Senado, antes de ser cassado por compra de votos
(Foto: Pablo Valadares / Agência Estado)

O único senador cassado por compra de votos no Brasil, João Capiberibe (PSB-AP), tenta voltar ao cargo. Eleito em 2002 para o mandato que terminaria apenas em janeiro de 2011, foi cassado em 2004 sob acusação de que teria comprado dois votos a R$ 26 cada.

Após o TSE adiar o julgamento de um processo contra o governador de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira, porque seu vice não teria sido ouvido no processo, Capiberibe decidiu entrar com um recurso contra sua cassação alegando que seu suplente também não foi ouvido. Segundo ele, o recurso foi protocolado há três meses, mas ainda não há resposta.

Com a cassação de Capiberibe, o senador Gilvam Borges (PMDB-AP), o terceiro colocado na eleição de 2002, assumiu a cadeira.

"[Com a decisão no processo do governador catarinense,] abriu precedente para que eu reivindicasse o mesmo direito. Entrei com recurso para que seja anulado o processo que cassou meu mandato. Se ele tem esse direito, eu também posso ter. Eu poderia voltar porque meu mandato terminaria em 2010. (...) Mas não alimento esperança [de voltar ao Senado], eu reivindico porque tenho direito", disse ao G1 o ex-senador.

Capiberibe disse acreditar que conseguirá a anulação da sua cassação somente depois que o mandato terminar.

"Para mim importa minha honra, tenho uma história política, de militância. Foi uma injustiça brutal. Na época da ditadura eles prendiam, torturavam. Janete [Capiberibe, esposa dele] foi presa no oitavo mês de gestação. Mas na democracia, não esperava que cassassem mandatos legítimos."

A deputada federal Janete Capiberipe também foi cassada pelo mesmo motivo que o marido em 2004. Mas voltou a ser eleita em 2006 e está atualmente no cargo.

Ele disse ter sido cassado porque confrontou pessoas poderosas no Congresso. "Paguei preço caro", disse.

João Capirebibe afirmou acreditar que o senador Expedito Júnior, que teve mandato cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral por compra de voto mas ainda pode recorrer, não perderá o cargo. "Eu acho que não vai dar em nada, ele vai concluir o mandato. Essa lei é feita para afastar políticos que ousam se opor."