Artesanato amapaense em exposição na Casa Cor do Rio de Janeiro

Urnas Maracá compõem ambiente no hall de entrada, no Jóquei Clube

Tanha Silva
Colaboração: Mary Lima
Fotos: Tanha Silva

Ambientes luxuosos predominam a exposição Casa Cor 2007, no Jóquei Clube da Gávea, no Rio de Janeiro, um dos eventos na área de arquitetura e decoração mais reconhecidos do Brasil. No ambiente Hall Galeria, organizado e administrado pelo Sebrae RJ, prevalece o artesanato de vários estados brasileiros, adornando estantes, mesas de centro e de canto, armários, vasos, luminárias e outros. Do Amapá, duas urnas, réplicas da civilização Maracá, estão expostas logo na entrada. As peças para a Casa Cor Rio foram escolhidas em setembro por meio de uma curadoria.

Os objetos foram produzidos pela família de artesãos de Vicente e Eleni Lima de Moraes, da localidade de Piquiazal, distante cerca de seis quilômetros de Mazagão Velho, próximo a região do Maracá, onde estão os sítios arqueológicos. A empresa Cerâmica Eleni vem trabalhando com essa cultura desde o ano passado, depois da realização da oficina de design Maracá e Cunani, promovida pelo Sebrae.

“O critério era selecionar produtos artesanais de qualidade de comunidades de baixo IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). Enviamos fotos de diversas peças e foram escolhidas as urnas Macará. Depois da escolha fomos até Mazagão e pedimos para a senhora Eleni produzir as peças para serem expostas. As urnas foram enviadas no começo do mês de setembro para serem fotografadas antes da exposição e, assim, comporem o folder e o catálogo do evento”, explica a gestora do Projeto de Artesanato do Sebrae, Mary Lima.

A artesã Ezequiele Lima de Moraes, 23, explica que a produção de peças baseadas na civilização do povo Maracá mudou o artesanato de Mazagão. “A história do povo Maracá valorizou muito o artesanato. Nossa família se identifica muito com aquele lugar. A gente sempre quis que as pessoas valorizassem nossos produtos, sem que elas precisassem gastar muito. Desde criança trabalho com artesanato, mas agora é a melhor fase. Contar a história do nosso povo quando vendemos as peças é muito importante pra mim”, conclui a artesã.

“A proposta de trabalhar a identidade cultural de Maracá mudou a perspectiva da família de cerca de 20 pessoas formada por filhos, tios, primos e agregados. Muitos estavam deixando o ofício de ceramista para fazer carvão. Agora eles estão se capacitando cada vez mais para produzir novas peças e estruturar a gestão do grupo de produção familiar”, explica Mary Lima.

A Civilização Maracá viveu milhares de anos na Amazônia, mais especificamente no Amapá, extremo norte do Brasil, e foi extinta por volta de 1.600. Alguns achados arqueológicos, como as urnas antropomorfas (na forma humana), comprovam a existência desse povo que tinha uma refinada habilidade na produção de peças cerâmicas. As urnas antropomorfas Maracá representam uma figura humana sentada num banco e, segundo a cultura Maracá, é uma homenagem aos seus antepassados. O Sebrae no Amapá e o Governo do Estado vêm trabalhando para resgatar a identidade das culturas Maracá e Cunani junto aos artesãos.

Durante visita a Casa Cor 2007, a diretora técnica do Sebrae Amapá, Célia Brazão, mencionou o valor cultural agregado ao artesanato produzido na região do Maracá. “Nosso povo conta sua história quando produz peças que saem de nossas fronteiras e vêm para um lugar como a Casa Cor, onde inúmeras pessoas visitam e, assim, passam a conhecer um pouco de nossa cultura. O Amapá está em lugar de destaque na exposição e isso é muito bom para a valorização do nosso Estado”, constata a diretora.

A assessora de Projetos Especiais do Sebrae no Rio de Janeiro, Luciana Thibau, ficou muito bem impressionada com as peças amapaenses. “São belíssimas. Logo de início, uma pessoa reservou as duas obras para compra, de tão lindas que são. O melhor são as pessoas entenderem o conceito que o artesanato traz consigo, identificando a civilização do povo amapaense. Isso não tem preço”, finaliza.

A exposição Casa Cor encerra somente no mês de novembro.